49. “ALGARVE D`ALÉM MAR” – ANOTAÇÕES DE UMA VIAGEM

5 Ago

Marrocos, tal como Portugal, têm uma localização relativamente privilegiada no novo mundo em globalização. Ambos são países de entrada e de saída, pelo Mediterrâneo e pelo Atlântico.

Outra característica comum aos dois países é revelada pelos traços culturais onde vivem povos com relações históricas que produziram importante miscigenação, para lá dos negócios, guerra, resgates, pirataria e lendas de belas mouras encantadas e encantadoras.

Existem, ainda, muitos traços genéticos em comum entre os dois povos. De igual modo são evidentes as marcas culturais na origem da língua portuguesa. Alguns milhares de vocábulos são provenientes de povos árabes que se mesclaram com mouros/berberes, lusitanos e outros povos originários ou que passaram pela Península Ibérica. (1)

A distância aérea de Lisboa a Casablanca é de apenas 594 km, com voos diretos de cerca de uma hora ou pouco mais. E se considerarmos a distância aérea entre Faro e Marrocos, via Ceuta, podemos alcançar África e vice-versa em apenas duzentos e tais quilómetros, sensivelmente a mesma distância de Lisboa ao Porto.

O percurso também pode ser realizado de carro, tendo apenas de permeio o estreito de Gibraltar. Esperamos que um dia, no presente século, a travessia possa ser feita por rodovia ou ferrovia através de túnel submarino entre a Península Ibérica e África.

Sobre o Guia que acompanhou a família da Associação Beselguense das Terras do Demo e de Magriço:

De nome Jamal, culto, formado em filologia e estudos hispano-árabes, expressando-se muito bem em castelhano, sabendo usar alguns termos em português. Compreendia quase tudo o que dizíamos na lingua lusa. Perguntei-lhe o que achava da situação atual de relações exteriores e dos conflitos entre o mundo árabe e o cristão ou entre o mundo árabe e o dito mundo ocidental, ao que me respondeu:

-“A raiz dos problemas no Próximo e Médio Oriente e em algumas outras partes do mundo, envolvendo extremistas e o Exército Islâmico, está na política americana dos Bushes, em especial do Bush filho. Eles foram-se meter com o Iraque, vindos de longe. Não estavam sequer em causa reivindicações de territórios ou delimitações de fronteiras. Foi uma agressão gratuita ao mundo islâmico. Estamos todos a pagar a fatura dessa política. O nosso Rei e o Povo marroquino não querem aqui disputas destas influências negativas”.

Marrocos e Portugal:

Somos os mais característicos filhos do “Al Andaluz”, que significa o Ocidente ou Península Ibérica, quando o povo de civilização árabe se fixou em parte da Europa do Sul, África do Norte, Península Arábica, Médio Oriente/Ásia Ocidental.

Acrescentei que Marrocos é, do ponto de vista geofísico, mais ocidental que Portugal Continental, temos a mesma hora oficial e uma herança comum de séculos. Utilizamos alguns milhares de vocábulos com a mesma raiz árabe; as mulheres portuguesas usavam, na quase totalidade, até há poucas décadas, um adereço a envolver a cabeça. Atualmente o lenço ainda é uma peça de distinção nos trajes etnográficos. Temos um espólio de lendas mouras de mulheres de encanto e de tesouros escondidos, deixados pelos mouros, mas a tradição considera, ao mesmo tempo, que a descoberta desses tesouros pode envolver maldição.

O distintivo do Estado marroquino apresenta alguns paralelos com o português do Estado Novo. Nós tínhamos como divisa “Deus, Pátria e Família”, aliado a um modelo de Concordata com a Santa Sé. Por seu lado, o povo marroquino tem um modelo centrado em Deus(ALÁ), Pátria e Rei. Não obstante a islamização da sociedade, o Rei é a melhor garantia da paz e relações com o mundo ocidental. Ele preside diretamente ao Ministério de Assuntos Islâmicos, um órgão estatal da maior importância. A tolerância recíproca com povos que respeitam o islão são uma caraterística deste país que soube democratizar o poder com uma revisão pacífica da Constituição em 2011.

“A monarquia é o pilar institucional de Marrocos. O primeiro artigo da Constituição estipula uma legitimidade estabelecida há séculos: «Marrocos é uma monarquia constitucional, democrática e social”» e o lema do país é: «Deus [ALÁ], Pátria e Rei». O rei é o «Comandante dos Crentes», o Comandante dos Fiéis, e na comunidade islâmica tem uma autoridade moral.” (cf. http://blog_real.blogs.sapo.pt/as-monarquias-monarquia-de-marrocos-…).    

No ultimo dia útil em Marrocos o grupo “Associação Beselguense” foi agraciado surpreendentemente com um jantar e muita animação na Casa das Musas/“Chez Ali” de Marraquexe. Envolveu  receção com cavaleiros trajados. Durante a especial refeição, que contou, entre outros atrativos, com o carneiro, couscous – prato de origem berbere/marroquino; vários grupos desfilaram com sons, trajes e cantares.

Cavalos e cavaleiros atuaram na arena, exibindo seus dotes, fazendo-nos lembrar a Arte e o  “Livro  da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela” de D. Duarte que, por sinal, foi Rei de Portugal, do Algarve e Senhor de Ceuta.

As apresentações equestres (agora no campo de amizade) acompanhadas com armas e rajadas de fogo recordaram-nos as lutas de outrora entre a mourama e cristãos.

Durante as viagens e a estadia ocorreram três casos que nos impressionaram:

1-Numa das ruelas da Medina de Fez, plena de vendedores e turistas, fizemos uma compra paga com 50  €uros. Por lapso, deram-nos o troco apenas até cinco euros. Com a confusão de pagar em moeda europeia, e receber a demasia em divisa local, não reparámos no lapso. E não é que o jovem vendedor, ao aperceber-se, passados alguns minutos, “furou” entre a multidão à procura da pessoa que fez a compra, para desfazer o engano e devolver o dinheiro recebido em excesso!

2-Outro conterrâneo deu conta que lhe faltava a carteira onde tinha documentos importantes e algum dinheiro. Após várias buscas descobriram que a carteira não tinha ficado no quarto do hotel. Tinha sim ficado perdida no 4×4 que nos levara até ao deserto de Merzouga-Erfoud. Passado um dia, a carteira foi achada e devolvida ao proprietário que entretanto já se encontrava noutra cidade e hotel a várias centenas de quilómetros.

3-Nos últimos momentos, em subida para o autocarro que nos levaria ao aeroporto de regresso a Lisboa, verificámos a falta de um relógio de estimação. Falámos  com o Guia, que nos deu autorização para voltar à receção e pedir que nos deixasse ir rapidamente ao quarto do hotel. A rececionista atendeu-nos cordialmente e  informou-nos que já haviam ido ao quarto, nada tendo encontrado. Pelo sim pelo não, entregou-nos, delicadamente, um cartão com os contactos do hotel para telefonarmos posteriormente. Eles devolveriam o achado se fosse encontrado. Já em Portugal verificámos que a pulseira do relógio se havia aberto aquando do transporte das malas e caído para dentro de um saco de mão.

Em conclusão: Os objetos perdidos ou esquecidos foram recuperados, contando com a honestidade e amabilidade das pessoas com quem comunicámos.  A história de “Ali Babá e dos 40 ladrões” do mundo árabe e islâmico não parece condizer com o povo que encontrámos. Nada se extraviou e o percurso foi pleno de experiências e conhecimentos.

P.S. Em próximo post abordaremos, em pequenas notas, outros pontos de vista: traje, tradição, animais domésticos, projetos, arte, política, religião, simbologias, relações com Portugal, factos históricos; lenda que deu origem à devoção e ao santuário de Nossa Senhora da Luz de Carnide-Lisboa, expandindo-se por outras partes do mundo, tendo porém, começado em Marrocos.

(1) Atualmente as principais línguas do reino de Marrocos são: o árabe na versão marroquina, aprendido nas escolas. O francês é também estudado e utilizado sobretudo em famílias de estratos populacionais com mais recursos, nos negócios com o exterior e no turismo de origem ocidental. O castelhano, o português (ou portinhol) e o italiano também são bastante escutados nos espaços comerciais e turísticos.

Fontes:

-Al Andalus ou Al-Andaluz  – https://pt.wikipedia.org/wiki/Al-Andalus

-Civilização Árabe – https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=civiliza%C3%A7%C3%A3o+%C3%A1rab…

-História de Marrocos – http://www.marrocos.com/historia/historia-marrocos/; https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Marrocos;

-Marrocos Distância aérea – http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-aerea; entre-lisboa-e-casablanca/AereaHistoria/5433.aspx http://www.adistanciaentre.com/pt/mapa-de-lisboa-para-casablanca/MapaHistoria/5433.aspx; http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-entre-distrito-de-faro-e-ceuta-espanha/DistanciaHistoria/102702.aspx, http://www.adistanciaentre.com/pt/distancia-entre-distrito-de-faro-e-tangier-morocco-via-cadiz/DistanciaHistoria/124271.aspx;

-Marrocos informação localização geografia – http://www.marrocos.com/informacoes/localizacao-geografica/;

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48. COMUNICAÇÕES D`OUTRORA E UMA PERSPETIVA DE FUTURO – O CASO DE J.C.BOSE

11 Jul

Jagadish Chandra Bose (2) nasceu e faleceu na Índia (1858 -1937)

Na época de Bose, a telegrafia elétrica (transmissão da escrita à distância através de fios condutores) já havia sido inventada e implementada. Idem quanto à telefonia tradicional. Contudo, a radiotelegrafia e a radiotelefonia, só nos finais do século XIX/ início do XXº dão sinais de vida. Neste processo, Bose exerceu meritórias ações, as quais nunca será demais destacar.

