Arquivo | Agosto, 2015

ALÔ PHAROL ALÔ PORTUGAL

9 Ago

Alô Pharol, alô Armando

Que as comunicações a teu mando

Dos Açores até ao Minho

Percorram o bom caminho

Para Portugal valorizar,

Comunicar, quiçá alumiar,

Fazendo jus e glória

A séculos da nossa História.

Desde o interesse da Altice Group onde Armando Pereira tem uma participação de relevo, achei possível e curial a compra e aliança entre capitais, tecnologias e recursos humanos lusos e franceses. Na impossibilidade de recuperarmos a PT para a esfera pública; que ela fique em mãos de países e de gente com proximidades, com a qual mantemos fortes relações económicas e sem complexos históricos de parte a parte, não obstante as guerras peninsulares de inícios do século XIX.

Para lá da relação de confiança entres os dois países, o protagonista Armando Pereira é um homem prático que subiu a pulso, “comeu o pão que o diabo amassou”. Creio que é um amigo da terra natal, de Portugal e de França. Estará interessado em que a ex PT SGPS; agora denominada Pharol SGPS SA, tenha sucesso. Sabemos que as ações da bolsa não têm valorizado. Mas se a situação anterior se mantivesse, cremos que o resultado seria pior. Haja esperança e confiança e os bons resultados poderão aparecer.

Deixo aqui algumas notas históricas sobre os precedentes da Empresa para que o orgulho, no bom sentido, seja de novo exaltado. Vem isto a preceito da nova empresa se chamar PHarol, o que, em certo sentido, é uma visão sobre as origens; visão essa, projetada no futuro, porque, não há futuro sem um bom alicerce no passado.

A História organizada das comunicações, de interesse público, tem origem nos Pharoes (faróis na grafia atual).

O 2º Director-Geral dos Correios e 1º Director-Geral dos Correios, Telegraphos e Pharoes – Guilhermino Augusto de Barros escreve no seu relatório e memória histórica de 1889 que “O seculo XVI, em que a nossa glória de navegadores tocou o apogeu, marca, segundo parece, a epocha provável da iniciação do alumiamento de alguns pontos da costa do continente portuguez”. (1).

Sabemos que o início da atividade documentada dos Faróis, em Portugal, precedeu cerca de quatro anos a entrada dos Correios públicos. “A primeira noticia que temos de pharoes refere-se a 1515”. BARROS refere como fonte a “Chronologia da Piedade” por fr. Manuel de Monforte, pág. 194 a 197, 200, 201 a 214: “Parece que o primeiro pharol da costa de Portugal foi construído no Cabo de S. Vicente. D. Fernando Coutinho, bispo do Algarve, levado, talvez, d`estes impulsos de humanidade, mandou construir uma torre de pharol no convento de S. Vicente ao cabo do mesmo nome […]” (2).

Por esta altura os Faróis ainda eram rudimentares, não possuíam lentes de aumento e o alumiamento não era elétrico. Funcionavam com combustíveis tradicionais: lenha, cebo e azeite. Mas foi o início de uma atividade que nunca mais cessou e também do ponto de vista tecnológico. Em princípio, eram as irmandades que se ocupavam dos Faróis, por questões de humanidade, para evitar naufrágios e acidentes.

Em fase posterior são entregues à Marinha portuguesa. Depois passam para os Correios Telegraphos e Pharoes; novamente para a Marinha e, um dia, no futuro, quem sabe se não serão geridos pela atividade privada, tal como acontece com os correios e as telecomunicações, cujas atividades eram estatais. Contudo, a convicção e tradição era de que os correios e telecomunicações nunca poderiam passar para a esfera privada por constituírem um poder e também um perigo para a inviolabilidade das correspondências.

