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62. AL-ANDALUS / PORTUGAL: ATALAIA ALMOUROL BARQUINHA ET AL

1 Fev

Este artigo visa divulgar patrimónios pouco conhecidos na ótica das comunicações históricas da Península Ibérica / al-Andalus. A localidade da Atalaia, atual freguesia de Vila Nova da Barquinha está relacionada, até pelo seu nome, com as comunicações visuais.

A igreja com a sua torre alta e robusta serviu como meio de comunicação sineira. Em meu entender, também serviu como estrutura para o telégrafo visual, tal como a Torre de Belém serviu de atalaia e comunicação, antes e após a institucionalização da telegrafia na segunda década do século XIX.

Obs: As imagens podem ser visualizadas em: http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/02/62-al-andalus-portugal-atalaia-almourol.html

 Imagem do Castelo de Almourol com torre central destacada para menagem e comunicação

 Imagem do Adarve (caminho sobre as muralhas) servindo como ronda, vigia e pequenas torres de comunicação

“Caía a noite e, pelo recolhido, confiante nos olhos de atentos vigias. Em espetos enormes rodavam, pingavam a assar, as peças de caça, veados e porcos, sobre o brasido intenso de cem fogueiras que tingiam a névoa de sangue. Convoca el-rei os chefes ao pavilhão real […]. Os senhores da Galiza, de Leão, concordavam. Soeiro Mendes sugeria avançassem as hostes por vias dispersas ao encontro dos Mouros e os surpreendessem […]. Estivessem atalaiados, em cilada, pelos cerros das penhas [… ]” (1)

Imagem/gravura da Torre de Belém vendo-se o telégrafo visual português de Francisco Ciera no topo

 Consta que o termo atalaia vem do árabe attalia ou at-talai`a. Porém, investigando as fontes com atenção vemos que esta designação já é muito citada no Antigo e Novo Testamento, inclusivamente no século VI a. C. por Ezequiel, 33 onde fala em “sentinela, vigia, aviso e trombeta”.

Seja como for a precedência e a proveniência; o conceito de atalaia passou a designar os pontos altos de observação/vigia para fins de defesa e comunicação. Os árabes, vizinhos dos hebreus, replicaram o uso do termo e conceito de atalaia.

«Era sexta-feira, das Calendas de outubro […]. No coração da campina, no lugar de Zalaca, Mouros e Cristãos, defrontam-se. – São multidão, senhor – disse a Alfonso o alferes. – Três exércitos – anunciavam batedores, atalaias […]» (2)

Verifica-se, pois, que os vigias nas atalaias proporcionaram importantes serviços de defesa e comunicação. Com a força do hábito as atalaias acabaram por dar o nome a vária toponímia, nomeadamente a ruas, caminhos, estradas e povoações, incluindo a Atalaia de Vila Nova da Barquinha, ela própria (a Atalaia) vila e sede de concelho durante a interessante capicua de 626 anos (1213-1839).

Primeiramente, a atalaia com a função de vigia e comunicação parece ter funcionado no sítio do Picoto da povoação da Atalaia/Barquinha. Esta função de atalaia acabou por ser transferida para a vila, nomeadamente para a igreja local. Neste interessante templo encontra-se o túmulo do segundo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Manoel da Câmara executado pelo Arquiteto Mateus Vicente de Oliveira natural da freguesia de Barcarena / Oeiras.

 Imagem/Retrato de D. José Manoel da Câmara, segundo Cardeal Patriarca de Lisboa

 Imagem do túmulo do Cardeal Patriarca D. José Manoel da Câmara

 Imagem base do mesmo túmulo

 Interessante é o facto deste Cardeal ter sido aqui sepultado e não no lugar do panteão dos Cardeais no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. O motivo de D. José Manoel ter vindo falecer à Atalaia, terá sido premeditado, devido à perseguição do Marquês de Pombal aos Jesuítas.

O parentesco de D. José Manoel com a família dos Távoras implicou reforçados cuidados para que não fosse obrigado a regressar à capital. D. José Manoel gozava aqui de bons ares e proteção, incluindo o fator segurança a partir da “sua” igreja atalaiada. Entretanto faleceu e com a viradeira (morte do Rei D. José e destituição de Pombal) o Cardeal acabou por ficar na Atalaia.

A igreja desta localidade tem torre sineira mais arrojada do que é comum nas igrejas de pequenas terras, quer em altura, quer em espessura e perímetro. Logo, tudo parece indicar que esta torre foi pensada, não só para a função sineira (3) mas também para a função de vigia e transmissão de telegrafia visual, nomeadamente na linha de «Lisboa [castelo], Santa Iria, Póvoa, Alverca, Alhandra, Vila Franca, Povos, Castanheira, Vila Nova, Azambuja, Casa Branca, Valada, Porto de Mugem, Santarém, Azinhaga […] Atalaia[/Barquinha], Tancos […], Punhete [atual Constância …], Abrantes».

 Imagem da torre da igreja da Atalaia

Esta linha de telegrafia visual tinha os seus postos intermédios distanciados numa média de 13 km que poderia ser superior ou inferior, dependendo da orografia e das condições habituais de visibilidade. O equipamento era instalado no topo de edifícios, em torres ou penhascos.

A povoação da Atalaia, com a sua ruralidade e relativa tranquilidade face a Lisboa, permitiu ao segundo Cardeal Patriarca um exílio ou esconderijo, onde acabou por falecer. Mateus Vicente de Oliveira que trabalhava essencialmente para o patriarcado, traçou o risco do túmulo do Cardeal e terá mesmo acompanhado as obras.

Na ornamentação da fachada entram duas figuras. Uma, dum homem novo «que simbolizará a juventude e a vontade de ousar»; outra, dum um homem velho que «significará a experiência e o bom senso» (4). Ambas as figuras constituem um equilíbrio renascentista para o conhecimento do mundo com base na razão do saber prático, adquirido nas viagens dos Descobrimentos e na preparação para as mesmas. Contudo esta igreja teve vários acrescentos posteriores à Renascença.

A Atalaia é, por assim dizer, um ponto de interesse e reflexão, inserida num percurso local de Vila Nova da Barquinha, Almourol, Tancos e Santa Margarida. Prevê-se que brevemente a zona possa abrir a possibilidade a visitas guiadas aos espólios da aviação e paraquedismo.

No Castelo de Almourol, Picoto e Igreja da Atalaia poderão reinstalar modelos históricos de telegrafia semafórica e sonora, visíveis no local, num centro de interpretação e/ou em museus da região. Os municípios com o Tejo por perto poderão vir a fruir dum leito fluvial melhorado, completamente navegável, proporcionando crescentes atrativos turísticos.

A relação da Atalaia com Lisboa pode ser desenvolvida, tendo em conta que os Condes da Atalaia estiveram fixados na capital, onde residiram em dois palácios. Um na Costa do Castelo. Note-se que os condes da Atalaia foram também marqueses de Tancos e deram origem à denominação da Calçada Marquês de Tancos. Outro sítio onde residiram foi na Rua da Atalaia, junto ao Calhariz/Bairro Alto.

Se no primeiro caso o palácio deu origem à toponímia: Calçada do Marquês de Tancos; já no caso da Rua da Atalaia, as fontes apontam para outra via. Uma atalaia já ali existia, antes da urbanização, e esta deu o nome à Rua. Os Condes da Atalaia terão achado graça à coincidência do nome da sua terra e do seu título nobiliárquico com uma rua homónima em Lisboa e ali se instaram. Gomes de Brito (olisipógrafo) cita uma antiga atalaia no local:

«Assento pois como certo que ali, no sítio mais elevado […] que é hoje o Bairro de S. Roque e com vista para a cidade, para o lado de Santos, e para o Tejo, se erguia uma atalaia […] e que daí se trocavam sinais e avisos […]» (5).

Palavras-chave relacionadas com a segurança e comunicação: adarve, atalaia, aviso, sinal, telégrafo visual, torre, torre sineira, torre albarrã, torre de menagem, vigia.

Notas:

(1)Campos, F. – O Cavaleiro da Águia, p.114-115. Trata-se dum extrato da pena de Fernando Campos. Embora tratando-se dum romance, a interessante obra – O Cavaleiro da Águia – dá-nos a conhecer muito da História da Península Ibérica, nomeadamente no tempo dos reinos de taifas e da formação de Portugal. O extrato em referência reproduz, o que tantas vezes terá sido dito em relação às vigias e comunicações em atalaias.

(2)Campos, F. – O Cavaleiro da Águia, ob. cit. p.130. Quanto à Batalha de Zalaca, esta foi travada em outubro de 1086 nas proximidades de Badajoz. Estiveram em confronto cristãos da Península, muçulmanos e Almorávidas da Mauritânia, tendo os reis muçulmanos de Badajoz, Granada e Sevilha vencido esta batalha contra o rei cristão Afonso VI de Leão e Castela. Veja também https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Zalaca

(3)Cf. Anciães, Alfredo Ramos – 38. Torres Comunicantes … – http://cumpriraterra.blogspot.pt/2015/03/38-torres-e-sinos-que-tanto-dais.html)

(4)Conceito apresentado em visita guiada ao local pelo prof. Mestre Júlio Cortez Fernandes, dezembro de 2015.