As investigações de Bose e do físico Édouard Branly (Amiens, 1844 – 1940, Paris) foram quase simultâneas e, provavelmente, independentes uma da outra. Branly foi o primeiro, do ponto de vista do registo de patente com o detetor (dito coesor de Branly), enquanto Bose inventou peça semelhante mas conformou-se com a divulgação no sistema de ensino e no emprego da mesma peça em explosões de pedreiras e também nos sinais em campainhas por via radioelétrica. Bose estava mais interessado na segurança de vidas humanas e na divulgação do conhecimento, através do ensino que ministrava, do que em realizar proventos pela venda de serviços e equipamentos.

A sua genialidade como físico, biofísico, botânico, fisiologista e arqueólogo, foi direcionada para a relação humanista. Altruísta, parece ter descurado o desenvolvimento na vertente das comunicações, deixando o caminho aberto para outros investigadores, tal como veio a acontecer, com a evolução das telecomunicações inclusivamente na Era digital. Bose iniciou a investigação que viria a dar frutos com os semicondutores, base das comunicações modernas/atuais à distância.

Mais interessado pelos fenómenos da vida e desta com o Absoluto (3), Bose privilegia o estudo da relação homem/meio ambiente. Para Bose, a natureza vegetal não é desprovida de sensações de bem-estar, mal-estar; não é indiferente a estímulos. Uma planta pode sentir a presença de bons e maus fluídos e reage a sensações e comunicações.

Tudo parece indicar, que o reino vegetal comunica com o meio, libertando odores e desenvolvendo-se ou retraindo-se no seu crescimento e morte; na frutificação abundante e generosa, ou no definhamento e esterilidade.

Para comprovar os atributos de sensação/reação, felicidade/bem-estar que a sua intuição e espírito lhe sugeriam, Bose inventa um equipamento a que chama crescógrafo (4) permitindo a ampliação, das manifestações reativas/comunicativas do reino vegetal, até cerca de 10.000 vezes

Dada a sua personalidade de polígrafo, Bose dedica-se mais ao ensino dos princípios e fundamentos do que às questões formais e autorais. Filho de um magistrado, estuda em Calcutá, a partir dos 9 anos, onde conclui uma licenciatura. Em 1880 já se encontra em Londres onde segue Medicina, que não conclui devido a ter desenvolvido uma doença de malária. Muda de curso e licencia-se em Física. Entre vários professores encontra Francis Darwin, filho do célebre Charles Darwin.

Regressa a Calcutá onde trabalha cerca de 30 anos. Leciona e investiga no Presidency College e é nas duas últimas décadas do século XIX que realiza várias investigações, entre elas: sobre ondas eletromagnéticas, precedendo Marconi.

Nestes anos consegue fazer explodir uma carga à distância, através do espaço radioelétrico, isto é, sem o uso de fios e faz tocar uma campainha, também sem o recurso de traçados contínuos. Estavam dados os passos essenciais para as radiocomunicações. Em 1896 o Daily Chronicle relata a experiência da sua comunicação à distância, sem fios.

Quase pela mesma altura o russo Alexander Popov, também realiza experiências no sentido de comunicar por via radioelétrica. Mas Popov escreve em 1895 que mantinha a esperança de comunicar, sem fios; logo verifica-se que, neste ano de 1895, ainda não tinha conseguido o seu desiderato. Quanto a Marconi, também só em 1897 consegue resultados aceitáveis e encorajadores.

Bose não teve intenção em manter em segredo a sua investigação. Não o movia o desígnio de criação de empresas e negócios, apenas a divulgação científica entre a população interessada. Mas não faltava quem por interesses pessoais, quiçá egoístas, quisesse apresentar inovações. Ele próprio desabafa com um amigo poeta, e igualmente polígrafo de Calcutá – Rabindranath Tagore, em 1901, sobre o espírito de ganância pelo dinheiro que encontra em obcecados concorrentes.

Bose investiga e trabalha sobre as ondas curtas que estão na base da revolução das comunicações a longas distâncias. Inventa um protótipo de díodo (5) semicondutor de cristais, funcionando como peça transmissora de informação e descobre as micro ondas.

A este respeito estava tão avançado em relação ao seu tempo que o Prémio Nobel de Física de 1977 – Nevill Mott confirma que Bose estava “60 anos avançado em relação à sua época”(6).

Notas:

(1)Proveniência e gentileza da imagem: Royal Institution Jagadish Chandra Bose e, EMERSON, D. T in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/bose/bose.html; es.wikipedia

(2)É interessante o termo bose por estar associado ao “pequeno e discreto” (cf. http://mundodasmarcas.blogspot.pt/2006/05/bose-better-sound-through-research.html, https://pt.wikipedia.org/wiki/Condensado_de_Bose-Einstein). O bosão, por sua vez, ganhou o significado de “a partícula mais pequena de Deus”. O nome Bose parece ter sido inspirado aos seus progenitores. Porém, Bose, originário de um território colonizado tornou-se grande, não só na India, como na Metrópole, G. B., e no Mundo, estando hoje as suas obras, e as que dele falam, traduzidas em cerca de 20 línguas.

(3)A expressão Absoluto é aqui empregu em vez de Deus, Javé e Alá, cujas referências estão ainda ligadas a religiões e culturas diferentes, o mais das vezes em competição ou em guerra declarada

(4)Crescógrafo – substantivo masculino do latim cresco, crescer + grafo, registo, isto é, aparelho amplificador e registador do crescimento das plantas. (cf. Dicio – Dicionário Online português). Diz-nos o guru indiano Paramahansa Yogananda, na sua obra onde se refere a Bose, que este precursor “recebeu o título de Cavaleiro pela Administração Britânica, em 1917, pela invenção do crescógrafo”, entre outros instrumentos. (cf. YOGANANDA: 2007).

(5)Díodos (do grego di e odos = dois caminhos). Trata-se de pequenas peças trabalhando com cristais. Estas pequenas unidades são, hoje em dia, mais conhecidas como semicondutores. Assentam na capacidade variável de conduzir a corrente elétrica. Os cristais foram primeiramente descobertos em 1873-1874 por Frederick Guthrie e Karl Braun. Depois utilizados por Thomas Edison (1880). Pouco tempo após, são aplicados por Édouard Branly e Jagadish Bose, no então chamado coesor de transmissão radioelétrica. A progressão tecnológica continua e são inventadas as válvulas termoiónicas, constituídas essencialmente por um cátodo, um filamento e um ânodo. O aquecimento do filamento faz trabalhar iões e eletrões, bem assim como o encaminhamento de impulsos informativos. Novas evoluções e as válvulas dão lugar aos transístores e atualmente aos circuitos integrados. Porém, a origem da transmissão radioelétrica, baseia-se nos coesores/díodos (duas funções). Também não será por acaso que os sistemas atuais de comunicações se chamam digitais por se basearem na transmissão de zeros e uns. Hoje, como no século XIX, as comunicações são baseadas na dualidade, tal como uma moeda possui duas faces. Para se comunicar são necessárias no mínimo duas pessoas ou uma pessoa e outro ser, seja animal, vegetal e talvez também se possa vir a comunicar com o reino mineral e o espiritual. Seguindo o precursor Bose, parece que a comunicação entre seres de espécies diferentes já está ao alcance da Humanidade mas é como diz uma citação trazida pela cara amiga Lucinda: a comunicação é como “A felicidade [que] bate na porta mas não gira a maçaneta. Quem decide se quer que ela entre ou não, é você!”. (Cf. http://comunidade.sol.pt/blogs/lucinda/archive/2015/07/06/OS-GREGOS-E-A-SUA-SEDE-DE-UMA-JUSTA-DEMOCRACIA_2E00_.aspx )

(6) Cf. MOTT, Nevill in https://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose

Tags: BOSE,Jagadish Chandra, BRANLY,Edouard, Crescógrafo, Díodo-semicondutor, Radiocomunicações, Radiotelefonia, Radiotelegrafia, Telecomunicações, TSF, MARCONI,Guglielmo, POPOV,Alexander, YOGANANDA,Paramahansa

Fontes bibliográficas:

-COPERÍAS, Enrique M. – O Livro das origens: De onde vem tudo o que nos rodeia, do Universo e da vida aos objetos do quotidiano. Paço de Arcos: Abril /Controljornal Edipress, Ldª, 2013

Documentos policopiados

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Ensaio de Organização da Telegrafia Eléctrica no Museu dos CTT. Lisboa: Museu dos CTT; UAL, 1988- 1989.- Policopiado

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Uma (R)evolução nas Telecomunicações. Lisboa: FPC – Fundação Portuguesa das Comunicações, 2005. – Doc. policopiado de apresentação da Exposição “150 Anos da Telegrafia Elétrica em Portugal”. In Património Museológico Postal e Telecomunicações

 Documentos em linha, acedidos em 7.7.2015

-BOSE, Sir Jagadish – Biography in http://www.britannica.com/biography/Jagadish-Chandra-Bose

