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ALÔ PHAROL ALÔ PORTUGAL

9 Ago

Alô Pharol, alô Armando

Que as comunicações a teu mando

Dos Açores até ao Minho

Percorram o bom caminho

Para Portugal valorizar,

Comunicar, quiçá alumiar,

Fazendo jus e glória

A séculos da nossa História.

Desde o interesse da Altice Group onde Armando Pereira tem uma participação de relevo, achei possível e curial a compra e aliança entre capitais, tecnologias e recursos humanos lusos e franceses. Na impossibilidade de recuperarmos a PT para a esfera pública; que ela fique em mãos de países e de gente com proximidades, com a qual mantemos fortes relações económicas e sem complexos históricos de parte a parte, não obstante as guerras peninsulares de inícios do século XIX.

Para lá da relação de confiança entres os dois países, o protagonista Armando Pereira é um homem prático que subiu a pulso, “comeu o pão que o diabo amassou”. Creio que é um amigo da terra natal, de Portugal e de França. Estará interessado em que a ex PT SGPS; agora denominada Pharol SGPS SA, tenha sucesso. Sabemos que as ações da bolsa não têm valorizado. Mas se a situação anterior se mantivesse, cremos que o resultado seria pior. Haja esperança e confiança e os bons resultados poderão aparecer.

Deixo aqui algumas notas históricas sobre os precedentes da Empresa para que o orgulho, no bom sentido, seja de novo exaltado. Vem isto a preceito da nova empresa se chamar PHarol, o que, em certo sentido, é uma visão sobre as origens; visão essa, projetada no futuro, porque, não há futuro sem um bom alicerce no passado.

A História organizada das comunicações, de interesse público, tem origem nos Pharoes (faróis na grafia atual).

O 2º Director-Geral dos Correios e 1º Director-Geral dos Correios, Telegraphos e Pharoes – Guilhermino Augusto de Barros escreve no seu relatório e memória histórica de 1889 que “O seculo XVI, em que a nossa glória de navegadores tocou o apogeu, marca, segundo parece, a epocha provável da iniciação do alumiamento de alguns pontos da costa do continente portuguez”. (1).

Sabemos que o início da atividade documentada dos Faróis, em Portugal, precedeu cerca de quatro anos a entrada dos Correios públicos. “A primeira noticia que temos de pharoes refere-se a 1515”. BARROS refere como fonte a “Chronologia da Piedade” por fr. Manuel de Monforte, pág. 194 a 197, 200, 201 a 214: “Parece que o primeiro pharol da costa de Portugal foi construído no Cabo de S. Vicente. D. Fernando Coutinho, bispo do Algarve, levado, talvez, d`estes impulsos de humanidade, mandou construir uma torre de pharol no convento de S. Vicente ao cabo do mesmo nome […]” (2).

Por esta altura os Faróis ainda eram rudimentares, não possuíam lentes de aumento e o alumiamento não era elétrico. Funcionavam com combustíveis tradicionais: lenha, cebo e azeite. Mas foi o início de uma atividade que nunca mais cessou e também do ponto de vista tecnológico. Em princípio, eram as irmandades que se ocupavam dos Faróis, por questões de humanidade, para evitar naufrágios e acidentes.

Em fase posterior são entregues à Marinha portuguesa. Depois passam para os Correios Telegraphos e Pharoes; novamente para a Marinha e, um dia, no futuro, quem sabe se não serão geridos pela atividade privada, tal como acontece com os correios e as telecomunicações, cujas atividades eram estatais. Contudo, a convicção e tradição era de que os correios e telecomunicações nunca poderiam passar para a esfera privada por constituírem um poder e também um perigo para a inviolabilidade das correspondências.