(5)Brito, Gomes de  in https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/02/08/gomes-de-brito-o-olisipografo-criador-dos-estudos-toponimicos/

 Fontes:

-Anciães, Alfredo Ramos – Para-Guião Exposição Permanente Secção Patrimonial de Telecomunicações. Lisboa: Fundação Portuguesa das Comunicações, 2001

-Bíblia Sagrada. Lisboa: Difusora Bíblica, Missionários Capuchinhos, 1984

-Campos, Fernando – O Cavaleiro da Águia. Miraflores – Algés: Difel 2005

Disponíveis em linha. Consult. 24.1.2016 –

-Anciães, Alfredo Ramos – 22. Guerra Peninsular e Linhas de Torres: Uma perspetiva baseada nas ideologias entre o mercantilismo e o liberalismo – http://cumpriraterra.blogspot.pt/2014/11/guerra-peninsular-e-linhas-de-torres.html

———————  – 38. Torres Comunicantes: Portugal é memória é presente é mar e é futuro – http://cumpriraterra.blogspot.pt/2015/03/38-torres-e-sinos-que-tanto-dais.html

-Freire, Fernando, O Telégrafo de Ciera” – ano 1810 – Abrantes – Atalaia (Barquinha) – http://atalaia-barquinha.blogspot.pt/2010/02/o-telegrafo-de-ciera-ano-1810-abrantes.html

-C. M. Lisboa D.P.C. Núcleo de toponímia – A misteriosa atalaia do Bairro Alto –  https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/07/15/a-misteriosa-atalaia-do-bairro-alto/

-Comissão da História das Transmissões, Liga dos Amigos do Arquivo Histórico Militar – Bicentenário do Corpo Telegráfico 1810-2010

http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf

-Geneall.net/pt – D. Francisco Manoel de Ataíde, 1º conde de Atalaia, D. João Manuel de Noronha, 1º marquês de Tancos, 6º conde da Atalaia  – http://geneall.net/pt/titulo/149/condes-de-atalaia/

Lisboa de Antanhohttp://lisboadeantigamente.blogspot.pt/2016/01/rua-da-atalaia.html

-Martigner, Giles – Sobrevuelo de la Telegrafía Óptica en Lusitania – Revista Internacional de Historia de la Comunicación; Universidad Complutense de Madrid –  file:///C:/Users/Utilizador/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/IE/JY4GMNKL/M1-RiHC-Sobrevuelo-de-la-telegrafia-optica-en-lusitania.pdf

-Wiki. Batalha de Zalaca – https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Zalaca

– Imagens: 1-2, 4-7 Arq. AA Alfredo Anciães ; 3 gravura CDI/FPC

  1. S. Devo a inspiração para este artigo à prof. drª Anabela Fidalgo, prof. Catarina Midões, prof. drª Fernanda Henriques e prof. mestre Júlio Cortez Fernandes por me terem incentivado nas disciplinas de literatura, história e património local, abordando o presente tema.

61. UM PERCURSO D`ÁGUAS: PATRIMÓNIOS IMATERIAIS E TANGÍVEIS – DA ROMANIDADE À ATUALIDADE

4 Jan

lisboamarcas

          Nota prévia: poderá aceder a todas as imagens no post com o seguinte endereço: –»» http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/percurso-d-guas-patrim-nios-imateriais-e-tang-veis-da-romanidade

Da Igreja de São João do Lumiar ao coração de Lisboa, passando por Odivelas, Caneças, Belas e Carenque procurando uma interpretação dos patrimónios imateriais e tangíveis.

MOMENTO I A Força da água na vida espiritual e corporal

A Igreja de São João do Lumiar fica situada no Largo São João Baptista, 1600-760 Lumiar – LISBOA. Esta Igreja tem dois oragos: São João Batista e Santa Brízida ou Brígida. Ambos os oragos estão relacionados com a água, daí o iniciar este percurso na Igreja/Largo de São João Batista, ao Lumiar.

Uma das descrições de S. João Batista, primo de Jesus Cristo. É «Aquele que batiza em água», sendo que S. João Batista batizou o próprio Cristo nas águas do Rio Jordão.

Algumas citações sobre João Batista:

No Evangelho de São Mateus: 3,11 Eu…

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61. UM PERCURSO D`ÁGUAS: PATRIMÓNIOS IMATERIAIS E TANGÍVEIS – DA ROMANIDADE À ATUALIDADE

3 Jan

          Nota prévia: poderá aceder a todas as imagens no post com o seguinte endereço: –»» http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/percurso-d-guas-patrim-nios-imateriais-e-tang-veis-da-romanidade

Da Igreja de São João do Lumiar ao coração de Lisboa, passando por Odivelas, Caneças, Belas e Carenque procurando uma interpretação dos patrimónios imateriais e tangíveis.

MOMENTO I A Força da água na vida espiritual e corporal

A Igreja de São João do Lumiar fica situada no Largo São João Baptista, 1600-760 Lumiar – LISBOA. Esta Igreja tem dois oragos: São João Batista e Santa Brízida ou Brígida. Ambos os oragos estão relacionados com a água, daí o iniciar este percurso na Igreja/Largo de São João Batista, ao Lumiar.

Uma das descrições de S. João Batista, primo de Jesus Cristo. É «Aquele que batiza em água», sendo que S. João Batista batizou o próprio Cristo nas águas do Rio Jordão.

Algumas citações sobre João Batista:

No Evangelho de São Mateus: 3,11 Eu [João Batista] batizo-vos em água para vos mover ao arrependimento; mas Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe levar as sandálias. Ele [Jesus Cristo] batizar-vos-á com o fogo do Espírito Santo.

       Em São Lucas: 3,16 – João [Batista] disse-lhes a todos: «Eu batizo-vos em água, mas vai chegar Quem é mais poderoso do que eu, Alguém cujas correias das sandálias não sou digno de desatar. Batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo».

       Em São João [o Evangelista]: 1,26 – João [Batista] respondeu-lhes: «Eu batizo em água; mas, no meio de vós, encontra-se Alguém que não conheceis; 1,27 – Aquele que vem depois de mim; e eu não sou digno de desatar a correia da Sua sandália». 1,28 – Isto passou-se em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava a baptizar. 1,33 – E eu não O conhecia [refere-se a Jesus Cristo], mas Aquele que me enviou a batizar em água, é que me disse: «Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo.

       Em  São Marcos: 1,8 – «Eu [João Batista] batizarei em água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».

       Nos Atos dos Apóstolos: 1,5 – «Porquanto João [Batista], batizava em água, mas dentro de pouco tempo, vós sereis baptizados no Espírito Santo».

Na reconstrução desta Igreja entram vestígios manuelinos mas pode classificar-se mais propriamente nos estilos maneirista e barroco. Antes da reconstrução já existia outro templo, pois encontram-se ali encastradas e legendadas as três sepulturas referentes aos cavaleiros Hibérnios (da atual Irlanda) que, segundo a tradição e algumas fontes, trouxeram, no tempo de D. Dinis, a relíquia de Santa Brízida, destinada ao mosteiro de Odivelas. Porém, e milagrosamente, segundo algumas descrições e a lenda popular, a relíquia preferiu ficar no Lumiar, estando os restos depositados na igreja local.

Sendo este templo votado, em especial, a São João Batista, a sua imagem encontra-se ali num altar com 8 degraus. O número 8 está ali velado nos 8 degraus. Não será por acaso. O próprio padre João Caniço, numa entrevista in loco, respondendo à minha questão sobre o significado revelou-me tratar-se efetivamente duma referência à Maçonaria, pois esta Organização tem o número 8 como um dos mais simbólicos e tem ainda São João Batista em particular devoção.

       Santa Brízida ou Brígida

Também de importância particular no universo da cultura céltica é Santa Brízida que, segundo algumas interpretações, terá sido uma antiga deusa pagã convertida ao cristianismo e tornada santa. Há ali, na igreja do Lumiar, vários patrimónios, materiais e imateriais, associados a esta santa, internacionalmente venerada no Lumiar. A relação desta santa com São João Batista e com a água não é despropositada:

Primeiro –

Ambos são venerados no Lumiar. A São João Batista foi-lhe cortada a cabeça, bem como a Santa Brízida. A cabeça desta Santa ficou, milagrosamente no Lumiar quando os três cavaleiros hibérnios (também sepultados na igreja) a trouxeram para Portugal no ano de 1283, reinando D. Dinis.

Legenda na sepultura:

«AQUI NESTAS TRES SEPVLTURAS IAZÊ[M] ENTERADOS OS TRES CAVAL.ros / IBERNIOS Q[UE] TOVXERÃ[M] A CABECA DA B~E[M] AV~[E]NTURADA S. BRIZIDA VIR / G~E[M] NATVRAL DIBERNIA CUIA RELIQVIA ESTA NESTA CAPELA P[AR]A MEMO / RIA DO QVAL HOS OFICIAIS DA MESA DA B~E[M] AVENTURADA S. MÃODA / RÃO FAZER ESTE E~[M] IAN[EI]RO DE 1283»

Segundo –

Santa Brízida é protetora do mundo rural, não só dos animais, como dos pastores, do sol e do fogo; associada também à luz, à água e à fertilidade. Durante vários séculos no Lumiar e em Telheiras do termo da freguesia do Lumiar se fizeram romarias com gado e procissões a pedir proteção e chuva.

Invoca-se a proteção de Santa Brígida, nomeadamente para que não falte água. A imagem pictórica de Santa Brígida tem junto a si dois recipientes, o inferior virado para a Terra e o superior virado para o Céu.

MOMENTO II – Caneças

Com imagem de um cântaro no escudo de armas e bandeira da vila de Caneças é constituído pela iconografia relativa à presença de água. Uma bilha vermelha representa a água, o barro e a vida, envolvido com ramos de hera cuja planta está associada à simbologia da imortalidade e à força da vida vegetal.