-BOSE, Jagadish Chandra – Biografia – pioneirismo na pesquisa/deteção de ondas curtas in http://ethw.org/Jagadish_Chandra_Bose

-BOSE – Crescógrafo in https://es.wikipedia.org/wiki/Cresc%C3%B3grafo

-BOSE – Físico e Fisiologista in http://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose

-BOSE – Investigações sobre o sistema nervoso das plantas e alguns equipamentos in https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-PT&prev=search&rurl=translate.google.pt&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/Jagadish_Chandra_Bose&usg=ALkJrhiqEBhZbJvOpYdWsnVYcUH0EcP_3A

-BOSE; Demerson – Detetor ou coesor radioelétrico in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/b~ose/bose.html

-CHARDIN – Investigações sobre a energética do pensamento e o respito pela Natureza in http://pt.wikipedia.org/wiki/Teilhard_de_Chardin#Obras_de_Teilhard_de_Chardin

-CHT Comissão das História das Transmissões – BRANLY, Édouard e o coesor detetor de ondas radioelétricas in https://historiadastransmissoes.wordpress.com/tag/coesor-de-branly/ ; https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Branly; https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Branly ;

-Diodo semicondutor de cristais in https://pt.wikipedia.org/wiki/Diodo_semicondutor

-EMERSON, D. T. – Investigações pioneiras de J. C. Bose: 100 anos de ondas milimétricas e relação com as investigações de Bose in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/bose/bose.html

-FIDALGO, Anabela (profª) – Apontamentos aulas de Literatura. Massamá e Monte Abraão: USMMA, 2014/2015

-FRANCISCO, Papa – Nova Encíclica “Laudato si, sobre o cuidado da Terra in http://ionline.pt/397268?source=social

-JANEIRA, Ana Luisa – Teilhard de Chardin: a energética como visão de mundo; A energia máxima será sempre o amor in https://teilhardianos.wordpress.com/2012/05/25/teilhard-de-chardin-a-energetica-como-visao-de-mundo/

-MORAES, Jaime G. de http/fotoclone.in/historiadoradio/historiadoradio_12.html

-MOTT, Nevill in https://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose.

-PEREIRA, Martha Camargo Vasconcelos – Efeito Branly (Branly’s coherer). Campinas: Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Física Gleb Wataghin, s. d. in http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem2_2006/MarthaC_Tamashiro_RF1.pdf

-KAMERLINGH-ONNES, Heike – História do forno de micro-ondas in http://microwavecooking.com/pt/Microwave_Oven_History_Part3.htm

-UNICAMP; BRUM – História dos semicondutores in http://sites.ifi.unicamp.br/brum/files/2014/01/FI_JAB_1s2012_P1_Ch2_Historia.pdf

-YOGANANDA, Paramahansa ; BOSE, Jagadish in https://pt.wikipedia.org/wiki/Autobiografia_de_um_Iogue

-YOGANANDA, Paramahnsa – Autobiografia de um Iogue [e a relação com Bose]. [Lisboa?]: Dinalivro, 2007. À venda na FNAC. O original foi traduzido do inglês em 18 línguas, incluindo o português.

47. MEIOS E TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO NO FILME – “O PÁTIO DAS CANTIGAS”

1 Jul

O Pátio das Cantigas é um filme clássico português, realizado em 1942. As festas populares de junho, prosseguidas pelas estivais dão-lhe o mote. Neste filme entra uma trilogia de célebres atores: Vasco Santana (Narciso), António Silva (Evaristo) e Ribeirinho (Rufino), entre outros. O género é de comédia. O valor histórico tem determinado a sua reposição, inclusivamente a sua reedição que terá a estreia, com atores atuais, em finais de julho do corrente ano de 2015.

Vamos ver como vai ser aceite pelo público, sendo que o título e a imagem original lhe dão projeção. Por outro lado, é uma imensa responsabilidade trabalhar sobre uma marca e atributo que tem sido de grande aceitação.  + in https://www.facebook.com/groups/546790145456522/?pnref=story  ou in http://cumpriraterra.blogspot.pt/2015/07/47-meios-e-tecnologias-de-comunicacao.html 

46. CARNIDE: COMUNICAÇÃO DA II VISITA COM O GRUPO DE AMIGOS DO MUSEU DAS COMUNICAÇÕES – post 2

26 Jun

Os seguintes equipamentos têm sido responsáveis por uma regular afluência a Carnide.

Transportes e comunicações

Até ao séc. XIX, as deslocações de e para Carnide faziam-se com os meios então disponíveis: Em carruagens de tração animal, em montado e a pé. O séc. XX pôde contar, primeiro com o Elétrico e posteriormente, com os autocarros da Companhia Carris de Ferro de Lisboa. Em meu entender, uma das principais razões que explicam a longa tradição de culto, festividades e feiras da Luz é exatamente as confluência de Estradas e Azinhagas que fizeram de Carnide e da Luz um lugar especial com equipamentos religiosos, desportivos, associativos, de festividades e de restauração.

Elétrico histórico

O Elétrico Nº 13 foi, desde abril de 1929 e até 1960, o transporte popular da baixa de Lisboa (Restauradores) até Carnide, passando pela Av. da Liberdade, Praça Marquês de Pombal, Av. Fontes Pereira de Melo, até à Av. António Augusto de Aguiar, seguindo por esta até à Praça de Espanha, atual Rua Prof. Lima Basto (ex. troço da Estrada de Benfica), Sete Rios, Estrada das Laranjeiras, Estrada da Luz, Largo da Luz (já em Carnide), Rua da Fonte, Largo da Praça, Igreja de São Lourenço, Rua Neves Costa (Largo do Coreto). V. imagem do Elétrico aqui: -» http://tlimtlimxabregas.blogs.sapo.pt/11394.html?view=53378#t53378

Metropolitano

A linha azul do Metropolitano faz o percurso desde Santa Apolónia, Terreiro do Paço, Baixa-Chiado, Restauradores, Avenida, Marquês de Pombal, Parque, São Sebastião, Praça de Espanha, Jardim Zoológico, Laranjeiras, Alto dos Moinhos, Colégio Militar [Carnide Sul], Carnide [Poente], Pontinha, Alfornelos e Amadora.

As decorações das duas estações de Metropolitano que servem esta freguesia: “Carnide” e “Colégio Militar/Luz” apresentam azulejaria decorativa. Este tipo de arte também se encontra em antigas quintas, nomeadamente na Quinta dos Azulejos (situada na Rua do Norte), Confraria de São Vicente de Paulo (Ex Convento de Santa Teresa e de Santo Alberto) e na Quinta do Monte Alegre (Tv. da Luz / Est. da Luz) atualmente Lar Maria Droste / Irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor (1).

A temática da decoração da estação “Colégio Militar/Luz” assenta na repetição de letras, pequenas figuras, humanas e geométricas, simbolizando, possivelmente, a cultura das humanidades, científica e técnica no ex-Convento do Carmo de Carnide, Academia Miltar, Seminário dos Franciscanos, Instituto Superior de Estudos Teológicos e Externato da Luz, entre outros equipamentos que tiveram e/ou têm ainda sede em Carnide.

fazem parte da decoração: espigas e flores, losangos, quadrados, triângulos, pontos, ampulhetas, plantas e paletas de cores evocando uma certa modernidade. Esta intervenção plástica é de Manuel Cargaleiro (2).

Principais carreiras que servem a Luz-Carnide

  Carreira nº 726: Sapadores, R. Forno Tijolo. Pç. Novas Nações. Av. Almirante Reis / R. Angola, R. Passos Manuel, Jardim Constantino, Estefânia, Arco Cego, Av. Miguel Bombarda, Av. Visconde Valmor, Av. Berna (Rego), Pç. Espanha / Av. Berna, Av. Madame Curie, R. António Granjo, Estação Sete Rios, Estr. Laranjeiras, Laranjeiras (Metro), Estr. Luz (Loja Cidadão), B.º S. João, Estr. Luz, R. Soeiros, Colégio Militar, Lg. Luz, Carnide (Metro), Estação Pontinha, Pontinha (Metro), R. Sto. Eloy, Pontinha Centro.

Carreira nº 767: Campo dos Mártires da Pátria, Campo Santana, Gomes Freire, Hosp. Estefânia, Estefânia, Arco Cego, Av. Rovisco Pais, Av. Manuel da Maia, INE, Pç. de Londres, Av. de Roma (Piscina). B.º S. Miguel / Av. Roma, Av. E. U. A., Esc. D. Leonor. Pç. Alvalade (Esc. Eugénio Santos), Hosp. Júlio de Matos, Campo Grande / Av. Brasil, Campo Grande Norte, Campo Grande (Metro), Inst. Ricardo Jorge. R. Prof. Fernando da Fonseca, R. Prof. Francisco Gentil (Metro), Telheiras, Esc. Sec. Telheiras, R. Fernando Namora, Esc. Sec. Carnide, Lg. Luz, Igreja de Carnide, Qta. da Luz, Colégio Militar (Metro), Calhariz, Esc. Pedro de Santarém, Av. Uruguai, Qta. Granja / Av. Uruguai, Estr. Arneiros, Charquinho, Cemitério de Benfica, R. João Ortigão Ramos, R. Pedralvas, Estr. Benfica,. Portas de Benfica, Damaia / R. Dr. Francisco de Almeida, Estação Damaia, R. D. Maria II.