Em 1520, D. Manuel cria o ofício de Correio-mor. Em 1525 o cargo é ocupado, já no reinado de D. João III. Por razões de falta de dinheiros públicos, tal como na atualidade, este ofício foi privatizado e vendido por Filipe II em 1606 ao Correio-Mor Luís Gomes da Matta, a título hereditário. Luís Gomes da Matta era de família de origem judia com imensa riqueza. Esta família vem de Espanha, onde utilizava o apelido de Coronel. Terá sido expulsa de Espanha pelos reis católicos. Com a mudança de identidade vemos, pois, a comunidade judia a mudar de nomes adotando, frequentemente, termos e nomes relativos à Natureza. É o caso de Matta, Pereira, etc. (cf. PT.Chabad.Org). Porém, em:

-1797. O poder régio vem reivindicar, novamente, os negócios e o controlo das comunicações. É já com D. Maria I que o Estado expropria o Ofício do Correio, através de Alvará régio, a Manuel José da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho indemnizando o proprietário. É então que o Correio passa para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Vem isto, também, a propósito da gestão dos faróis, hoje à responsabilidade da Marinha Portuguesa. E pomos a questão: Quem sabe se, um dia, a administração, gestão e, quiçá, o equipamento não serão vendidos aos empresários da PHArol, ou outros concorrentes; especialmente quando a Marinha Portuguesa tiver de patrulhar com eficácia e eficiência a costa e o imenso mar que o novo mapa português nos atribui com uma das maiores áreas e recursos a nível mundial?

-1798. Um novo Alvará regula os Correios Marítimos para o território do Brasil, bem como os transportes: Diligências postais e passageiros entre Lisboa e Coimbra.

-1809. É introduzida a telegrafia visual, também dita óptica, na sequência da Guerra Peninsular. É ainda a Marinha que funciona com este equipamento, auxiliada pelas forças inglesas, por via das invasões francesas.

-1821. Tem início o Correio Marítimo, entre Portugal Continental, Madeira e Açores.

  1. São iniciadas as Reais Diligências da Posta, entre Aldeia Galega (Montijo) e Badajoz com vista às comunicações postais com Espanha.

-1832. O Telégrafo visual é instalado nos Açores, na sequência do estacionamento do Exército Liberal.

  1. Realiza-se uma Convenção Postal entre Portugal e França.

-1850. Convenção Postal entre Portugal e Espanha.

-1852. É criada a Direcção Geral de Correios e Postas do Reino no novo Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, presidido por António Maria Fontes Pereira de Melo.

-1855. Têm início as carreiras da Malaposta para correio e passageiros; primeiro entre Lisboa e Coimbra, estendendo-se depois até ao Porto. Neste mesmo ano tem início a Telegrafia Elétrica.

-1863. Começam a circular as ambulâncias ferroviárias postais de transporte, organização e entrega de malas de correio.

-1870. Têm início as primeiras mensagens por Cabo Telegráfico Submarino entre Portugal (Carcavelos) e Inglaterra (Porthcurno)

-1874. É Criada a União Postal Universal em Berna/Suíça para regular a atividade postal entre os países.

-1879. Estabelecem-se as primeiras conversações telefónicas com telefones portugueses, entre Lisboa, Bom Sucesso, Barreiro e Setúbal sobre as linhas telegráficas, únicas vias de telecomunicações elétricas existentes na altura.

  1. Dá-se a fusão das Direcções Gerais: Correios e Telégrafos/Faróis, sob a dependência do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.

-1882. Os telefones precursores, então existentes, ponto a ponto, são integrados nas duas primeiras redes: a de Lisboa e a do Porto, sob a gestão da empresa concessionária – The Edison Gower Bell Telephone of Europe. Começa também a funcionar o primeiro locutório, denominado Estação Garret na casa Havaneza, ao Chiado.

-1887. A The Edison Gower Bell Telephone of Europe de Londres a funcionar em Lisboa e no Porto é adquirida pela The Anglo-Portuguese Telephone Company. Começa então a “nacionalização” das telecomunicações, embora o termo nacionalização seja algo forte para a altura.

-1911. Com a mudança de regime – monárquico para o republicano fazem-se reformas. Cria-se a Administração-geral dos Correios e Telégrafos (AGCT). Ao mesmo tempo dá-se-lhe autonomia administrativa e financeira. É a primeira vez que surge esta sigla, passando a representar a atividade de Correios, Telégrafos e Fiscalização das Indústrias Eléctricas. O telefone ainda não é referenciado na sigla, embora a exploração das primeiras redes date de 1882.