Das cinco fontes que conhecemos em Caneças, apenas incluímos aqui a denominada “Fontainhas”. Por sinal é uma das que apresenta menos decoração. É a que está mais acessível ao público e tem significado para a cidade de Lisboa. Do lado oposto, apenas separado pela estrada, está situado o tanque das lavadeiras, tão conhecidas em Lisboa, inclusivamente pela voz de Amália Rodrigues.

       «Dos fregueses a conduta /  é pela roupa que se prova. / Mas lavada e bem enxuta / até fica como nova. Com Lisboa sem vaidade / a saloia pede meças. / Há mais burros na cidade / do que há burros em Caneças! […]». Extrato  “As Lavadeiras de Caneças” na revista a Rambóia, 1928. in http://jepleuresansraison.com/2009/12/23/amalia-1967-as-lavadeiras-de-canecas/

Na decoração do acesso às Fontainhas podemos encontrar várias imagens bidimensionais em nichos nas paredes, representando as cenas do fornecimento de água, produtos, transportes e animação relacionados com Lisboa. Estas imagens iconográficas revelam valor etnográfico, respeitante à primeira metade do século XX.

MOMENTO III – Vestígios da barragem romana e da Águas Livres

Por aqui se encontram edifícios e aquedutos que vão juntar-se a outros da parte ocidental de Caneças, Olival Santíssimo e outros ainda a jusante, seguindo quase paralelos à ribeira do sopé de Caneças, Casal e Serra da Silveira. Mais adiante estas nascentes e ribeira tomam o nome de Ribeira de Carenque.

Junto à estrada EN250, encontram-se os restos arqueológicos da Barragem Romana. Construída há cerca de 1750 anos, no século III, e cerca de 1500 antes das obras denominadas Águas Livres.

Ambas as estruturas, romanas e das Águas Livres, foram executadas para o fornecimento de água a Lisboa. Na altura da barragem o acesso do caudal à capital seria feito por Santo André, junto à Graça evitando, assim, a obra quase faraónica do aqueduto das Águas Livres em Alcântara. Contudo a barragem romana constituía uma inovação até mesmo em relação às Águas Livres do século XVIII/XIX pois o reservatório em barragem garantiria um caudal regular entre as várias épocas do ano.

Os vestígios da barragem romana encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público. Para lá desta classificação existe uma proposta da CM Sintra a fim de incluir os terrenos outrora abrangidos pela barragem. Consta que várias estruturas e vestígios do aqueduto das Águas Livres estão sobrepostos às antigas fundações romanas que seguiam o mesmo percurso ou muito próximo.

Na realidade encontrei vários pontos dos aquedutos onde a edificação é bem discernível, entre uma camada superior e outra inferior, como se de duas fases bem distintas no tempo e/ou na técnica se tratasse. Contudo não tenho a certeza se a camada inferior é efetivamente romana. De qualquer modo, a estrutura executada no século XVIII terá aproveitado muitos materiais líticos e partes do aqueduto romano, seguindo de perto a ribeira de Belas, Carenque e Amadora.

Tags: Águas Livres, barragem romana, Belas, Caneças, Carenque, Lisboa, Lumiar, património imaterial, património tangível, Santa Brízida ou Brígida, São João Batista.

 Fontes:

-Anciães, Alfredo Ramos; Janeira, Ana Luisa et al. Lisboa Entre Águas e Manufacturas. Lisboa: CML, iniciativa do Departamento do Património Cultural, colaboração de Marcas das Ciências e das Técnicas por altura do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.- Resumo in Agenda Cultural de Lisboa, Abril, 20o9

-Bíblia Sagrada – Lisboa: Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos), 1984

-Fernandes, Júlio Cortez – Notas de aulas de Património Local em Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão, 2015/2015

-Nunes, Gabriela – Lisboa guarda segredos milenares. Santa Brígida, uma deusa céltica no Lumiar. Lisboa: Apenas Livros, 2011

Em linha–»

-Anciães, Alfredo Ramos – Pelos Trilhos do Conhecimento: Lisboa Entre patrimónios e Águas Livres  http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2009/03/20/PELOS-TRILHOS-DO-CONHECIMENTO_3A00_-LISBOA-ENTRE-PATRIM_D300_NIOS-E-_C100_GUAS-LIVRES.aspx

-Guedes, Gustavo – Significado dos símbolos  http://www.significadodossimbolos.com.br/busca.do?simbolo=Hera

-Junta de Freguesia de Caneças – Vila de Caneças, brasão de armas e bandeira http://www.ahbvc.pt/Canecas.htm ; http://www.ahbvc.pt/Canecas.htm

-Portal de Portugal / Wikimedia – Caneças https://pt.wikipedia.org/wiki/Cane%C3%A7as

Rodrigues, Amália (intérprete); Magalhães, Xavier de (letra); Freitas, Frederico de (música) – “As Lavadeiras [de Caneças]” . Executada inclusivamente no Olympia de Paris  in http://jepleuresansraison.com/2009/12/23/amalia-1967-as-lavadeiras-de-canecas/  ;  https://www.youtube.com/watch?v=9KNQWlVuSvY. Veja também http://aofundodaminharua1.blogspot.pt/2013/12/lavadeiras-de-canecas-da-revista.html ; http://porbase.bnportugal.pt/ipac20/ipac.jsp?session=1NO12801Y5069.415182&profile=porbase&uri=link=3100018~!1145936~!3100024~!3100022&aspect=basic_search&menu=search&ri=1&source=~!bnp&term=Freitas%2C+Alice%2C+ca+19–&index=AUTHORenu=search&ri=1&source=~!bnp&term=Freitas%2C+Alice%2C+ca+19–&index=AUTHOR

55. PORTO E LISBOA – LISBOA E PORTO A PALAVRA PELOS FIOS COMUNICAM

13 Nov

Primeiras Ligações Telefónicas entre a Invicta e a Capital

Uma nota prévia

Por esta altura, há 11 anos, figurava no Museu das Comunicações a exposição sobre o Centenário da Primeira Ligação Telefónica Entre Lisboa e Porto. Feitas as contas, faz agora 111 anos (1904-2015) que as duas cidades passaram a telecomunicar, por voz,  entre si.        As duas capicuas 11 + 111 são interessantes, do ponto de vista simbólico. Esta foi mais uma razão para resgatar esta memória e refletir sobre o processo de comunicar através da luz.        Falar em luz ou em vibrações telefónicas através de fios elétricos, pelos quais se transmitem feixes elétricos ou feixes de luz, vai dar no mesmo. Acontece que neste ano de 2015 vários países do mundo comemoram o milésimo ano dos estudos do cientista árabe Ibn al-Haytham. Este filósofo e investigador  legou à Humanidade o primeiro estudo sistemático sobre a ótica e a luz, através dum tratado em sete volumes (cf. http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/mil-anos-de-luz).        Deixar passar este evento em vão não me parecia boa política; daí o trazer para a esfera pública este assunto que, aliás, também devia ser tomado pelas instituições: Escolas, Museus, Bibliotecas …

O movimento regenerador e a telefonia

O movimento regenerador havia contemplado as comunicações dos caminhos-de-ferro, mala-posta e telégrafos; também várias pontes e vias terrestres. A telegrafia elétrica beneficiara da conjuntura favorável. Já a telefonia, por ter sido inventada após os finais do período regenerador, não logrou uma introdução rápida no território nacional.

Após o invento oficial do telefone, com registo de patente por Alexander Graham Bell, em 1876; Portugal não tardou a adotá-lo e mesmo em melhorá-lo com inovações. Contudo foi necessário esperar pelo ano de 1904 para que as duas primeiras redes oficiais de Lisboa e do Porto, existentes isoladamente, desde 1882, fossem conectadas entre si, através de uma linha própria construída para o efeito.

A influência da telegrafia sobre a telefonia contribuíra para o atraso da transmissão por voz. Os poderes institucionais estavam bem servidos com o telégrafo. Porém, a telecomunicação de voz era um meio mais intimista, mais direto e menos formal do que a transmissão da escrita que, maioritariamente passava pelo processo do código de Samuel Morse, envolvendo pessoal técnico na transmissão e na receção.

Iniciado o século XX, começa a ser mais evidente uma atitude de mudança na sociedade, a par de uma Imprensa mais visível, que usa e divulga as telecomunicações.

Num anúncio, em grande plano, publicado no jornal `O Século` de 16 de Abril de 1904, é incluída uma imagem de um cavalheiro e de uma dama ao telefone. Uma legenda, entre os dois interlocutores, começa assim:

  «Está lá?

  • Recebeste?
  • Olha Mathilde o nosso encontro no Chiado não póde têr logar hoje.
  • […]».

E o diálogo passa à publicidade de uma nova retrosaria e, obviamente, ao telefone. Assim se vai criando, psicologicamente, a apetência por um novo meio. Ideia a passar: comunicar pelo telefone é chique, lúdico e prático. Assim a nova retrosaria ganhava imagem com a associação ao novíssimo meio.

Primeira fase de experiências

        Com vista à ligação telefónica de Lisboa ao Porto, tiveram lugar em 1879, em plena época precursora da telefonia as primeiras experiências consideradas de longa distância.

Os ensaios foram feitos com um telefone inovador – made in Portugal, da autoria de Cristiano Augusto Bramão, oficial dos Serviços Telegráficos e de Maximiliano Augusto Herrmann, inventor e construtor de equipamentos de telecomunicações, linhas de caminhos-de-ferro e iluminação pública.