Carreira nº 768: Qta do Olival, Vale do Forno, Cemitério de Carnide, Rua do Rio Tejo, Serra da Luz, Estr. Militar (Escorpiões), Mal Penteada, Pontinha, Pontinha (Metro), Carnide (Metro), Carnide, Lg. Luz, Colégio Militar, Estr. Luz / R. Soeiro, R. J. João Freitas Branco, Alto dos Moinhos (Metro), S. Domingos Benfica, B.º Novo, R. Duarte Galvão, Estr. Benfica (Furnas), Sete Rios, Palma, Universidade Católica, Hosp. Sta. Maria, Cantina da Universidade, Cidade Universitária.

Notas:

(1)Maria Droste zu Vischering) ou Maria do Divino Coração (Münster, 1863 – Porto, 1899) foi Madre Superiora do Convento do Porto, hoje Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor. O Papa Leão III da Rerum Novarum (1891), defensor dos trabalhadores e recomendador da Democracia acedeu ao pedido da Madre Superiora para a consagração do Mundo.  As Irmãs do Bom Pastor tiveram e têm um papel relevante na educação e assistência social, sendo a Casa de Carnide/Luz de Lisboa um exemplo de educação e integração de jovens em risco.

(2)Manuel Cargaleiro é natural do concelho de Vila Velha de Ródão. Cedo veio para o concelho de Almada, em cujo Município se estabeleceu e foi Vereador no pós 25 de Abril. Ceramista e pintor a óleo e a guache. Com obra em diversos museus em Portugal, Brasil, Bélgica, E.U.A., França, Itália, Japão e Suíça. Distinguido em 1954 com o prémio Sebastião de Almeida. Lecionou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Em França tem trabalhos, entre outros, na decoração da Estação do Metro Champs-Elysées, onde se nota o estilo semelhante ao da Estação do Colégio Militar/Luz com elementos de losangos, quadrados, triângulos, pontos, ampulhetas, plantas… Distinguido, entre outras Organizações, pelos Municípios de Almada e Castelo Branco e também pela Presidência da República em 1982 e 1988, bem como pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia com o Prémio Projecto Internacional Museus/Fundações Manuel Cargaleiro.

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Alma e Luz de Carnide. Lisboa: Apenas Livros, 2013

Em linha acedidas em 16.6.2015

ANCIÃES, Alfredo Ramos – 35. Comunicação da II visita a Carnide Terra da Tentação Luz e Remissão – post 1 in http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/35-comunica-o-da-2-visita-a-carnide-passo-i

MARQUES, Henrique – Percurso do Elétrico nº 13 Restauradores … Carnide in http://tlimtlimxabregas.blogs.sapo.pt/11394.html?view=53378#t53378

-Manuel Cargaleiro in http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Cargaleiro

-Maria do Divino Coração ou Maria Droste in http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_do_Divino_Cora%C3%A7%C3%A3o

Obs.: Este documento sobre a II visita continua em próximo post 3

45. FESTAS JUNINAS – DO PAGANISMO AO POPULAR

12 Jun

Raízes e manifestações na comunicação, fé, etnografia, arte e animação.

Estas festas populares são conhecidas por festas juninas, dado serem realizadas no mês de junho quando, no hemisfério norte, se aproxima o solstício de Verão e o tempo é de grande vitalismo para a natureza. Tudo parece indicar que na origem destas festas há um fundo pagão (1). O processo de cristianização foi-se mesclando com novos hábitos e novas manifestações. Contudo há uma essência que se mantém.

O primeiro dos santos populares a ser festejado é Santo António, devido à data da sua morte ter ocorrido a 13 de junho. Venerado em quase todo o mundo cristão com especial destaque para a cidade natal, Lisboa.

Com fama de santo milagreiro, foi canonizado em 1232, no ano seguinte ao da sua morte. O processo de canonização foi dos mais rápidos da História eclesiástica, tal era a consideração e fama de que gozava entre a hierarquia eclesial e a população.

Para lá de santo foi proclamado Doutor da Igreja em 1946 pelo Papa Pio XII (2).

Na Arte tem representação na escultura, pintura, numismática, filatelia e museografia, com destaque para o Museu da Cidade / Museu Antoniano de Lisboa e Igreja de Santo António. Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antoninho, como é carinhosamente chamado por muita gente, nasceu a dois passos da Sé Catedral.

Tendo crescido junto à Matriz e estudado na vizinhança, em São Vicente de Fora, não admira a densidade de representação artística na cidade. Ademais, o Papa Leão XIII (3) intitulou-o de “Santo de todo o mundo”. São dignas de nota as manifestações populares do enfeite das ruas, escadinhas, largos e outros espaços públicos com destaque para os bairros e sítios com antiguidade.

Um dos exemplos marcantes de envolvimento público e do poder local nas marchas é o caso da freguesia de Carnide que criou o seu próprio marchódromo no Largo da Luz, junto ao convento dos franciscanos. Carnide apresenta-se com nada menos do que nove Marchas, no referido marchódromo. Seis Marchas são infantis, organizadas nas Escolas locais, e ainda a “Marcha dos Avós”, a “Grande Marcha Popular do Teatro de Carnide” e uma Marcha convidada.

O Porto rivaliza com o seu santo milagreiro, São João. As pessoas saem em massa à rua, manifestando-se com os martelinhos. Há ainda quem leve os alhos-porros. Sardinhas, petiscos e bebidas são consumidas em abundância. Sons, cantares e alegria transbordante.

(Festa do Município de Tabuaço – Imagem do andor de São João Batista. Gentileza de Manuel Gonçalves in  http://tbcparoquia.blogspot.pt/2014/06/festa-do-municipio-de-tabuaco-sao-joao.html )

São João comemora-se no dia 24, coincidindo com a data do seu nascimento, e não com a data da sua morte, como é comum entre os santos. Consta que São João Batista era primo de Jesus Cristo e é reverenciado não só pelos cristãos, como em certas partes do mundo islâmico, encontrando-se sepultado numa mesquita em Damasco; também é venerado pelo espiritismo, e pela maçonaria, entre outros credos. A razão da comemoração no dia do nascimento deve-se ao facto de ter sido considerado puro ainda dentro do ventre materno.

É aqui que entra a comunicação do mensageiro, anjo Gabriel, reconhecido como padroeiro dos correios e das telecomunicações com a seguinte anunciação:

“5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, existiu um sacerdote chamado Zacarias [pai de João Baptista] […] cuja esposa era da descendência de Aarão e se chamava Isabel” […]. “7Não tinham filhos, pois Isabel era estéril e os dois de idade avançada. 8Ora, estando Zacarias no exercício das funções sacerdotais diante de Deus, na ordem da sua turma, 9coube-lhe, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso. […] 11Apareceu-lhe, então o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o anjo disse-lhe: «Não tenhas receio, Zacarias, a tua súplica foi atendida. Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho e chamar-lhe-ás João. 14Será para ti, motivo de regozijo e de júbilo, e muitos se regozijarão com o seu nascimento. 15Será grande aos olhos do Senhor […] cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente, diante d`Ele [de seu primo Jesus Cristo] […]» 18Zacarias disse ao anjo: «Como hei-de verificar isso, se estou velho e minha mulher avançada em anos?» 19O anjo respondeu: «Sou Gabriel, aquele que está diante de Deus, e fui enviado para te falar e dar-te estas novas»”. (Cf. Lc 1, 5-19)

São Pedro é o terceiro santo popular a ser festejado, a 29 do mesmo mês. Nasce cerca do ano 1 a.C. na Palestina. Terá sido, em primeiro lugar, discípulo de João Batista e amigo de João Evangelista.

Deixa a vida de empreendedor na arte da pesca para seguir o Mestre. Após a condenação à morte do Mestre, Pedro segue a missão de Apóstolo, tendo sido martirizado em Roma, cerca do ano 67. Não se sabe ao certo o dia nem o mês em que foi crucificado na capital do Império, daí comemorar-se a 29 de junho. Esta data correspondente ao dia em que os restos mortais foram trasladados, em segredo, para as Catacumbas de S. Sebastião, em Roma, decorrendo o ano 257.

A popularidade vem-lhe, possivelmente, da origem de humilde pescador e da entrega e coragem na condução da Igreja nos primeiros anos do cristianismo. Em Portugal é venerado e festejado como um dos três santos populares.

A notoriedade como santo que abre as portas do Céu é relevante no imaginário popular, daí o ser frequentemente representado com as chaves na mão. O próprio Cristo comunica-lhe:

«18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja […] 19«Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo quanto ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo quanto desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 18-19).

Na minha comarca e envolvimento, também se festejam os santos populares com grande entusiasmo, especialmente o São João, em Moimenta da Beira e em Tabuaço com liturgias, marchas populares, arraial, programas de desporto e animação; e na sede do concelho de Penedono onde à religiosidade e animação se junta uma importante feira anual onde ocorre gente local e das vizinhanças (Douro Sul, Terras do Demo e de Magriço).

O mês de junho marca, por assim dizer, o início das festas estivais onde comparecem conterrâneos e residentes de várias partes do mundo, reunidos pelo cunho religioso, artístico, etnográfico e copiosa animação de tradição gentia.

Notas:                              

(1) V. Paganismo e Cristianismo in http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo_e_paganismo; Cristianismo in http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianiza%C3%A7%C3%A3o e Festas juninas in http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina

(2) Pio XII considera Santo António um «exímio teólogo e insigne mestre em matérias de ascética e mística».