-1925.Constituição da CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi para fazer face à necessidade de comunicar entre o disperso Império português e comunicações internacionais.

-1936. É a vez da Madeira a operar com a telegrafia visual.

-1937. Surge a sigla CTT – Correios Telégrafos e Telefones e durante várias décadas chama-se, abreviadamente, CTF`s às Estações dos CTT que desempenham serviços de correio, telégrafo e telefone.

-1966. A Marconi em Portugal torna-se efetivamente em CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi através da nacionalização de 51% do capital.

1967. A APT – Anglo Portuguese Telephone dá origem aos TLP – Telefones de Lisboa e Porto, tornando-se a Companhia efetivamente nacional através do resgate efetuado pelo Estado português.

-1969. A Administração Geral dos CTT transformam-se em – CTT EP – Empresa Pública de Correios e Telecomunicações de Portugal.

-1983. Criação da Telepac para comutação e transmissão de dados.

-1987. No centro histórico de Carnide é instalada a primeira estação de comutação digital dos TLP.

-1989. Os TLP – Telefones de Lisboa e Porto transformam-se em TLP – Telefones de Lisboa e Porto, SA – Sociedade Anónima;

-1989. As estações centrais dos CTT e TLP incluem a tecnologia para o serviço de Telebip (telemensagens) parecendo, na altura, uma tecnologia e serviço a ser expandido mas que a introdução dos operadores móveis TMN e Telecel, apenas dois anos após, vêm “determinar” o declínio da Telemensagem/Telebip

-1991. O Estado português licencia A TMN – Telefones Móveis Nacionais e a congénere Telecel para exploração dos serviços GSM (Global System for Mobile Telecomunications)

-1992. A TMN inicia os seus serviços de telefonia móvel (GSM).

-1992. Cria-se: A Sociedade Gestora de Participações Sociais do sector empresarial do Estado, denominada Comunicações Nacionais, SA;

Os CTT – Empresa Pública; e Comunicações Nacionais, SA dão origem aos CTT – SA e Telecom Portugal SA, passando a existir duas empresas por cisão dos serviços CTT.

-1993. Início da TV Cabo na Madeira e Açores.

-1994. Fusão das empresas Telecom Portugal SA, Telefones de Lisboa e Porto, SA e Teledifusora de Portugal SA, resultando na empresa Portugal Telecom, SA. Começa a funcionar a TV Cabo;

-1994. Dá-se a fusão das empresas Telecom Portugal, SA com os TLP – Telefones de Lisboa e Porto, S.A., com a Teledifusora de Portugal, SA na única denominação de Portugal Telecom, SA;

-1994. Disponibilização do serviço Internet pela Telepac;

-1995. O portal Sapo – Serviço de Apontadores Portugueses é fundado na Universidade de Aveiro.

-1995-2000. A Portugal Telecom é privatizada em 5 fases.

-2007. Surge na Portugal Telecom o projeto MEO para os produtos: Televisão, internet, telefonia fixa e telemóvel.

-2008. A MEO entra ao serviço através do sistema IPTV (internet protocol television) em cabos de cobre.

-2009. A Meo opera pelo sistema FTTH (fiber-to-the-home) em cabos de fibra ótica.

-2014. A PT SGPS e a Oi acordam sobre um Memorando de Entendimento para a constituição dum Grupo de dimensão internacional. Mas eis que surge a crise e a problemática financeira ligada à Rioforte – sociedade de investimentos do Grupo Espírito Santo envolvida com a PT SGPS e a Oi, o que faz abortar os projetos de Telecomunicações entre o Brasil e Portugal

-2014/2015. Acabam as empresas/marcas PT Comunicações e a TMN com o nascimento da MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia.