O telefone inovado e construído em Lisboa era precoce para a época. Tão precoce, que alguns dos seus atributos, só mais tarde foram retomados na indústria, em série, da telefonia.

Os atributos do telefone de Cristiano Bramão, são os seguintes:

-Design do microfone e auscultador num bloco só. Antes ouvia-se e falava-se em peças ligadas por um cordão elétrico e o telefone propriamente dito, ficava fixo na parede.

-Formato para utilização em mesa e de reduzidas dimensões, em relação aos telefones de parede da época;

-Capacidade técnica de modo a permitir um método precursor de fonoconferência. É de notar que a alta voz só veio posteriormente a ser desenvolvida, já no século XXI;

-Comodidade de utilização, em mesa, com facilidade para fazer anotações enquanto em função;

-Possibilidades de afinação e regulação;

-Chamada do destinatário através dum manipulador de sinais, associado ao código morse, podendo também servir como telégrafo em caso, por exemplo, de avaria dos componentes telefónicos.

Imagem nº 1. Telefone concebido por Cristiano Augusto Bramão e Maximiliano Augusto Herrmann. Portugal. Dimensões da peça, aprox. 32x20x25 cm.

Segundo as palavras do autor, Cristiano Augusto Bramão, apresentadas à `ilustre associação dos engenheiros civis portuguezes`:

 «[…]Parece-me haver creado um apparelho absolutamente pratico, hoje que a telephonia por toda a parte parece ainda aguardar, apesar dos importantes trabalhos de que tem sido objecto, uma solução acceitavel […]. Desejando ver se seria possível alcançar até ao Porto, foi para ali feita a experiência com bom resultado em parte; o efeito sendo altamente prejudicado pelo serviço dos outros fios. […] Uma outra experiência feita com o Barreiro e Setúbal, o apparelho achando-se já muito melhorado na parte relativa á articulação, foi plenamente satisfatória […] a voz chegava intensa a ponto de se fazer ouvir de todos os circunstantes, que eram muitos tanto de um como de outro lado.» (Revista de Obras Publicas e Minas, 1879).

Porém, estas vantagens não foram logo suficientes para a introdução regular da telefonia entre Lisboa e o Porto, tal era a inércia e a fidelização ao telégrafo elétrico que, desde 1855, vinha conquistando todas as comarcas e grande parte dos concelhos.

Segunda tentativa de introdução da telefonia de Lisboa para o Porto em 1888/1889

Tratou-se de uma experiência organizada, na esperança de conseguir o aproveitamento da telefonia sobre as linhas telegráficas. Para o efeito, foram adquiridos os sistemas mistos de telegrafia e telefonia de Van Rysselberghe.

Para traz ficara o telefone de Cristiano Bramão que parecia tão promissor. Acontece que a concorrência técnica, quer portuguesa, quer do exterior depressa absorvem as novas ideias e constroem novos modelos.

Ainda que baseados nos anteriores modelos, os construtores vão-se tornando independentes dos Oficiais e dos Empregados dos Correios, Telégrafos e Telefones. Terá sido assim que o Oficial de Telegrafia – Cristiano Augusto Bramão, concebeu equipamentos, lançou ideias e outros aproveitaram-se das mesmas.

O sistema integrado de Rysselberghe, também permitia o envio da telegrafia e da telefonia pela mesma linha. Contudo, e dadas as facilidades de comunicação pelo sistema Rysselberghe e com economia de meios – por que motivo não foi este equipamento implementado em 1888/1889 antecipando, assim, em 16 anos, as comunicações telefónicas entre as duas cidades?

A resposta, podemos encontrá-la, senão no todo, pelo menos em parte, na explanação do mesmo artigo in Novidades, 13 Julho 1893:

«Por vezes, porém, a percepção auditiva diminuia e tornava-se confusa. Este inconveniente resultava, exclusivamente, da má collocação da linha. Tinham-se servido dos postes onde estavam assentes os fios telegraphicos, de maneira que umas vezes, porque a linha telephonica tocava n`estes, outras porque não estava sufficientemente defendida das arvores proximas, que a fustigavam com os ramos impellidos pelo vento, succedia haver uma inducção, e desvio de corrente, que prejudicava a clareza do som transmitido».

        Deste modo, a telefonia interurbana foi protelada e as duas redes telefónicas públicas, já existentes isoladamente em 1882, em Lisboa e no Porto, continuaram incomunicáveis entre si, isto é, não havia ligação entre os telefones de Lisboa com os do Porto.

Organização e Regulamentação

A linha Lisboa – Porto visava também o alargamento a outras cidades do país. Para isso foi criada uma nova entidade pública de comunicações – os CTT – Correios Telégrafos e Telefones:

«O ano de 1901, rico de iniciativas por parte da Direcção Geral dos Correios e Telégrafos, viu começarem-se os estudos para o estabelecimento das redes telefónicas do estado nas cidades de Braga, Coimbra, Porto e Lisboa, e da ligação entre si das quatro cidades. Coube ao Conselheiro Paulo Benjamim Cabral, Inspector-Geral dos Telégrafos, auxiliado [… pelos técnicos portugueses] a tarefa de elaborar um plano de trabalhos que, apesar dos escassos recursos materiais de que dispunham, se executou no decorrer de menos de três anos» (Ferreira, 1955, p.44).

        Houve entretanto vários conflitos entre entidades. Daí a intervenção do poder governamental e legislativo:

«É, outrossim, prohibido ás municipalidades e outras corporações administrativas: Intervir, directamente ou indirectamente na exploração das redes telephonicas pertencentes a emprezas legalmente estabelecidas»  (Art.º 21, Dec. Lei, 24 Dezembro 1901).

O corpo legislativo e a intervenção do Governo

        Além da experiência do Telégrafo, foi necessário criar regulamentação que pusesse cobro aos desmandos de alguns representantes do poder local:

«A pirronice da camara do Porto tem tambem como resultado prejudicar fundamentalmente os subscriptores d`aquella cidade que continuarão a ser mal servidos, como actualmente […]. Ao que nos consta, o ministerio das obras publicas deu participação das ocorrencias ao ministerio do reino e este mandou informar o respectivo governador civil»  (Novidades, 8 Abril 1904).

Em relação aos “amigos do alheio” já no início do século XIX temos apresentação de várias queixas

«Conseguiram aquelles agentes saber que o roubo foi praticado por tres individuos, que ao cair da tarde d`um dos ultimos dias do mês passado foram vistos a enrolar o fio e a escondel-o sob um varino. Mas a pessoa que isto vio não quis approximar-se dos larapios com receio d`alguma agressão. […] Houve denuncia de que um negociante de ferro velho, residente em Albergaria-a-Velha tinha comprado grande porção de arame de bronze que devia fazer parte do roubo»

(O Primeiro de Janeiro, 13 Abril 1904).

Face à situação de furtos, avarias e manutenção, criam-se regulamentos e legislação

«O governo fez com a Companhia dos Telephones um contracto, que levou ás camaras, e foi convertido em lei, do qual resulta os serviços telephonicos em Portugal serem montados por maneira a excederem, pelo aproveitamento dos mais modernos aparelhos, até os que se encontram nas redes das principaes cidades da Europa. Estabeleceo n`essa lei, que tudo isso seria fiscalizado e aprovado pela repartição dos telegraphos e industrias electricas» (Novidades, 8 Abril 1904);

«O estabelecimento das linhas de ligação entre as estações terminaes do Estado, em Lisboa e Porto, e as respectivas estações centraes telephonicas da companhia [The Anglo Portuguese Telephone Company] fica ao cargo do Governo.

A companhia tem por seu lado obrigação não só de estabelecer nestas ultimas estações centraes os aparelhos de ligação com as linhas dos subscritores, como a executar gratuitamente o serviço combinado»

(Regulamento, Artº 2º ; Decreto 10 Março 1904).

Renovação do Equipamento e Novas Estéticas

Relativamente à renovação do equipamento, apresenta-se aqui um dos modelos de telefone mais avançados da época, quer em termos de design, quer de tecnologia.

Com a transição do século XIX para o XX, a nova estética impulsionada pela corrente modernista e uma nova exigência, técnica e funcional (telefones de mesa, mais práticos do que os telefones de parede) motivaram a introdução deste modelo, um dos que mais tempo permaneceu em função, em Portugal, chegando até aos anos cinquenta do século XX.

Mecânicos / Guarda-Fios

Aos incansáveis Mecânicos/Guarda-Fios couberam tarefas especiais nesta fase de arranque da telefonia de “longa distância”. O Regulamento do Estabelecimento e Conservação das Linhas e Estações Telegraphicas e Telephonicas do Estado, aprovado por decreto de 28 Junho 1902, consagra 53 artigos aos deveres, funções e ética profissional destes Técnicos.

Destaca-se aqui, apenas alguns aspetos para a caracterização desta difícil, mas importante atividade para o exercício de um serviço público. Os Guarda-fios percorriam distâncias intermináveis de paisagens e fios, por entre serras, vales e localidades.

«Para a vigilancia, policia e reparação das linhas do Estado, serão estas divididas em cantões e sub-secções. Esta divisão será feita pela Direcção Geral dos Correios e Telegraphos […]. Cada chefe de guarda-fios terá a seu cargo um certo numero de sub-secções, devendo haver, pelo menos, um chefe em cada districto administrativo […] (Artº. 31.º).

Os cabos de guarda-fios serão escolhidos entre os guarda-fios que saibam ler e escrever e se tenham distinguido pelo seu zêlo, bom comportamento e aptidão […]. Aos guardas e cabos de guarda-fios não é permitido ter estabelecimento de venda no seu cantão ou secção […] (Art.º 34.º).