(3) Leão XIII (Itália: n.1810 – m.1903); Papa entre 1878-1903. No seu tempo de condução da Igreja Católica escreveu dezenas de encíclicas, entre as quais a Rerum Novarum (1891) em que faz a defesa dos trabalhadores, pondo a questão social em plano primaz, defendendo a subsidiariedade dos poderes e a Democracia que na altura era ainda uma miragem, mesmo a nível europeu. Está relacionado com Portugal, não só na questão de Santo António (português/italiano) mas também na concessão do pedido da Congregação das Irmãs do Bom Pastor (então com sede no Porto) para a consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Estas irmãs tiveram e têm um papel relevante na educação e assistência social.

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Alma e Luz de Carnide. Lisboa: Apenas Livros, 2013

——————— – Um Percurso por Lisboa: Seguindo o Elétrico 28. UAL: Instituto de Artes e Ofícios (pós grad. em Gestão de Recursos Turísticos e Culturais), 1997

-Bíblia Sagrada – Lisboa: Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos), 11ª ed., 1984

-Câmara Municipal de Lisboa: EGEAC – Festaslisboa´15, 2015

-Carnide Boletim Informativo da Junta de Freguesia, nº 142, Junho 2015.

Imagens: Santo António, Voz do Operário; Marcha Infantil de Carnide.- Arq. AA; São João Baptista em Tabuaço, gentileza de Manuel Gonçalves in http://tbcparoquia.blogspot.pt/2014/06/festa-do-municipio-de-tabuaco-sao-joao.html

Em linha, acedidas em 10.6.2015:

-Festas de São João, Moimenta da Beira in http://www.freguesias.pt/portal/noticia.php?id=5589&cod=180710

-Penedono: Festividades do padroeiro S. Pedro et al. in https://www.facebook.com/pages/Concelho-de-Penedono/353106204743852

-Santo António – biografia in http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa#Biografia

-Santo António, Lisboa in http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa

-São João Batista in http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista#S.C3.A3o_Jo.C3.A3o_Batista_no_Islamismo; http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista, https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=s%C3%A3o+jo%C3%A3o+batista

-São Pedro in http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Pedro

-Tradições das festas juninas in http://www.suapesquisa.com/musicacultura/tradicoes_festa_junina.htm

-Vidas lusófonas – Santo António de Lisboa in http://www.vidaslusofonas.pt/santo_antonio_de_lisboa.htm

44. OS DESCOBRIMENTOS E A VOCAÇÃO DE PORTUGAL

31 Maio

1)Um Jardim Botânico de referência

2)Os Jesuítas e o ensino científico

3)A Toponímia no Chiado

4)O exemplo dum Naturalista

5)O exemplo dum Bandeirante.

 1)JARDIM BOTÂNICO DE REFERÊNCIA

O Jardim Botânico da Escola Politécnica, em Lisboa, junto da Rua do mesmo nome, surge como resposta a um novo ambiente social, económico e científico. Proporciona além destas valências, a fruição de uma atmosfera romântica, o recreio e o lazer, apresentando uma arquitetura paisagística em socalcos, veredas, cascatas e pequenos lagos.

Neste Jardim foram introduzidas espécies da Austrália, Nova Zelândia, China, Japão e América do Sul, procurando uma representação de várias geografias, sobretudo dos locais por onde Portugal cunhou caminhos e permanências na sua História.

Uma árvore histórica – do correio – a acacia karroo heyne.

Trata-se duma espécie que, possivelmente o acaso, e o processo histórico marcaram com um distintivo ligado às comunicações marítimas dos Descobrimentos e primeiras viagens entre continentes. Para reforço e validação desta marca histórica das comunicações e do correio, a própria República da África do Sul erigiu nos finais do século XX, um monumento para evocar este entreposto postal baseado nos elementos da Natureza e na arte dos navegantes. Numa destas espécies, originária da República da África do Sul e suas imediações (Moçambique e Zimbabwe -ex-Rodésia) os portugueses colocavam as suas correspondências, abrigadas dentro dum botim, servindo como caixa postal. Deixavam e recolhiam nesta árvore e botim do correio, informações importantes sobre a viagem, a rota marítima e outras informações, quiçá, de carater mais doméstico, entre famílias e a corte portuguesa.

Uma destas árvores – a acacia karroo heyne encontrava-se próxima do Cabo da Boa Esperança, na Baía de São Brás, atual Mosselbay, onde a Comunidade da África do Sul mandou construir um monumento in situ. O Património Museológico de Correio, da Fundação Portuguesa das Comunicações não podia ficar indiferente a este memorial e mandou executar uma réplica do referido botim do correio que era, não sei ao certo, se colocado na ramagem, se enterrado junto ao tronco para que os navegadores, pré-avisados soubessem novas do seu interesse e do Reino. O certo é que árvore, o botim e o local da Baía de São Brás estão associados às comunicações pioneiras entre continentes: Ásia, África e Europa. Por sua vez, o Grupo de Amigos do Museu das Comunicações apadrinhou uma destas espécies da Acacia Karroo Heyne, existente no Jardim Botânico da Escola Politécnica, onde pode ser apreciada, e o modelo de botim pode ser visitado na Exposição Permanente do Museu das Comunicações na Rua do Instituto Industrial nº 16, 1200-225 Lisboa, telefone 21 393 5000

2-OS JESUITAS E O AMBIENTE CIENTÍFICO NA SEQUÊNCIA DAS PRIMEIRAS VIAGENS INTERCONTINENTAIS

A comunidade esteve primeiro em Santo Antão, na atual Baixa Pombalina. Mas quando as instalações começaram a ser exíguas, mudaram-se para o Convento de Santo Antão-o-Novo, correspondente ao atual Hospital de S. José. Ali funcionou uma espécie de Universidade para a comunidade religiosa e civil. Como os Descobrimentos portugueses tinham aberto novos desafios e novos espaços geográficos, a Companhia preparou-se para tais desafios, investindo numa  formação cuidada, incluindo matérias de: Astronomia, Matemática, Botânica e Zoologia, além das tradicionais Humanidades. Continuando a crescer, foi preciso pensar em novas instalações: A Trindade e o Alto da Cotovia foram os sítios escolhidos para a expansão. No Noviciado da Cotovia (A Cotovia era o nome dado a esta zona de Lisboa, junto à atual Rua da Escola Politécnica) construíram um Colégio, onde hoje figuram os museus da Escola Politécnica, incluindo o Jardim Botânico. Com o aumento numérico da comunidade lisboeta sentiram falta de instalações, por isso, solicitaram ajuda ao Rei D. João III. Foi-lhes destinada, então, a Ermida da Confraria de S. Roque.

Irmandades de S. Roque e outras ali existentes: Estas irmandades aceitaram a vinda dos Jesuítas que instalaram aqui uma Casa Professa e se responsabilizaram em manter uma capela – a de São Roque e a respetiva designação que permanece até ao presente com arquivo autónomo e instalações junto à sacristia. As restantes irmandades ali residentes também realizaram a inventariação dos bens no seguimento da extinção dos Jesuítas.

A AULA DA ESFERA

Resumo a partir de uma visita guiada do Prof. Henrique Leitão (Fac. Ciências U. L.) e Paula Moura Pinheiro (RTP).

Ensino ligado aos Descobrimentos, explorações e viagens marítimas, antes da reforma do Marquês de Pombal. Não obstante a Reforma do Ensino promovida pelo Marquês de Pombal, as novas investigações têm vido a revelar que a dita Reforma Pombalina foi implementada sobre (ou cortando com) uma lenta Revolução do ensino em curso pelos Jesuítas. Cerca de 20.000 alunos estariam envolvidos no ensino jesuítico que incluía: Náutica, em geral, cartografia, engenharia militar, cosmografia, álgebra, religião e conhecimentos diversos.

Para conseguir os seus desígnios, o Marquês de Pombal implementou uma “propaganda” em como os Jesuítas “atrasavam o ensino científico”, quando era precisamente o contrário. Esta opção de propaganda foi uma opção política para dar substância à centralização do poder real. Houve “um momento de fulgor”, uma rede de cerca de 800 estabelecimentos de ensino em todo o mundo, segundo Rómulo de Carvalho e o prof. Henrique Leitão.

“Caso único na História da ciência europeia. […] Podia-se chegar a Deus pela Bíblia ou pelo livro da Natureza”. O processo do caso de Galileu e, poucos mais, parecem ter sido casos pontuais. Este centro seria no século XVII “o centro mais importante de ciência do mundo”. Rómulo de Carvalho, secundado pelo prof. Henrique Leitão, dizem que “o ensino científico acabou abruptamente em Portugal depois da expulsão dos Jesuítas” […]. No complexo do Hospital de São José, hoje sala com imensa História, houve “170 anos ininterruptos [1690-1759] de aulas”, o que parece ser uma situação rara, senão única, em termos mundiais da História da Ciência.

Ali se divulgaram os primeiros instrumentos náuticos, telescópios, os cursos de mecânica etc. O flamengo / belga Gerhard Mercator (1512 – 1594), considerado o maior cientista da cartografia moderna, tal como outros, eram ali estudados com aulas em português e abertas à população. A acusação do Marquês de Pombal de que não havia ensino científico em Portugal, era totalmente falsa. O Marquês utilizou essa “arma de arremesso político”. Os riquíssimos azulejos da Aula da Esfera, que podem ser revisitados, revelam os diversos equipamentos de ciência e técnica e o e ensino ali implementado.