-2015. A Portugal Telecom/PT Portugal funde a PT Comunicações com a MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, resultando na designação de MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA;

-2015. A PT Portugal torna-se numa subsidiária da Altice Group. Em Portugal surge com o nome de PHarol, sendo Armando Pereira, o Presidente do Conselho de Administração, natural de Guilhofrei, concelho de Vieira do Minho e detentor de cerca de 30% do Grupo Altice.

Em conclusão, verifica-se através da mini cronologia aqui apresentada que a empresa de telecomunicações PHarol tem importantes antecedentes históricos. Primeiro os serviços eram explorados pelo Estado; depois por Empresas públicas, SA e por SGPS.

Armando Pereira não saberá de telecomunicações mas tudo parece indicar que tem bom senso no difícil contexto que tem pela frente. É um homem da Europa, português e francês por adoção. Esperamos que a Altice Group e a PHarol desenvolvam prestígio, tecnologias e negócios, fazendo jus à longa história das comunicações de Portugal.

Notas:

(1) BARROS: 1889, p.13

(2) Ibid, p.14

Tags: CTT, Correios, História, Pharol, Portugal-Telecom, PT, PT-Portugal, Telecomunicações

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo. “Allô Lisboa”. Lisboa: FPC Códice Ano VII Série II, 2004, págs 36-45.

-ANCIÃES, Alfredo; SALDANHA, Júlia, VARÃO, Isabel, et al. – Cronologia Postal e de Telecomunicações. Lisboa: CDI, Património Postal e de Telecomunicações da Fundação Portuguesa das Comunicações, 1990`s-2010.

-ALMEIDA, Joel; ANCIÃES, Alfredo; CORDEIRO, Ricardo; MOUTA, Margarida; SALDANHA, Júlia, SANTOS, Alva; VARÃO, Isabel, WEBER, Cristina – Comunicar na República. 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: Dupladesign; Fundação Portuguesa das Comunicações, [2010].

-BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório do Director Geral dos Correios, Telegraphos e Semaphoros relativo ao anno de 1889 precedido pela continuação da História dos Correios até ao fim de 1888 e de uma memoria historica acerca da telegrafia visual, electrica, terrestre, maritima, telephonica e semaphorica, desde o seu estabelecimento em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1891.- Título do livro / relatório com 201 páginas, reeditado, composto e impresso por: G7 – Artes Gráficas, Ldª. Lisboa, 1992.

-BARROS, Guilhermino Augusto de; Direcção Geral dos Correios – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 precedido de uma memoria historica relativa aos correios portuguezes desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Lallemant Frères, Typ. Fornecedores da Casa de Bragança, 1879.

Em linha:

-A nossa História –

http://www.telecom.pt/InternetResource/PTSite/PT/Canais/SobreaPT/Qu…

-Sobrenomes judaicos – http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1525027/jewish/Sob…

-Anciães, Alfredo – Minhas memórias

http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/37-minhas-mem-rias-e…

-MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA – https://pt.wikipedia.org/wiki/Meo

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49. “ALGARVE D`ALÉM MAR” – ANOTAÇÕES DE UMA VIAGEM

5 Ago

Marrocos, tal como Portugal, têm uma localização relativamente privilegiada no novo mundo em globalização. Ambos são países de entrada e de saída, pelo Mediterrâneo e pelo Atlântico.

Outra característica comum aos dois países é revelada pelos traços culturais onde vivem povos com relações históricas que produziram importante miscigenação, para lá dos negócios, guerra, resgates, pirataria e lendas de belas mouras encantadas e encantadoras.

Existem, ainda, muitos traços genéticos em comum entre os dois povos. De igual modo são evidentes as marcas culturais na origem da língua portuguesa. Alguns milhares de vocábulos são provenientes de povos árabes que se mesclaram com mouros/berberes, lusitanos e outros povos originários ou que passaram pela Península Ibérica. (1)

A distância aérea de Lisboa a Casablanca é de apenas 594 km, com voos diretos de cerca de uma hora ou pouco mais. E se considerarmos a distância aérea entre Faro e Marrocos, via Ceuta, podemos alcançar África e vice-versa em apenas duzentos e tais quilómetros, sensivelmente a mesma distância de Lisboa ao Porto.