Em 1520, D. Manuel cria o ofício de Correio-mor. Em 1525 o cargo é ocupado, já no reinado de D. João III. Por razões de falta de dinheiros públicos, tal como na atualidade, este ofício foi privatizado e vendido por Filipe II em 1606 ao Correio-Mor Luís Gomes da Matta, a título hereditário. Luís Gomes da Matta era de família de origem judia com imensa riqueza. Esta família vem de Espanha, onde utilizava o apelido de Coronel. Terá sido expulsa de Espanha pelos reis católicos. Com a mudança de identidade vemos, pois, a comunidade judia a mudar de nomes adotando, frequentemente, termos e nomes relativos à Natureza. É o caso de Matta, Pereira, etc. (cf. PT.Chabad.Org). Porém, em:

-1797. O poder régio vem reivindicar, novamente, os negócios e o controlo das comunicações. É já com D. Maria I que o Estado expropria o Ofício do Correio, através de Alvará régio, a Manuel José da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho indemnizando o proprietário. É então que o Correio passa para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Vem isto, também, a propósito da gestão dos faróis, hoje à responsabilidade da Marinha Portuguesa. E pomos a questão: Quem sabe se, um dia, a administração, gestão e, quiçá, o equipamento não serão vendidos aos empresários da PHArol, ou outros concorrentes; especialmente quando a Marinha Portuguesa tiver de patrulhar com eficácia e eficiência a costa e o imenso mar que o novo mapa português nos atribui com uma das maiores áreas e recursos a nível mundial?

-1798. Um novo Alvará regula os Correios Marítimos para o território do Brasil, bem como os transportes: Diligências postais e passageiros entre Lisboa e Coimbra.

-1809. É introduzida a telegrafia visual, também dita óptica, na sequência da Guerra Peninsular. É ainda a Marinha que funciona com este equipamento, auxiliada pelas forças inglesas, por via das invasões francesas.

-1821. Tem início o Correio Marítimo, entre Portugal Continental, Madeira e Açores.

  1. São iniciadas as Reais Diligências da Posta, entre Aldeia Galega (Montijo) e Badajoz com vista às comunicações postais com Espanha.

-1832. O Telégrafo visual é instalado nos Açores, na sequência do estacionamento do Exército Liberal.

  1. Realiza-se uma Convenção Postal entre Portugal e França.

-1850. Convenção Postal entre Portugal e Espanha.

-1852. É criada a Direcção Geral de Correios e Postas do Reino no novo Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, presidido por António Maria Fontes Pereira de Melo.

-1855. Têm início as carreiras da Malaposta para correio e passageiros; primeiro entre Lisboa e Coimbra, estendendo-se depois até ao Porto. Neste mesmo ano tem início a Telegrafia Elétrica.

-1863. Começam a circular as ambulâncias ferroviárias postais de transporte, organização e entrega de malas de correio.

-1870. Têm início as primeiras mensagens por Cabo Telegráfico Submarino entre Portugal (Carcavelos) e Inglaterra (Porthcurno)

-1874. É Criada a União Postal Universal em Berna/Suíça para regular a atividade postal entre os países.

-1879. Estabelecem-se as primeiras conversações telefónicas com telefones portugueses, entre Lisboa, Bom Sucesso, Barreiro e Setúbal sobre as linhas telegráficas, únicas vias de telecomunicações elétricas existentes na altura.

  1. Dá-se a fusão das Direcções Gerais: Correios e Telégrafos/Faróis, sob a dependência do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.

-1882. Os telefones precursores, então existentes, ponto a ponto, são integrados nas duas primeiras redes: a de Lisboa e a do Porto, sob a gestão da empresa concessionária – The Edison Gower Bell Telephone of Europe. Começa também a funcionar o primeiro locutório, denominado Estação Garret na casa Havaneza, ao Chiado.

-1887. A The Edison Gower Bell Telephone of Europe de Londres a funcionar em Lisboa e no Porto é adquirida pela The Anglo-Portuguese Telephone Company. Começa então a “nacionalização” das telecomunicações, embora o termo nacionalização seja algo forte para a altura.