Fonte: in  http://www.rtp.pt/play/p1623/e172050/visita-guiada, acedida em 28.5.2015

AS AULAS MAYNENSES

O padre José Mayne.

Também as aulas maynenses do padre José Mayne no Convento de Jesus, atual Academia de Ciências revelam o ensino científico e religiosos dos Jesuítas. Neste local do Convento de Jesus funcionou o primeiro Museu Nacional com peças diversas, inclusivamente as provenientes do Brasil, recolhidas nas célebres explorações do Naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira {1756 – S. Salvador da Baía, Brasil (com formação em Coimbra) e falecido em Lisboa, 1815}.

3-A TOPONÍMIA DO CHIADO LIGADA ÀS EXPLORAÇÕES CIENTÍFICAS AFRICANAS

Serpa Pinto: (1846, Cinfães + 1900) foi militar, cientista, governador e explorador nas terras de África, no contexto do conhecimento do continente africano das terras “entre Angola e a Contra-Costa” na sequência da apresentação do mapa português Cor-de-Rosa que precedeu o ultimatum inglês a Portugal.

Homenagens: Em reconhecimento pelos seus serviços no conhecimento e preservação dos territórios portugueses, Serpa Pinto bem como outros exploradores e cientistas: Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e José de Anchieta foram homenageados com a atribuição dos seus nomes a ruas da zona do Chiado. Muitos dos intervenientes destes feitos históricos que levaram à exploração geográfica e científica entre Angola e a Contra-Costa morreram ou desertaram durante este feito.

As missões de conhecimento muito difíceis juntaram: Além de população que servia como carregadores, pisteiros e ajudantes; as expedições contavam com: Cartógrafos, geógrafos, meteorologistas, colectores de materiais da Natureza para estudo. Chegaram a andar perdidos por diversas vezes, numa ocasião por mais de 40 dias seguidos entre a selva e os pântanos. Percorreram, em situações extremamente adversas, mais de 8.300 km o que lhes valeu terem sido recebidos como heróis em Portugal e Espanha onde Ivens e Capelo deram conferências e também em França onde receberam a Grande Medalha de Honra.

 4-O EXEMPLO DUM NATURALISTA NA EXPANSÃO DO MUNDO LUSÓFONO

O Naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira colaborou no envio de peças do Museu de História Natural de Lisboa à Universidade de Coimbra, que recebeu uma lista e acervo de produtos naturais e industriais provenientes de diferentes partes do Império. Entre os itens recolhidos e tratados, estão ornamentos, armas de tiro, instrumentos das artes e ofícios e muitos espécimes e documentos de Zoologia, Botânica, Ciência e Técnica, hoje espalhados por Lisboa, Coimbra e outras cidades europeias.

Domingos Vandelli que adotou Portugal e aqui foi adotado também esteve na base do plano da concentração em museus dos vários patrimónios de exploração dos territórios ultramarinos a fim de instruir os alunos da História Natural. Nos reinados de D. José e D. Maria I foram enviadas expedições para recolher dezenas de milhares de peças e documentação. Domingos Vandelli expõe a suas ideias de que não há nação “[…] que mais necessite de um Museu Nacional, para nele conhecer as produções da natureza, e seus usos, do que aquela que possua tão vastos domínios em Ásia, África e América”, como é o caso de Portugal.

Fontes:

-ARQUIVO HISTÓRICO do Museu Bocage (Lisboa) – ARF – 26a Alexandre Rodrigues Ferreira. Relação de produtos naturaes e industriaes que deste Real Museu se remetterão para Universidade de Coimbra em 1806

-COUTINHO, D. Rodrigo de Souza – Memória sobre o melhoramento dos domínios de Sua Majestade na América (1797 ou 1798) in: Textos políticos, económicos e financeiros (1783-1811). Intr. e org. de Andrée Mansuy Diniz Silva. Lisboa: Banco de Portugal, 1993. v. 2

-NOVAIS, Fernando A. – Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial – 1777-1808. São Paulo: Hucitec, 1983.

-CARDOSO, José Luís (coord.) – A economia política e os dilemas do Império Luso-brasileiro (1790-1822). Lisboa: CNPCDP, 2001

-RAMINELLI, Ronald – Viagens ultramarinas; monarcas, vassalos e governo a distância. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2008. cap.6

-VANDELLI, Domenico Vandelli. Memória sobre a utilidade dos museus de História Natural In: memórias de História Natural – Domingos Vandelli. Introd. e coord. editorial de José Luís Cardoso. Porto: 2009-05-19.

5-O EXEMPLO DUM BANDEIRANTE EXEMPLAR NA HISTÓRIOA DA EXPANSÃO DO BRASIL

Pedro Teixeira é ainda pouco conhecido, quer nos programas escolares, quer no senso comum ou histórico dos portugueses. Contudo esta figura é das mais relevantes na estirpe dos heróis que fizeram o Brasil. Felizmente também, esta figura tem vindo recentemente a ser recuperada. “Vale mais tarde do que nunca”, como diz a gíria popular. Teixeira  nasceu cerca de 1585 em Cantanhede e rumou ao Brasil em 1607, onde se entregou a todo um esforço de mais de trinta anos da sua vida, tendo falecido no ano de 1641, pouco tempo após Portugal ter retomado a independência em relação à Corte dos Filipes de Espanha. Teixeira não é o único nome sobre o qual devem repousar os louros do acréscimo de cerca de metade da área territorial do Brasil mas foi o principal organizador e o lider do desbravamento do rio Amazonas, afluentes e regiões afins, nas quais fez reconhecimentos e marcação do território em nome do Reino de Portugal, pese embora o facto de, na altura, Portugal estar sob o domínio dos Filipes.

Do Governador da Capitania do Maranhão, Jácome Raimundo de Noronha recebeu ordens e alguns meios que lhe permitiram completar a exploração, Amazonas acima, até à cidade de Quito, já na capital do actual Equador. Com uma frota composta por cerca de 50  grandes canoas, setenta soldados e 1200 Índios com flechas. Índios estes que viram em Pedro Teixeira um lider reto e humano, tendo cativado este povo com a sua personalidade e hospitalidade, sendo que ficou conhecido na comunidade como o «Homem Branco, Bom e Amigo».

Como militar participou nas lutas contra os franceses, holandeses e ingleses que disputavam negócios e terras no Brasil. Recentemente, em finais de 2009, a sua figura foi homenageada no Senado Brasileiro. Por esta altura Aloízio Mercadante, Senador, implementou “um movimento para resgatar a memória de Pedro Teixeira”. A sessão de homenagem teve lugar em Brasília no Senado Federal para comemorar os 370 anos da expedição de Teixeira, o “desbravador” da Amazónia. Diz Mercadante, lider da bancada do PT que “A Pedro Teixeira se deve quase metade do território” do imenso Brasil.

Além da comemoração dos 370 anos Mercadante liderou o Projecto Lei para que o nome de Pedro Teixeira venha a ser inscrito no chamado Livro de Aço, situado no Panteão da Liberdade e Democracia em Brasília, bem como propõe a inclusão nos curriculos escolares. Sendo inconcebível esta lacuna, sobretudo em Portugal. Honra seja feita a Mercadante promotor da proposta, revelando-se um patriota que reconhece os heróis do seu país que proporcionaram um dos maiores países do mundo; que está em progresso e é dos mais respeitáveis, muito por causa do valor da Amazónia no contexto mundial.

Em relação a marcas distintivas de memória e existentes em Portugal referentes a Pedro Teixeira, tenho conhecimento do “Casal Pedro Teixeira”, situado na Rua de Nossa Senhora da Ajuda em Lisboa, lugar onde foram construídas as denominadas cozinhas D`El Rei. Não sei ao certo se este Casal fora  propriedade do próprio Pedro Teixeira ou se em sua memória lhe deram este nome. Acrescente-se que as Cozinhas D`El Rei e Rua do mesmo nome se encontram em Ruas e terrenos contíguos ao “Casal e Estrada Pedro Teixeira” no Alto da Ajuda.

Toponímia: Além do Casal “Pedro Teixeira” no Alto da Ajuda, há ainda a “Rua Capitão-Mor / Pedro Teixeira / Conquistador do Amazonas / Século XVII” no Restelo. Para lá destes distintivos de memórias, em Lisboa; no município de Cantanhede encontra-se a estátua de grandes dimensões, situada no Largo do mesmo nome (V. imagens). Em Cantanhede encontra-se ainda uma escola com o nome “Escola Pedro Teixeira”. A empresa de telecomunicações Portugal Telecom  estabeleceu um protocolo com vista a premiar os melhores trabalhos sobre a vida e obra deste explorador. Os prémios serão dados aos melhores trabalhos, quer realizados em Portugal, quer no Brasil. Que seja feita a devida homenagem.

Fontes:

-PINTO, Orlando da Rocha – Cronologia da Construção do Brasil  1500-1889. Lisboa: Livros Horizonte, Ldª, 1987

-AMARAL, Manuel; TORRES, João Romano – Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico”, Vol III, 2000-2009

-PINTO, Pedro – O Último Bandeirante / Lisboa: A Esfera dos Livros, 3ª ed., Abril 2009.