O percurso também pode ser realizado de carro, tendo apenas de permeio o estreito de Gibraltar. Esperamos que um dia, no presente século, a travessia possa ser feita por rodovia ou ferrovia através de túnel submarino entre a Península Ibérica e África.

Sobre o Guia que acompanhou a família da Associação Beselguense das Terras do Demo e de Magriço:

De nome Jamal, culto, formado em filologia e estudos hispano-árabes, expressando-se muito bem em castelhano, sabendo usar alguns termos em português. Compreendia quase tudo o que dizíamos na lingua lusa. Perguntei-lhe o que achava da situação atual de relações exteriores e dos conflitos entre o mundo árabe e o cristão ou entre o mundo árabe e o dito mundo ocidental, ao que me respondeu:

-“A raiz dos problemas no Próximo e Médio Oriente e em algumas outras partes do mundo, envolvendo extremistas e o Exército Islâmico, está na política americana dos Bushes, em especial do Bush filho. Eles foram-se meter com o Iraque, vindos de longe. Não estavam sequer em causa reivindicações de territórios ou delimitações de fronteiras. Foi uma agressão gratuita ao mundo islâmico. Estamos todos a pagar a fatura dessa política. O nosso Rei e o Povo marroquino não querem aqui disputas destas influências negativas”.

Marrocos e Portugal:

Somos os mais característicos filhos do “Al Andaluz”, que significa o Ocidente ou Península Ibérica, quando o povo de civilização árabe se fixou em parte da Europa do Sul, África do Norte, Península Arábica, Médio Oriente/Ásia Ocidental.

Acrescentei que Marrocos é, do ponto de vista geofísico, mais ocidental que Portugal Continental, temos a mesma hora oficial e uma herança comum de séculos. Utilizamos alguns milhares de vocábulos com a mesma raiz árabe; as mulheres portuguesas usavam, na quase totalidade, até há poucas décadas, um adereço a envolver a cabeça. Atualmente o lenço ainda é uma peça de distinção nos trajes etnográficos. Temos um espólio de lendas mouras de mulheres de encanto e de tesouros escondidos, deixados pelos mouros, mas a tradição considera, ao mesmo tempo, que a descoberta desses tesouros pode envolver maldição.

O distintivo do Estado marroquino apresenta alguns paralelos com o português do Estado Novo. Nós tínhamos como divisa “Deus, Pátria e Família”, aliado a um modelo de Concordata com a Santa Sé. Por seu lado, o povo marroquino tem um modelo centrado em Deus(ALÁ), Pátria e Rei. Não obstante a islamização da sociedade, o Rei é a melhor garantia da paz e relações com o mundo ocidental. Ele preside diretamente ao Ministério de Assuntos Islâmicos, um órgão estatal da maior importância. A tolerância recíproca com povos que respeitam o islão são uma caraterística deste país que soube democratizar o poder com uma revisão pacífica da Constituição em 2011.

“A monarquia é o pilar institucional de Marrocos. O primeiro artigo da Constituição estipula uma legitimidade estabelecida há séculos: «Marrocos é uma monarquia constitucional, democrática e social”» e o lema do país é: «Deus [ALÁ], Pátria e Rei». O rei é o «Comandante dos Crentes», o Comandante dos Fiéis, e na comunidade islâmica tem uma autoridade moral.” (cf. http://blog_real.blogs.sapo.pt/as-monarquias-monarquia-de-marrocos-…).    

No ultimo dia útil em Marrocos o grupo “Associação Beselguense” foi agraciado surpreendentemente com um jantar e muita animação na Casa das Musas/“Chez Ali” de Marraquexe. Envolveu  receção com cavaleiros trajados. Durante a especial refeição, que contou, entre outros atrativos, com o carneiro, couscous – prato de origem berbere/marroquino; vários grupos desfilaram com sons, trajes e cantares.

Cavalos e cavaleiros atuaram na arena, exibindo seus dotes, fazendo-nos lembrar a Arte e o  “Livro  da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela” de D. Duarte que, por sinal, foi Rei de Portugal, do Algarve e Senhor de Ceuta.