«Os guarda-fios qualquer que seja a sua categoria, antes de entrarem ao serviço, devem apresentar as suas nomeações aos juizes de direito das comarcas onde servirem, que lhes deferirão juramento de bem e fielmente cumprirem os deveres dos seus cargos […] (artº 36º).

Depois dos grandes temporaes, ventanias e nevadas, os guardas percorrerão e visitarão cuidadosamente os seus cantões em ronda extraordinaria […]. Durante as nevadas os guardas sacudirão os fios para que a accumulação da neve não possa produzir roptura (artº 47º).

Quando sejam feitas avarias ás linhas do estado, quer por malevolência reconhecida, quer por inadvertência, os guardas empregarão todos os esforços para conhecer quem é o responsável por estes factos, lavrando o respectivo auto de noticia (artº 61º).»

Lisboa e o Porto passam, assim, a contar com mais um meio de telecomunicação, rápido e sobretudo mais cómodo. Já não é de todo necessário ir à Estação – ao já muito usado e institucionalizado Telégrafo Eléctrico para comunicar de forma rápida:

«[…] O serviço da estação central diurno e nocturno,  por esta forma podem a qualquer hora communicar os subscriptores entre si e com theatros, hoteis, postos-medicos, caminhos de ferro, companhias de carruagens, hospitaes, policia, bombeiros municipaes e voluntarios,  etc. […]» (Novidades, 6 Abril 1904).

Imagem nº 5. Comutador telefónico com chaves (manípulos) e cavilhas para 50 postos e 10 conversações simultâneas. Também conhecido por Central Telefónica Manual e por “Máquina de Costura” pela semelhança do design na parte inferior. Dimensões da peça, aprox.: 150x60x65

A telefonia manual (não automática) caracteriza-se pela ligação entre os diferentes utilizadores, através de comutadores locais e/ou centrais de comutação. A interligação de um utilizador chamador, com outro utilizador chamado e seus respetivos telefones, tem a intervenção de uma/um Telefonista em cada Posto e/ou Central de Comutação, por onde passa o circuito telefónico.

Em relação à primeira comunicação documentada da linha, entre o Porto e Lisboa, recolhemos a seguinte informação:

«[…] Não havendo a menor difficuldade nem embaraço na emissão do som, e dando as experiências o melhor resultado […]» foi efectuada uma ligação particular entre um assinante de referência – o Jornal de Notícias, Telefone Nº 314 da rede do Porto, com a Estação Telefónica Central de Lisboa (Jornal de Notícias, 24 Fevereiro 1904 e 25 Fevereiro 2004).

Esta comunicação foi realizada no dia 24 de Fevereiro de 1904. Preparou e antecipou, cerca de mês e meio, a inauguração oficial, que viria a ocorrer no dia 11 de Abril do mesmo ano.

Assim se concluiu – depois de tantos trabalhos, experiências e uma vontade inabalável dos técnicos, maioritariamente portugueses, a abertura oficial, entre as redes de LISBOA e do PORTO.

Tags: História das telecomunicações em Portugal, História do telefone entre Lisboa e o Porto

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Imagens:

-Nºs 1 a 3, provenientes de coleção de calendários sobre peças de telecomunicações, 1985;

-Nº 4, Aguarela de Luís Jardim Portela, 1962. Edição dos CTT;

-Nº 5, Iconografia in CDI do Museu dos CTT/Fundação Portuguesa das Comunicações.

 Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – «Allô Lisboa». Lisboa: Fundação Portuguesa das Comunicações, 1, ano VII, II série, 2004, pp. 36-45

– ANCIÃES, Alfredo; JANEIRA, Ana Luísa et all. – “Quando os Objectos Falam das Telecomunicações”. O Mundo das Colecções dos Nossos Encantos. Lisboa: CICTSUL UL, 2004.

-BARROS, Guilhermino Augusto de; FERREIRA Godofredo – Memória Histórica Acerca da Telegrafia Eléctrica em Portugal, 2ª ed. ampliada com notas gravuras e retratos. Lisboa: CTT, 1943

CTT – Museu dos Correios e Telecomunicações de Portugal – Algumas Datas para a História do Telefone em Portugal. Lisboa: Trama. Artes Gráficas, 1976

CTT / TLP – Bramão e Outros Inventores Portugueses no Museu dos CTT / TLP: Exposição Comemorativa do 1º Centenário do Telefone Bramão 1879-1979. Lisboa: Edição dos CTT / TLP ; Nova Lisboa Gráfica, Ldª, 1979

FERREIRA, Godofredo – Coisas e Loisas do Correio. Ligeiros Apontamentos Coligidos por Godofredo Ferreira. Lisboa: CTT, 1955

-GAFF, Jackie; NETTO, Filipe (trad.) – Século XX. Arte 1900-10. Novos Modos de Ver a História da Arte Moderna. Londres: David West Childrens`s Books, 2000

Legislação:

– Decreto-Lei de 24 Dezembro 1901

Regulamento do Estabelecimento e Conservação das Linhas e Estações Telegraphicas e Telephonicas  do Estado. Aprovado por Decreto de 28 de Junho de 1902 / Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria. Inspecção Geral dos Telegraphos e Industrias Electricas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1902

Regulamento do Serviço  da Linha Telephonica de Lisboa ao Porto. Aprovado por Decreto de 10 de Março de 1904 / Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria: Inspecção Geral dos Telegraphos e Industrias Eléctricas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904

Regulamento do Serviço das Redes Telephonicas do Estado. Aprovado por Decreto de 17 de Dezembro de 1904 / Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria. Inspecção Geral dos Telegraphos e Industrias Electricas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904

Notícias em periódicos:

–    O Comércio do Porto, Abril 1904

–    Diário de Notícias, Abril 1904

–    Jornal de Notícias, Fevereiro e Abril 1904

–    Novidades, Julho de 1893 e Abril de 1904

–    O Primeiro de Janeiro, Abril 1904

–    O Século, Março e Abril 1904.

–    Revista de Obras Públicas e Minas, 1879

MIL ANOS DE LUZ

25 Set

MIL ANOS DE LUZ

Sempre gostei de eventos baseados em números redondos e quanto mais antigos mais fascínio e respeito me sugerem. Este ano de 2015, representa, note-se bem, o milésimo ano em que o árabe Ibn al-Haytham escreveu um tratado em sete volumes sobre a ótica e a luz. E não esgotou, de forma alguma, o tema. Nos tempos atuais em que as comunidades árabes e islâmicas são vistas, por muitos, de soslaio, conviria distinguir o trigo do joio, olhar para os bons exemplos e para o período clássico da civilização árabe com respeito. Observar o outro pelo lado da confiança, já é como que uma iluminação da alma, um modo para início da convivência.

Considera-se aqui a luz nas perspetivas: tecnológica, económica, cultural e religiosa. Dois exemplos da perspetiva religiosa: A luz apareceu durante 30 dias a Pedro (ou Pêro) Martins, de Carnide (1). Terá sido um sonho continuado, alucinação e/ou realidade do foro da crença religiosa. Uma senhora resplandecente apareceu igualmente aos pastorinhos de Fátima, onde também ocorreu o milagre coletivo do sol (=luz). Estes fenómenos mostram que a luz não tem apenas mera importância técnica e económica.

Quando Camões recorre ao pleonasmo, «vi, claramente visto, o lume vivo […] (2)» está a dar importância à luz e à visão renascentista que transcendem os acontecimentos e as vivências do dia-a-dia.

Os fogos de santelmo relatados por Camões parecem provir de descargas elétricas  da atmosfera sobre os mastros dos navios. Sendo, porém, um fenómeno natural, a luz parece transcender a utilidade prática da iluminação e do crescimento dos seres vivos.

Também não terá sido por acaso que a seguir ao caos, a referência bíblica, logo a seguir à criação dos céus e da terra foi «Faça-se a luz […] (Génesis 1,3).

Portugal foi um dos países que cedo utilizaram e inovaram as comunicações visuais ampliadas com instrumentos de ótica, desde o início do século XIX, decaindo a sua utilização a partir de meados do século com a introdução das telegrafias elétricas; contudo, quer seja com telegrafias visuais, óticas ou elétricas, comunicações telefónicas, transmissão de dados, utilizamos sempre a luz, natural ou de corrente elétrica.

Sem luz não haveria a maior parte, senão todos, os géneros de vida que conhecemos. A começar pela luz do sol e das estrelas que nos proporcionam o aquecimento, a luminosidade, a transmissão de fotões e de ondas necessárias ao desenvolvimento físico e comunicacional. “O sol [como quem diz a luz] quando nasce é [ou deveria ser] para todos”.

Se a luz natural ou artificial nos chegar fraca ou obscurecida, o que acontece devido a atentados, guerras e poluições; a qualidade de vida e a própria vida ficam em risco. São exemplos: as explosões, os incêndios e a utilização excessiva de equipamentos poluentes da atmosfera. O aproveitamento da luz do sol como gerador elétrico pode evitar as energias poluentes e não renováveis.

Com a introdução dos novos condutores e equipamentos, a luz e as tecnologias de transmissão e comunicação são largamente utilizadas, desde os cabos de fibra ótica, até à receção em ecrãs, plasmas, monitores, visores, onde os fotões e eletrões são captados.

As tecnologias baseadas na luz, evocadas no Ano Internacional 2015, são imensas e aplicadas na geração, transporte e acumulação de energia que é, também, fonte de luz. Existe uma miríade de equipamentos e acessórios relacionados com a luz, força motriz, iluminação, comunicação, captação de fotos, radiografias, raios X e ressonâncias eletromagnéticas, entre outros.