Fontes em linha: http://www.brasilescola.com/biografia/august-de-saint-hilaire.htm; http://www.cm-cantanhede.pt/; http://www.flickr.com/photos/vitor107/64589083/; www.cantanhede.ma.gov/br/2009/index.php; www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=245827; http://www.flickr.com/photos/vitor107/64589083/, http://www.cictsul.ul.pt/; www.triplov.com; http://cumpriraterra.blogspot.pt/2013/09/pedro-teixeira-o-bandeirante.html  / Pedro Teixeira in  http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2010/01/10/PEDRO-TEIXEIRA-QUAL-NOVA-ESPERAN_C700_A.aspx#comments  acedidas em 28.5.2015

Tags.: Alexandre Rodrigues Ferreira, Aula da Esfera, Aulas Maynenses, Domingos Vandelli, Explorações científicas africanas, Jardim-Botânico da Escola Politécnica, Pedro Teixeira, Serpa Pinto

Alfredo Ramos Anciães, Maio de 2015

43. AQUILINO RIBEIRO: FORMAS DE AMOR DE LUTA CÍVICA E DE COMUNICAÇÃO

23 Maio

1-Nota biográfica.

2-O Amor pela Natureza e a generosidade altruística.

3-O Amor pela luta cívica em “Quando os Lobos Uivam”.

4-O Amor pela sustentabilidade/biodiversidade: A luta contra o liberalismo e o regime vigente.

5-O amor solidariedade e o amor que perdoa.

Palavras-chave – Missão e Ética: Quase toda a vida de Aquilino foi dedicada à Missão que ele próprio resumiu nos finais dos seus dias – “mais não pude”. A base de mudança para a missão e ética em Aquilino assenta na promoção dos valores de: liberdade e melhoria das condições de vida através da luta cívica e do trabalho “alcança quem não cansa”, cultura, preservação da Natureza e conduta sem hipocrisias.

1-NOTA BIOGRÁFICA

Aquilino nasce em 1885, no Carregal, Sernancelhe e morre na capital, em 1963. Em 1933, recebe o Prémio da Academia das Ciências de Lisboa e, em 1935 é eleito sócio correspondente da mesma Academia. Em 2007, a Assembleia da República aprova uma homenagem, incluindo a transferência do corpo com honras de Estado para o Panteão Nacional de Santa Engrácia.

Originário e profundamente beirão, aos 10 anos, faz exame da Escola Primária no Colégio de Nossa Sra. da Lapa e, aos 15, encontra-se no “Colégio Roseira”, de Lamego. Após um curto intervalo de tempo, quando estuda Filosofia em Viseu, transfere-se para o “Seminário de Beja”. A falta de vocação leva-o a abandonar o Seminário e vir para Lisboa, aos 18. Um ano depois regressa a Soutosa mas aos 21 anos está novamente em Lisboa, desenvolvendo uma ação de cariz ideológico-republicano e colaborando com o jornal “A Vanguarda”.

Em 1907, inicia a publicação de livros, onde denota uma intervenção na esfera política, com o conto “A Filha do Jardineiro” em parceria com José Silva.  Esta obra de ficção tem como objetivo a caricatura do regime monárquico vigente, através da análise de figuras públicas. Ainda em 1907, adere à Maçonaria. Pouco tempo após é preso e acusado de anarquista. Consegue evadir-se da prisão e prossegue contactos com a Maçonaria, incluindo a vertente carbonária. Em 1910, encontra-se a estudar Letras na Sorbonne, vindo a Portugal após a Revolução do 5 de Outubro. O relacionamento com Grete Tiedemann leva-o à Alemanha, onde reside durante alguns meses (1912/1913) e casa.

Em 1914, nasce o filho Aníbal Aquilino Fritz, que veio a ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Entre 1915 e 1918, exerce funções de professor no Liceu Camões. Segue-se outro período intenso, na Biblioteca Nacional, como na produção literária de “Terras do Demo”, direção da revista “Seara Nova”, publicação “O Malhadinhas”; “Andam Faunos pelos Bosques” e “Estrada de Santiago”, até que entra na revolta de 1927, em Lisboa. Participa no movimento militar republicano contra a Ditadura Militar e na revolta de Pinhel em 1928.

Consequentemente, procura Paris para se exilar. Em 1929, casa em segundas núpcias, com a filha do Presidente da República, Bernardino Machado. Continua a atividade de escrita regular de livros, destacando-se, nos anos 30, “O Homem que Matou o Diabo” e “Batalha Sem Fim”. Fundador e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores nos anos cinquenta. Prossegue a produção de várias obras, entre as quais “A Casa Grande de Romarigães” (1957) e “Quando os Lobos Uivam” (1958). Neste ano de 1958 é nomeado sócio efetivo da Academia e torna-se militante da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República.

Proposto para Prémio Nobel da Literatura em 1960

Entre um leque extenso de proponentes encontram-se nomes tais como: José Cardoso Pires; David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Soares, Vitorino Nemésio, Alves Redol e Virgílio Ferreira. Com uma obra literária composta, grosso-modo, por contos, romances, novelas e artigos em periódicos, desenvolve uma linguagem vernácula e antiga em desuso e difunde termos pouco conhecidos, enriquecendo, sobremaneira, o vocabulário e a literatura de expressão portuguesa. Concluindo, na sua obra literária perpassam contextos e costumes, com relevância para modos de fazer tradicionais.

A propósito do Nobel da Literatura em 1998, José Saramago disse: “Se Aquilino Ribeiro fosse vivo quem o recebia era ele”.

Alcança quem não cansa era o ex-libris ou a visão/esperança de Aquilino.

Em relação ao ex-libris, se hoje Aquilino viesse à Terra possivelmente ficaria espantado por ter conseguido muito mais do que o esperado, tendo em conta um “Centro de Estudos Aquilino Ribeiro” (na Universidade Católica / Viseu); destaques no “Instituto Camões, da Cooperação e da Língua Portuguesa” (Lisboa), em Instituições de Ensino Secundário e Superior; representação na estatuária e na toponímia e um lugar no memorial do Panteão Nacional de Santa Engrácia, aprovado pela Assembleia da República, para lá de tantas homenagens que continuam a fazer-lhe, nomeadamente em visitas: à Fundação com o seu nome, em Soutosa; em geral às “Terras do Demo”: Sernancelhe, Penedono, Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Aguiar da Beira, no Distrito de Viseu; e à “Casa Grande de Romarigães” no concelho de Paredes de Coura.

“Mais não pude”: Foi o epitáfio sugerido pelo próprio Aquilino em antevisão da sua morte. Atendendo às circunstâncias do tempo e dos regimes, podemos hoje dizer que fazer mais era difícil ou mesmo impossível, conforme sugere Aquilino. Resta-nos o respeito e a gratidão pelo seu contributo imortal no edifício da cidadania e da dignidade humana.

Aquilino e a sua relação com o Convento da Tabosa

“Na aldeia de Tabosa, vizinha do Carregal, os populares contaram à Lusa outra versão da história do nascimento de Aquilino. “As pessoas antigas diziam que Aquilino Ribeiro era filho de uma freira e de um padre [não da criada de servir Mariana do Rosário conforme consta na sua biografia e tendo nascido no convento]. Depois é que foi levado para o Carregal, porque naquela altura era um escândalo ser filho de um padre e de uma freira”, afirmou Hermínio Pereira […]. Outro conterrâneo, João Granja avança até a forma como Aquilino Ribeiro terá saído, em segredo, do convento” […]. `Para não dar mau falar à freira, nasceu e fizeram-no sair pela roda onde davam de comer aos pobres. Depois levaram-no pelas matas do Torgal, para que ninguém o visse, até ao Carregal, onde uma mulher o criou à mama`”. […] (cf. FERREIRA, Ana, ob. cit.; Agência Lusa / Expresso).

2-AMOR PELA NATUREZA E GENEROSIDADE ALTRUÍSTICA

”Em Aquilino Gomes Ribeiro, o sentimento estético e o sentimento ético não se confundem, mas comungam da mesma malga: o amor pela natureza. Diz Urbano Tavares Rodrigues em `O Génio de Aquilino` que “O Mestre é livre-pensador e anticlerical […] mas uma irreprimível atracção o faz abeirar-se dos franciscanos”.

Será que Aquilino era mesmo um anticlerical extremista?

Por mais consideração que mereçam os estudos, incluindo os referentes à figura de Urbano Tavares Rodrigues, não concordo que Aquilino fosse um anticlerical puro e duro. Aquilino apenas era anticlerical na medida em que criticava a hierarquia católica e os clérigos, nomeadamente os que viviam em hipocrisia, que pregavam uma coisa e faziam outra diferente.

Encontrei em Aquilino referências ao Espírito Santo e aos franciscanos; um episódio referente ao “Bom Abade de Pera e Peva em “Aldeia: Terra Gente e Bichos” e uma recorrência à terminologia da Igreja e dos clérigos, que nem sempre me parece formulada de forma crítica. Aquilino era anticlerical somente na medida em que pretendia chamar a atenção para os desvios da mensagem e comunicação cristã original. Em meu entender, Aquilino foi um dos precursores que levaram à renovação do espírito franciscano, tal como está a acontecer na atualidade com o Papa Francisco. Na tumba da Panteão Nacional e, quiçá, em dimensões exteriores, Aquilino encontra um Arauto de nível mundial na figura de Bergoglio.