As apresentações equestres (agora no campo de amizade) acompanhadas com armas e rajadas de fogo recordaram-nos as lutas de outrora entre a mourama e cristãos.

Durante as viagens e a estadia ocorreram três casos que nos impressionaram:

1-Numa das ruelas da Medina de Fez, plena de vendedores e turistas, fizemos uma compra paga com 50  €uros. Por lapso, deram-nos o troco apenas até cinco euros. Com a confusão de pagar em moeda europeia, e receber a demasia em divisa local, não reparámos no lapso. E não é que o jovem vendedor, ao aperceber-se, passados alguns minutos, “furou” entre a multidão à procura da pessoa que fez a compra, para desfazer o engano e devolver o dinheiro recebido em excesso!

2-Outro conterrâneo deu conta que lhe faltava a carteira onde tinha documentos importantes e algum dinheiro. Após várias buscas descobriram que a carteira não tinha ficado no quarto do hotel. Tinha sim ficado perdida no 4×4 que nos levara até ao deserto de Merzouga-Erfoud. Passado um dia, a carteira foi achada e devolvida ao proprietário que entretanto já se encontrava noutra cidade e hotel a várias centenas de quilómetros.

3-Nos últimos momentos, em subida para o autocarro que nos levaria ao aeroporto de regresso a Lisboa, verificámos a falta de um relógio de estimação. Falámos  com o Guia, que nos deu autorização para voltar à receção e pedir que nos deixasse ir rapidamente ao quarto do hotel. A rececionista atendeu-nos cordialmente e  informou-nos que já haviam ido ao quarto, nada tendo encontrado. Pelo sim pelo não, entregou-nos, delicadamente, um cartão com os contactos do hotel para telefonarmos posteriormente. Eles devolveriam o achado se fosse encontrado. Já em Portugal verificámos que a pulseira do relógio se havia aberto aquando do transporte das malas e caído para dentro de um saco de mão.

Em conclusão: Os objetos perdidos ou esquecidos foram recuperados, contando com a honestidade e amabilidade das pessoas com quem comunicámos.  A história de “Ali Babá e dos 40 ladrões” do mundo árabe e islâmico não parece condizer com o povo que encontrámos. Nada se extraviou e o percurso foi pleno de experiências e conhecimentos.

P.S. Em próximo post abordaremos, em pequenas notas, outros pontos de vista: traje, tradição, animais domésticos, projetos, arte, política, religião, simbologias, relações com Portugal, factos históricos; lenda que deu origem à devoção e ao santuário de Nossa Senhora da Luz de Carnide-Lisboa, expandindo-se por outras partes do mundo, tendo porém, começado em Marrocos.

(1) Atualmente as principais línguas do reino de Marrocos são: o árabe na versão marroquina, aprendido nas escolas. O francês é também estudado e utilizado sobretudo em famílias de estratos populacionais com mais recursos, nos negócios com o exterior e no turismo de origem ocidental. O castelhano, o português (ou portinhol) e o italiano também são bastante escutados nos espaços comerciais e turísticos.

Fontes:

-Al Andalus ou Al-Andaluz  – https://pt.wikipedia.org/wiki/Al-Andalus

-Civilização Árabe – https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=civiliza%C3%A7%C3%A3o+%C3%A1rab…

-História de Marrocos – http://www.marrocos.com/historia/historia-marrocos/; https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Marrocos;

-Marrocos Distância aérea – http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-aerea; entre-lisboa-e-casablanca/AereaHistoria/5433.aspx http://www.adistanciaentre.com/pt/mapa-de-lisboa-para-casablanca/MapaHistoria/5433.aspx; http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-entre-distrito-de-faro-e-ceuta-espanha/DistanciaHistoria/102702.aspx, http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-entre-distrito-de-faro-e-tangier-morocco-via-cadiz/DistanciaHistoria/124271.aspx;

-Marrocos informação localização geografia – http://www.marrocos.com/informacoes/localizacao-geografica/;