As telegrafias aéreas ou visuais com os instrumentos de ótica começaram o seu percurso nos finais do século XVIII. Porém, quando são inventadas as telegrafias elétricas, a luz (transmissão de fotões e eletrões) não deixa de estar presente, antes reforça a sua presença, através de fios e cabos, ou através do espaço radioelétrico.

Com tudo isto, não deixa de ser enigmático mesmo à luz dos conhecimentos de hoje, a quantidade de informação e velocidades conduzidas pela fibra ótica.

A sigla «AIL2015 [ou em inglês] IYL2015» já não nos deveria ser estranha neste final de ano 2015. Contudo a escassa divulgação não tem correspondido à importância do evento. A UNESCO fez o seu papel, não esqueceu o tema, considerando-o da maior relevância, por isso, com a devida antecedência, em 20 de dezembro de 2013 na 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias Baseadas em Luz (International Year of Light and Light-based Technologies – IYL 2015 (3).

Foi com muito agrado que vimos a informação de que o Museu dos CTT de Macau (criado ainda pela administração portuguesa) aderiu ao programa de divulgação/exposição do Ano Internacional da Luz e das Tecnologias Baseadas em Luz. O Museu dos CTT de Macau está de parabéns. Por aqui, pela Europa e pela lusofonia, a luz, nas suas várias interpretações, parece andar algo arredada da imprensa, arquivos, bibliotecas e museus.

Que a luz e as suas tecnologias passem a ser objeto de maior atenção, como setor promissor para o futuro da humanidade. Com o ensejo de que as comemorações e as aplicações práticas do Ano Internacional se prolonguem para lá de dezembro de 2015 e que apostem no futuro.

Tags: Ano internacional da luz, cultura da luz, cabo de fibra ótica, ótica na medicina, ótica na exploração do espaço, ótica nas telecomunicações, luz e fé, luz e religião

Notas:

(1)cf. Nossa Senhora da Luz de Carnide – http://www.lendarium.org/narrative/nossa-senhora-da-luz-de-camide/?tag=2225

(2)CAMÕES, Luís de – Os Lusíadas, Canto V:18,1

(3)Cf. http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/prizes-and-celebrations/2015-international-year-of-light/

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos –  alma e luz de carnide – Lisboa: Apenas Livros, 2013

-ARAÚJO, António de Sousa – O Santuário da Luz – glória de  Carnide. Braga: Livraia Editora Pax Ldª, 1977;

Em linha, acedidos em 23.9.2015

ANCIÃES, Alfredo Ramos – A Telegrafia não-elétrica e o luso contributo de Francisco António Ciera – http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/30-a-telegrafia-tradicional-n-o-el-trica-e-o-luso-contributo-de

ARAÚJO, António de Sousa ; FRAZÃO, Fernanda – Nossa Senhora da Luz, de Carnide –  http://www.lendarium.org/narrative/nossa-senhora-da-luz-de-camide/?tag=2225

-Books of Optics – https://en.wikipedia.org/wiki/Book_of_Optics

-Ibn Al-Haytham and the Legacy of Arabic Optics – http://www.light2015.org/Home/ScienceStories/1000-Years-of-Arabic-Optics.html

-Ibn al-Haytham / Kitab Al-Manazir –  http://islamicencyclopedia.org/public/index/topicDetail/id/566

Imagens de   – https://www.google.pt/search?q=o+que+%C3%A9+Kitab+al-Manazir&biw=1164&bih=741&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0CCgQsARqFQoTCNiv-qmjhMgCFca2FAodqhsGdw&dpr=1.1

-Islam & Science –  http://islam-science.net/book-of-optics-kitab-al-manazir-ibn-al-haytham-3466/

-Museu das Comunicações: Correios de Macau – http://macao.communications.museum/por/main.html

-Sobre o Ano Internacional da Luz 2015 http://ail2015.org/index.php/ail2015/

-UNESCO – Representação da Unesco no Brasil: Ano Internacional da Luz –http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/prizes-and-celebrations/2015-international-year-of-light/

52.ALÔ CARNIDE ALÔ LISBOA: APROVEITE AS FESTAS E FEIRA TRADICIONAL DE NOSSA SENHORA DA LUZ

8 Set

Carnide é uma freguesia do concelho de Lisboa, situada a noroeste da capital, junto a Benfica, S. Domingos e Lumiar. Outrora considerada termo da capital e com ela relacionada como zona agrícola de quintas, palácios e conventos.

Animação no Largo da Luz, setembro de 2015

Parte de antigas funções cessaram mas podem ainda ser sentidas a partir das azinhagas, quintas, celeiros arqueológicos, igrejas, casario tradicional, exibições de marchas, folclore e teatro.

O nome de Carnide vem, possivelmente, do Celta(1). Segundo os estudos do professor Luís Ribeiro Soares em História das Mentalidades do Pré-clássico à Idade Média, antes da Idade de Cristo já havia uma zona da Europa chamada Estrímnia ou Oestriminis (do grego = extremo oeste), referida por Estrabão, geógrafo, historiador e filósofo turco de ascendência grega.

Imagem na Igreja de Nossa Senhora sobre o 550 aniversário do milagre da luz

Na Estrímnia foram detetadas culturas diversas, mas com pontos comuns, entre as faixas que envolviam territórios da zona mediterrânica e atlântica, nomeadamente a Península Ibérica, Bretanha Francesa, Grã-Bretanha e Ibérnia, atual Irlanda (SOARES: 1984/1985). Nestas faixas de influência marítima desabrocharam culturas celtóides. Estas culturas revelam-se, também, em Carnide, Lumiar e Odivelas onde existe uma coroa de referências pagãs comuns (MORAIS: 2011) prosseguidas e em parte modificadas pela religião, ou religiões: dos Templários, Espírito Santo, Ordem de Cristo/Catolicismo e Maçonaria.

Nesta faixa territorial a noroeste de Lisboa existe ainda a Igreja de São João do Lumiar (ligada ao culto dos Templários) e de Santa Brígida que se presume de origem celta, também associada ao fogo e à luz (há quem diga que era uma deusa) cujas marcas permanecem na arquitetura e nas relíquias devocionais da igreja.

Em Carnide, no Largo da Luz, desenvolveu-se um centro religioso e uma feira que prevalece na atualidade, durante o mês de Setembro, com diversos produtos, desde: louças variadas (a preços incríveis), vestuário, utilitários para casa, ferramentas, animação e restauração.

A boa cozinha, desde o largo da Luz, estende-se a diversos restaurantes no Centro Histórico, onde servem: O Naco na Pedra e a picanha, o cabritinho, as migas alentejanas, a posta mirandesa, polvo, besugos, mexilhões, bacalhau, cherne e pargo. Para sobremesa, o folhado de Carnide, sericaia, pudim abade de priscos, doce de abóbora, entre vários outros pratos.

Aproveite para rever, no casco histórico, várias imagens que serviram de cenário à novela “Poderosas”. O sucesso desta novela deve-se também aos pormenores captados em Carnide.

Interior da Igreja da Luz

A nível de assistência religiosa pode encontrar aconchego em vários locais, nomeadamente nas Igrejas: de Nossa Senhora da Luz, Antigo Seminário da Luz ou dos Franciscanos, São Lourenço, Nossa Senhora de Fátima (Bairro Padre Cruz) e nas Capelas de: Santa Teresa – Confraria de S. Vicente de Paulo, Nossa Senhora das Descobertas (Centro Comercial Colombo), Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs do Bom Pastor e Hospital da Luz.

No mês de Setembro pode visitar a fonte antiga e ex-ermida que estão sob a atual Igreja, por sua vez associadas à lenda, ou milagre de Pedro Martins. Se necessitar peça informações na sacristia. Durante cerca de um mês, Pedro Martins, que fora aprisionado, possivelmente por piratas na costa algarvia, ou marroquina, teve visões de uma Senhora resplandecente de luz, a partir do cárcere em Marrocos. A Senhora disse a Pedro Martins que o libertaria das amarras e o faria chegar a Carnide onde deveria procurar no bosque, hoje Largo da Luz, uma imagem.

Rezam as crónicas que o vidente chegou milagrosamente a Carnide e procurou logo, em 1464, construir a ermida pedida pela Senhora, para acolher a imagem que se encontrava escondida, junto à fonte.

Lago no Largo da Luz envolvido pela festa e feira

O episódio de Nossa Senhora da Luz e do milagre foi primeiro relatado por Frei Roque do Soveral (natural de Sernancelhe / Terras do Demo) em 1610. Desde 1464 as memórias correram de boca em boca paralelamente ao desenvolvimento do culto. Seguiu-se a construção de um novo complexo religioso e de assistência aos pobres. Trata-se do santuário de Nossa Senhora da Luz – Infanta D. Maria, com Hospital (hoje Colégio Militar) cuja primeira pedra foi lançada em 1575. A conclusão ocorreu em 1610.

Consta que no corpo central da igreja existiam figuras alusivas ao cidadão e vidente Pedro Martins com as algemas que trouxera do cárcere. Infelizmente o grande terramoto de 1755 destruiu esta iconografia, bem como grande parte do templo. Este templo acabou por ser reconstruído, mas apenas na parte da capela-mor e do transepto. Contudo, restam várias pinturas em estilo moderno/maneirista, incluindo o painel central do retábulo-mor, onde figura Pedro Martins.