3-O AMOR PELA LUTA CÍVICA em “Quando os Lobos Uivam”,

O que motivou Aquilino em “Quando os Lobos Uivam” (romance de 1958) foi o fim dos baldios na Serra dos Milhafres. Em finais dos anos 40, o Estado Novo resolve, sem auscultar as populações, apropriar-se das terras que, desde tempos imemoriais, eram explorados pelas comunidades beirãs, onde recolhiam lenha e apascentavam o gado. A população viu-se sem aquele recurso, complicando-se o “modus vivendi”.

Aquilino denunciou, como pode, a situação. Fê-lo por cidadania, altruísmo e solidariedade que são formas de amor para com os seus próximos conterrâneos.

Uma das principais personagens da obra – Manuel Louvadeus – ex-emigrante no Brasil chega à sua terra natal e vê as populações atingidas com as mudanças e expropriações. Louvadeus volta ao Brasil com a ideia de retornar em auxílio dos conterrâneos, para recuperarem o amor-próprio e desenvolverem a Terra. Nesta perspetiva Louvadeus abre-se com o pai, nestes termos:

– “Nesta aldeia miserável […] mais pobre, mais fanática, mais desoladora, hei-de criar uma escola de Artes e Ofícios. Uma escola para lavrantes de pedra. […]

– Hei-de oferecer lactário… hospital […]  cantina, onde se dê comer às crianças […], pôr telefone, luz eléctrica […]”.

4-O AMOR PELA SUSTENTABILIDADE E BIODIVERSIDADE DA TERRA: A LUTA CONTRA O LIBERALISMO E O REGIME VIGENTE

É notável encontrar na obra de Aquilino a insistência à temática ambiental, como em “Via Sinuosa (1918)” e no “Jardim das Tormentas” (1913), bem como, “O Romance da Raposa” (1923), “Arca de Noé”; “III Classe” (1935) e no “Livro da Marianinha” (1963).

Aquilino é um dos mais arrojados elementos de luta contra os impactos negativos da exploração da natureza. A ideia de um desenvolvimento sustentável está presente em várias obras de Aquilino, com destaque para “Volfrâmio” (1944) e “Quando os Lobos Uivam” (1958). (1) (cf. QUEIRÓS, doc. cit.)

Na obra infantil de 1924 – O Romance da Raposa”:

“[…] Aquilino traça um vasto e pormenorizado fresco da biodiversidade das florestas endógenas do nosso país […]. A sua preocupação com as espécies ameaçadas leva-o a aproveitar o ensejo para denunciar a ameaça de extinção que pesa sobre o lince, sessenta anos antes da campanha nacional para o salvar, no último reduto da Malcata ! […]”. Aquilino emita os sons dos grilos, rãs, rolas, mochos e refere-se às espécies e às formas geológicas, como afirma Urbano Tavares Rodrigues: “Não há talvez em toda a literatura portuguesa quem, como Aquilino Ribeiro, sinta e exprima o campo em todas as suas dimensões […].

Esta visão da Natureza é uma das formas de expressar o seu amor pela Existência.

Não obstante, Aquilino estar inserido nas lides políticas e maçónicas ele recorre constantemente aos termos da mentalidade católica-cristã. A terminologia frequente de: Deus, Cristo, Diabo, Demo, Barzebu, inferno, santos, campanário, sinos, devoção, rezas, divina graça, pragas e maldições, benta, benzedura, anjinho do senhor, rezas, corte celeste, escândalo, vergonha, rosário, infidelidades, cobras, tentações, contas a Deus, marranito (de marrano, judeu ou mouro que professa a fé cristã mais por conveniência do que por convicção), padre, missa, santarrão, alma cristã, etc., são produto da vasta cultura, não servindo apenas para a crítica, a denúncia mas também como meio de expressão, dando espaço à comunicação dos valores locais, não de um mundo regionalista, à parte, mas como parte integrante num mosaico de terras, povos e culturas; permitindo também a recuperação de termos ancestrais, de raiz clássica e bíblica, em perigo de desuso. A introdução de termos regionalistas de que é acusado, não corresponde à verdade total, pois esse vocabulário aparece em expressões existentes no Mundo Antigo, que entraram em desuso, devido à pouca valorização que se fazia das raízes culturais. Aquilino retoma essa vertente linguística ancestral, resgatando-a do esquecimento, elevando, assim, o nível cultural das populações e a riqueza da língua portuguesa.

As circunstâncias de miséria levam Aquilino a introduzir os episódios do “surripianço de comida” e dos “pilha-galinhas” (cf. RIBEIRO: 1974, pp. 41-42), dando vazão ao instinto da sobrevivência ou, se quisermos, ao vitalismo, de uma forma genérica. Há toda uma animação e vontade gregária/vitalista das gentes nos serões com namoricos e o gozo, como que a justificarem a falta de liberdades e as poucas notícias de outras terras e de outras culturas. (cf. RIBEIRO: 1974, pp. 46-49).

5-O AMOR SOLIDARIEDADE E O AMOR QUE PERDOA

Embora no estilo de romance, Aquilino em “Terras do Demo” faz uma análise das pessoas e da natureza envolvente. Deixa-nos um documento com valor etnográfico, incluindo os defeitos “O homem é o lobo do homem”.  Mas este mesmo homem não é só lobo, ele é também capaz de perdoar e de se desprender dos seus próprios bens. É o caso do “brasileiro” Alonso que ao chegar subitamente à sua aldeia lhe é revelada a infidelidade/traição da mulher. Aí ele desfaz-se de todas as suas prendas que traz do Brasil para a mulher e distribui tudo pelas pessoas da Terra, como num ágape (refeição / amor que se doa/distribui/comunga). Ao chegar junto da esposa com intenções de a matar, ela mesma se antecipa, expondo-se e clamando ao marido que a mate porque é o que merece. A esposa – Zefa do Alonso entrega a vida pelo amor e é ainda o Amor que a vai resgatar da morte por ter cedido ao vitalismo da carne. Perante o clamor da esposa “mata-me, mata-me”, o Alonso fica desarmado de fúria; não consegue fazer mal algum e, pelo contrário, protege a mulher cobrindo-lhe as partes sensuais com que ficara involuntariamente exposta.

Aquilino escreve sobre o Homem da Nave/Terras do Demo para comunicar a sua Terra, fazendo denúncia das condições miseráveis. É pelo amor solidariedade, pelo semelhante e pela natureza que escreve e luta. As personagens são cópia das pessoas reais. Através delas vemos a miséria que grassa pelas terras frias, difíceis de trabalhar, onde o pão é escasso. O discurso está mesclado com valores ético-religiosos. É como no Amor bíblico, traduzido em: “amarás o próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este” (Marcos 12,30-31).

Fontes:

-FIDALGO, Anabela (Prof.) – Resumos de Aulas de Literatura da Professora. USMMA, 2014/2015

-RIBEIRO, Aquilino – Terras do Demo. Lisboa: Círculo de Leitores, 1974

-RODRIGUES, Urbano Tavares – A Horas e Desoras- Lisboa: Edições Colibri, 1993

Em linha:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – A Primavera e a Criação in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2013/04/15/A-CRIA_C700C300_O-INCLUINDO-OS-EF_C900_MEROS-HOMEM_2F00_MULHER.aspx

—————- Aquilino Cívico Carismático e Castiço in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2013/06/05/AQUILINO-C_CD00_VICO-CARISM_C100_TICO-E-CASTI_C700_O-.aspx

—————- Aquilino Ribeiro – da Lapa à Sorbonne passando pelo M.U.D. e pela Sociedade Portuguesa de Escritores in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2013/06/24/AQUILINO-RIBEIRO-_9600_-DA-LAPA-_C000_-SORBONNE-PASSANDO-PELO-M.U.D.-E-PELA-SOCIEDADE-PORTUGUESA-DE-ESCRITORES-.aspx

—————- Aquilino Ribeiro e sua Obra  in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2013/05/29/AQUILINO-RIBEIRO-E-SUA-OBRA-.aspx

—————– Marcas na Beiraltíssima: Terras do Demo e de Magriço – Preparação de Visita in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2013/10/19/Marcas-na-Beiralt_ED00_ssima_3A00_-Terras-do-Demo-e-de-Magri_E700_o-_2D00_-Prepara_E700E300_o-de-Visita.aspx

-FERREIRA, Ana Maria – Fernanda Almeida partilha berço com o escritor Aquilino Ribeiro in http://expresso.sapo.pt/aquilino-ribeiro-fernanda-almeida-partilha-berco-com-o-escritor-cfotos=f117118 / Agência Lusa, 15.9.2007

-LIMA, Conceição – As Reconfigurações do Amor em Aquilino Ribeiro: Incursão em Obras Representativas.- Dissertação de mestrado in https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/15188/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20mestrado_Concei%C3%A7%C3%A3oLima.pdf, s. l., s.d.

-QUEIRÓS, António dos Santos – Aquilino Ribeiro e a Filosofia da Natureza e do Ambiente in http://philoetichal.blogspot.pt/p/projecto-de-investigacao-filosofia-e.html?showComment=1365462770347, acedido em 15.4.2015

-RODRIGUES, Manuel – Filosofia e Ética – in (cf. http://philoetichal.blogspot.pt/p/projecto-de-investigacao-filosofia-e.html?showComment=1365462770347)

—————— “O militante nº 260” in http://www.pcp.pt/publica/militant/260/p18.html).

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