Imagem da fonte interior da ex-ermida sob a atual Igreja de Nossa Senhora da Luz

A estatuária da igreja também merece uma visita, bem como a pintura do lado esquerdo do transepto onde figura o retábulo de São Bento com um retrato de D. Manuel I e da sua filha, Infanta D. Maria, a célebre namorada platónica de Luís Vaz de Camões. Esta infanta que patrocinou o complexo da Luz, também ali se encontra sepultada em campa rasa, conforme à sua vontade.

Há ainda quem recorra a este santuário e fonte para curas de pele e da vista. As visitas a Carnide são muito confortáveis para o corpo e a alma, juntando referências do melhor de dois mundos, o moderno e o tradicional. Setembro é o mês de excelência, não perca uma visita, sobretudo ao Largo da Luz onde se realiza a feira e animação.

Pormenor do vasto painel azulejar de José de Guimarães

Este complexo – Santuário de Nossa Senhora da Luz e Hospital anexo – deu origem ao nome Estádio da Luz, bem como a diversa toponímia no envolvimento. Se o leitor não é do Benfica e não é encarnado, delicie-se com outras cores e outros patrimónios da freguesia, desde o vasto e significativo conjunto azulejar, junto à estação do Metro e Igreja de São Lourenço. Esta banda iconográfica de José de Guimarães é muito representativa da história e do espírito que Carnide sugere, também a partir do próprio significado etimológico da localidade (cf. ANCIÃES: 2013).

Portal da ex-ermida e fonte de Nossa Senhora da Luz

O traçado urbano e de caraterísticas rurais, como as antigas azinhagas, a arquitetura e a tradição têm aqui os seus atrativos. Viu-se recentemente nas gravações para a novela da SIC “Poderosas”; Vê-se nas várias Marchas de Carnide, na festa e na feira de Nossa Senhora da Luz, especialmente durante o mês de Setembro. Carnide espera por si.

Tags: Carnide, Lumiar, Odivelas, Marrocos, Pedro Martins, Nossa Senhora da Luz, São João do Lumiar

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(1)O prefixo Car = pedra; lugar onde existe pedra, com a qual se edificaram construções. Há contudo mais explicações para a origem do nome.

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Alma e Luz de Carnide. Lisboa: Apenas Livros, Ldª, 2013

-ARAÚJO, António de Sousa – O Santuáriod a Luz – Glória de Carnide. Braga: Livraria Editora Paz Ldª; Paróquia de Carnide, 1977

-MORAIS, Gabriela – Lisboa Guarda Segredos Milenares: Santa Brígida, Uma Deusa Céltica no Lumiar. Lisboa: Apenas Livros Ldª, 2011

-SOARES, Luís Ribeiro – Anotações de aulas da Disciplina “História das Mentalidades [do pré-clássico à] Idade Média”. Lisboa: Universidade Livre. 1984/1985

-SOVERAL, Frei Roque do – Historia do insigne aparecimento de Nª Srª da Luz e suas obras. Lisboa: 1610

Em linha

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Comunicação da II visita a Carnide Terra da Tentação Luz e Remissão – post1 –  http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/35-comunica-o-da-2-visita-a-carnide-passo-i ;

———— Carnide: Comunicação da II visita com o Grupo de Amigos do Museu das Comunicações – post 2 –  http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/46-46-carnide-comunica-o-da-ii-visita-com-o-grupo-de-amigos-do

-Celtas, Lusitanos e culturas celtóides –http://textosfixes.blogspot.pt/2010/03/lusitanos_22.html

-Estrabão – https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrab%C3%A3o

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hisp%C3%A2nia

-Cenários das Gravações da novela “Poderosas” http://sicblogue.blogs.sapo.pt/as-poderosas-em-gravacoes-com-fotos-2062754

Hispânia (Península Ibérica) – http://espanhaglamour.blogspot.pt/2008/10/hispnia.html

Hispânia Ulterior e Citerior ou o extremo Oeste do Mundo Antigo

-Lusitânia segundo Estrabão – http://malomil.blogspot.pt/2012/11/lusitania-de-estrabao.html

-Pré-Celtas, Celtas ou Oestriminis (“Extreme West”) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Lugar_das_Pedrinhas

-Poderosas Sinopse http://sic.sapo.pt/Programas/poderosas/2015-04-14-Poderosas—Sinopse

-SILVA, Bruno dos Santos – Introdução aos Estudos sobre a Geografia de Estrabão http://www.fflch.usp.br/dh/leir/marenostrum/marenostrum-v1-2010/marenostrum-ano1-vol1-p71-83.pdf

ALÔ PHAROL ALÔ PORTUGAL

9 Ago

Alô Pharol, alô Armando

Que as comunicações a teu mando

Dos Açores até ao Minho

Percorram o bom caminho

Para Portugal valorizar,

Comunicar, quiçá alumiar,

Fazendo jus e glória

A séculos da nossa História.

Desde o interesse da Altice Group onde Armando Pereira tem uma participação de relevo, achei possível e curial a compra e aliança entre capitais, tecnologias e recursos humanos lusos e franceses. Na impossibilidade de recuperarmos a PT para a esfera pública; que ela fique em mãos de países e de gente com proximidades, com a qual mantemos fortes relações económicas e sem complexos históricos de parte a parte, não obstante as guerras peninsulares de inícios do século XIX.

Para lá da relação de confiança entres os dois países, o protagonista Armando Pereira é um homem prático que subiu a pulso, “comeu o pão que o diabo amassou”. Creio que é um amigo da terra natal, de Portugal e de França. Estará interessado em que a ex PT SGPS; agora denominada Pharol SGPS SA, tenha sucesso. Sabemos que as ações da bolsa não têm valorizado. Mas se a situação anterior se mantivesse, cremos que o resultado seria pior. Haja esperança e confiança e os bons resultados poderão aparecer.

Deixo aqui algumas notas históricas sobre os precedentes da Empresa para que o orgulho, no bom sentido, seja de novo exaltado. Vem isto a preceito da nova empresa se chamar PHarol, o que, em certo sentido, é uma visão sobre as origens; visão essa, projetada no futuro, porque, não há futuro sem um bom alicerce no passado.

A História organizada das comunicações, de interesse público, tem origem nos Pharoes (faróis na grafia atual).

O 2º Director-Geral dos Correios e 1º Director-Geral dos Correios, Telegraphos e Pharoes – Guilhermino Augusto de Barros escreve no seu relatório e memória histórica de 1889 que “O seculo XVI, em que a nossa glória de navegadores tocou o apogeu, marca, segundo parece, a epocha provável da iniciação do alumiamento de alguns pontos da costa do continente portuguez”. (1).

Sabemos que o início da atividade documentada dos Faróis, em Portugal, precedeu cerca de quatro anos a entrada dos Correios públicos. “A primeira noticia que temos de pharoes refere-se a 1515”. BARROS refere como fonte a “Chronologia da Piedade” por fr. Manuel de Monforte, pág. 194 a 197, 200, 201 a 214: “Parece que o primeiro pharol da costa de Portugal foi construído no Cabo de S. Vicente. D. Fernando Coutinho, bispo do Algarve, levado, talvez, d`estes impulsos de humanidade, mandou construir uma torre de pharol no convento de S. Vicente ao cabo do mesmo nome […]” (2).

Por esta altura os Faróis ainda eram rudimentares, não possuíam lentes de aumento e o alumiamento não era elétrico. Funcionavam com combustíveis tradicionais: lenha, cebo e azeite. Mas foi o início de uma atividade que nunca mais cessou e também do ponto de vista tecnológico. Em princípio, eram as irmandades que se ocupavam dos Faróis, por questões de humanidade, para evitar naufrágios e acidentes.

Em fase posterior são entregues à Marinha portuguesa. Depois passam para os Correios Telegraphos e Pharoes; novamente para a Marinha e, um dia, no futuro, quem sabe se não serão geridos pela atividade privada, tal como acontece com os correios e as telecomunicações, cujas atividades eram estatais. Contudo, a convicção e tradição era de que os correios e telecomunicações nunca poderiam passar para a esfera privada por constituírem um poder e também um perigo para a inviolabilidade das correspondências.

Em 1520, D. Manuel cria o ofício de Correio-mor. Em 1525 o cargo é ocupado, já no reinado de D. João III. Por razões de falta de dinheiros públicos, tal como na atualidade, este ofício foi privatizado e vendido por Filipe II em 1606 ao Correio-Mor Luís Gomes da Matta, a título hereditário. Luís Gomes da Matta era de família de origem judia com imensa riqueza. Esta família vem de Espanha, onde utilizava o apelido de Coronel. Terá sido expulsa de Espanha pelos reis católicos. Com a mudança de identidade vemos, pois, a comunidade judia a mudar de nomes adotando, frequentemente, termos e nomes relativos à Natureza. É o caso de Matta, Pereira, etc. (cf. PT.Chabad.Org). Porém, em:

-1797. O poder régio vem reivindicar, novamente, os negócios e o controlo das comunicações. É já com D. Maria I que o Estado expropria o Ofício do Correio, através de Alvará régio, a Manuel José da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho indemnizando o proprietário. É então que o Correio passa para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Vem isto, também, a propósito da gestão dos faróis, hoje à responsabilidade da Marinha Portuguesa. E pomos a questão: Quem sabe se, um dia, a administração, gestão e, quiçá, o equipamento não serão vendidos aos empresários da PHArol, ou outros concorrentes; especialmente quando a Marinha Portuguesa tiver de patrulhar com eficácia e eficiência a costa e o imenso mar que o novo mapa português nos atribui com uma das maiores áreas e recursos a nível mundial?

-1798. Um novo Alvará regula os Correios Marítimos para o território do Brasil, bem como os transportes: Diligências postais e passageiros entre Lisboa e Coimbra.

-1809. É introduzida a telegrafia visual, também dita óptica, na sequência da Guerra Peninsular. É ainda a Marinha que funciona com este equipamento, auxiliada pelas forças inglesas, por via das invasões francesas.

-1821. Tem início o Correio Marítimo, entre Portugal Continental, Madeira e Açores.

  1. São iniciadas as Reais Diligências da Posta, entre Aldeia Galega (Montijo) e Badajoz com vista às comunicações postais com Espanha.

-1832. O Telégrafo visual é instalado nos Açores, na sequência do estacionamento do Exército Liberal.

  1. Realiza-se uma Convenção Postal entre Portugal e França.

-1850. Convenção Postal entre Portugal e Espanha.

-1852. É criada a Direcção Geral de Correios e Postas do Reino no novo Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, presidido por António Maria Fontes Pereira de Melo.

-1855. Têm início as carreiras da Malaposta para correio e passageiros; primeiro entre Lisboa e Coimbra, estendendo-se depois até ao Porto. Neste mesmo ano tem início a Telegrafia Elétrica.

-1863. Começam a circular as ambulâncias ferroviárias postais de transporte, organização e entrega de malas de correio.

-1870. Têm início as primeiras mensagens por Cabo Telegráfico Submarino entre Portugal (Carcavelos) e Inglaterra (Porthcurno)

-1874. É Criada a União Postal Universal em Berna/Suíça para regular a atividade postal entre os países.

-1879. Estabelecem-se as primeiras conversações telefónicas com telefones portugueses, entre Lisboa, Bom Sucesso, Barreiro e Setúbal sobre as linhas telegráficas, únicas vias de telecomunicações elétricas existentes na altura.

  1. Dá-se a fusão das Direcções Gerais: Correios e Telégrafos/Faróis, sob a dependência do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.

-1882. Os telefones precursores, então existentes, ponto a ponto, são integrados nas duas primeiras redes: a de Lisboa e a do Porto, sob a gestão da empresa concessionária – The Edison Gower Bell Telephone of Europe. Começa também a funcionar o primeiro locutório, denominado Estação Garret na casa Havaneza, ao Chiado.

-1887. A The Edison Gower Bell Telephone of Europe de Londres a funcionar em Lisboa e no Porto é adquirida pela The Anglo-Portuguese Telephone Company. Começa então a “nacionalização” das telecomunicações, embora o termo nacionalização seja algo forte para a altura.

-1911. Com a mudança de regime – monárquico para o republicano fazem-se reformas. Cria-se a Administração-geral dos Correios e Telégrafos (AGCT). Ao mesmo tempo dá-se-lhe autonomia administrativa e financeira. É a primeira vez que surge esta sigla, passando a representar a atividade de Correios, Telégrafos e Fiscalização das Indústrias Eléctricas. O telefone ainda não é referenciado na sigla, embora a exploração das primeiras redes date de 1882.

-1925.Constituição da CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi para fazer face à necessidade de comunicar entre o disperso Império português e comunicações internacionais.

-1936. É a vez da Madeira a operar com a telegrafia visual.

-1937. Surge a sigla CTT – Correios Telégrafos e Telefones e durante várias décadas chama-se, abreviadamente, CTF`s às Estações dos CTT que desempenham serviços de correio, telégrafo e telefone.

-1966. A Marconi em Portugal torna-se efetivamente em CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi através da nacionalização de 51% do capital.

1967. A APT – Anglo Portuguese Telephone dá origem aos TLP – Telefones de Lisboa e Porto, tornando-se a Companhia efetivamente nacional através do resgate efetuado pelo Estado português.

-1969. A Administração Geral dos CTT transformam-se em – CTT EP – Empresa Pública de Correios e Telecomunicações de Portugal.

-1983. Criação da Telepac para comutação e transmissão de dados.

-1987. No centro histórico de Carnide é instalada a primeira estação de comutação digital dos TLP.

-1989. Os TLP – Telefones de Lisboa e Porto transformam-se em TLP – Telefones de Lisboa e Porto, SA – Sociedade Anónima;

-1989. As estações centrais dos CTT e TLP incluem a tecnologia para o serviço de Telebip (telemensagens) parecendo, na altura, uma tecnologia e serviço a ser expandido mas que a introdução dos operadores móveis TMN e Telecel, apenas dois anos após, vêm “determinar” o declínio da Telemensagem/Telebip

-1991. O Estado português licencia A TMN – Telefones Móveis Nacionais e a congénere Telecel para exploração dos serviços GSM (Global System for Mobile Telecomunications)

-1992. A TMN inicia os seus serviços de telefonia móvel (GSM).

-1992. Cria-se: A Sociedade Gestora de Participações Sociais do sector empresarial do Estado, denominada Comunicações Nacionais, SA;

Os CTT – Empresa Pública; e Comunicações Nacionais, SA dão origem aos CTT – SA e Telecom Portugal SA, passando a existir duas empresas por cisão dos serviços CTT.

-1993. Início da TV Cabo na Madeira e Açores.

-1994. Fusão das empresas Telecom Portugal SA, Telefones de Lisboa e Porto, SA e Teledifusora de Portugal SA, resultando na empresa Portugal Telecom, SA. Começa a funcionar a TV Cabo;

-1994. Dá-se a fusão das empresas Telecom Portugal, SA com os TLP – Telefones de Lisboa e Porto, S.A., com a Teledifusora de Portugal, SA na única denominação de Portugal Telecom, SA;

-1994. Disponibilização do serviço Internet pela Telepac;

-1995. O portal Sapo – Serviço de Apontadores Portugueses é fundado na Universidade de Aveiro.

-1995-2000. A Portugal Telecom é privatizada em 5 fases.

-2007. Surge na Portugal Telecom o projeto MEO para os produtos: Televisão, internet, telefonia fixa e telemóvel.

-2008. A MEO entra ao serviço através do sistema IPTV (internet protocol television) em cabos de cobre.

-2009. A Meo opera pelo sistema FTTH (fiber-to-the-home) em cabos de fibra ótica.

-2014. A PT SGPS e a Oi acordam sobre um Memorando de Entendimento para a constituição dum Grupo de dimensão internacional. Mas eis que surge a crise e a problemática financeira ligada à Rioforte – sociedade de investimentos do Grupo Espírito Santo envolvida com a PT SGPS e a Oi, o que faz abortar os projetos de Telecomunicações entre o Brasil e Portugal

-2014/2015. Acabam as empresas/marcas PT Comunicações e a TMN com o nascimento da MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia.

-2015. A Portugal Telecom/PT Portugal funde a PT Comunicações com a MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, resultando na designação de MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA;

-2015. A PT Portugal torna-se numa subsidiária da Altice Group. Em Portugal surge com o nome de PHarol, sendo Armando Pereira, o Presidente do Conselho de Administração, natural de Guilhofrei, concelho de Vieira do Minho e detentor de cerca de 30% do Grupo Altice.

Em conclusão, verifica-se através da mini cronologia aqui apresentada que a empresa de telecomunicações PHarol tem importantes antecedentes históricos. Primeiro os serviços eram explorados pelo Estado; depois por Empresas públicas, SA e por SGPS.

Armando Pereira não saberá de telecomunicações mas tudo parece indicar que tem bom senso no difícil contexto que tem pela frente. É um homem da Europa, português e francês por adoção. Esperamos que a Altice Group e a PHarol desenvolvam prestígio, tecnologias e negócios, fazendo jus à longa história das comunicações de Portugal.

Notas:

(1) BARROS: 1889, p.13

(2) Ibid, p.14

Tags: CTT, Correios, História, Pharol, Portugal-Telecom, PT, PT-Portugal, Telecomunicações

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo. “Allô Lisboa”. Lisboa: FPC Códice Ano VII Série II, 2004, págs 36-45.

-ANCIÃES, Alfredo; SALDANHA, Júlia, VARÃO, Isabel, et al. – Cronologia Postal e de Telecomunicações. Lisboa: CDI, Património Postal e de Telecomunicações da Fundação Portuguesa das Comunicações, 1990`s-2010.

-ALMEIDA, Joel; ANCIÃES, Alfredo; CORDEIRO, Ricardo; MOUTA, Margarida; SALDANHA, Júlia, SANTOS, Alva; VARÃO, Isabel, WEBER, Cristina – Comunicar na República. 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: Dupladesign; Fundação Portuguesa das Comunicações, [2010].

-BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório do Director Geral dos Correios, Telegraphos e Semaphoros relativo ao anno de 1889 precedido pela continuação da História dos Correios até ao fim de 1888 e de uma memoria historica acerca da telegrafia visual, electrica, terrestre, maritima, telephonica e semaphorica, desde o seu estabelecimento em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1891.- Título do livro / relatório com 201 páginas, reeditado, composto e impresso por: G7 – Artes Gráficas, Ldª. Lisboa, 1992.

-BARROS, Guilhermino Augusto de; Direcção Geral dos Correios – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 precedido de uma memoria historica relativa aos correios portuguezes desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Lallemant Frères, Typ. Fornecedores da Casa de Bragança, 1879.

Em linha:

-A nossa História –

http://www.telecom.pt/InternetResource/PTSite/PT/Canais/SobreaPT/Qu…

-Sobrenomes judaicos – http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1525027/jewish/Sob…

-Anciães, Alfredo – Minhas memórias

http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/37-minhas-mem-rias-e…

-MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA – https://pt.wikipedia.org/wiki/Meo