-1911. Com a mudança de regime – monárquico para o republicano fazem-se reformas. Cria-se a Administração-geral dos Correios e Telégrafos (AGCT). Ao mesmo tempo dá-se-lhe autonomia administrativa e financeira. É a primeira vez que surge esta sigla, passando a representar a atividade de Correios, Telégrafos e Fiscalização das Indústrias Eléctricas. O telefone ainda não é referenciado na sigla, embora a exploração das primeiras redes date de 1882.

-1925.Constituição da CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi para fazer face à necessidade de comunicar entre o disperso Império português e comunicações internacionais.

-1936. É a vez da Madeira a operar com a telegrafia visual.

-1937. Surge a sigla CTT – Correios Telégrafos e Telefones e durante várias décadas chama-se, abreviadamente, CTF`s às Estações dos CTT que desempenham serviços de correio, telégrafo e telefone.

-1966. A Marconi em Portugal torna-se efetivamente em CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi através da nacionalização de 51% do capital.

1967. A APT – Anglo Portuguese Telephone dá origem aos TLP – Telefones de Lisboa e Porto, tornando-se a Companhia efetivamente nacional através do resgate efetuado pelo Estado português.

-1969. A Administração Geral dos CTT transformam-se em – CTT EP – Empresa Pública de Correios e Telecomunicações de Portugal.

-1983. Criação da Telepac para comutação e transmissão de dados.

-1987. No centro histórico de Carnide é instalada a primeira estação de comutação digital dos TLP.

-1989. Os TLP – Telefones de Lisboa e Porto transformam-se em TLP – Telefones de Lisboa e Porto, SA – Sociedade Anónima;

-1989. As estações centrais dos CTT e TLP incluem a tecnologia para o serviço de Telebip (telemensagens) parecendo, na altura, uma tecnologia e serviço a ser expandido mas que a introdução dos operadores móveis TMN e Telecel, apenas dois anos após, vêm “determinar” o declínio da Telemensagem/Telebip

-1991. O Estado português licencia A TMN – Telefones Móveis Nacionais e a congénere Telecel para exploração dos serviços GSM (Global System for Mobile Telecomunications)

-1992. A TMN inicia os seus serviços de telefonia móvel (GSM).

-1992. Cria-se: A Sociedade Gestora de Participações Sociais do sector empresarial do Estado, denominada Comunicações Nacionais, SA;

Os CTT – Empresa Pública; e Comunicações Nacionais, SA dão origem aos CTT – SA e Telecom Portugal SA, passando a existir duas empresas por cisão dos serviços CTT.

-1993. Início da TV Cabo na Madeira e Açores.

-1994. Fusão das empresas Telecom Portugal SA, Telefones de Lisboa e Porto, SA e Teledifusora de Portugal SA, resultando na empresa Portugal Telecom, SA. Começa a funcionar a TV Cabo;

-1994. Dá-se a fusão das empresas Telecom Portugal, SA com os TLP – Telefones de Lisboa e Porto, S.A., com a Teledifusora de Portugal, SA na única denominação de Portugal Telecom, SA;

-1994. Disponibilização do serviço Internet pela Telepac;

-1995. O portal Sapo – Serviço de Apontadores Portugueses é fundado na Universidade de Aveiro.

-1995-2000. A Portugal Telecom é privatizada em 5 fases.

-2007. Surge na Portugal Telecom o projeto MEO para os produtos: Televisão, internet, telefonia fixa e telemóvel.

-2008. A MEO entra ao serviço através do sistema IPTV (internet protocol television) em cabos de cobre.

-2009. A Meo opera pelo sistema FTTH (fiber-to-the-home) em cabos de fibra ótica.

-2014. A PT SGPS e a Oi acordam sobre um Memorando de Entendimento para a constituição dum Grupo de dimensão internacional. Mas eis que surge a crise e a problemática financeira ligada à Rioforte – sociedade de investimentos do Grupo Espírito Santo envolvida com a PT SGPS e a Oi, o que faz abortar os projetos de Telecomunicações entre o Brasil e Portugal

-2014/2015. Acabam as empresas/marcas PT Comunicações e a TMN com o nascimento da MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia.

-2015. A Portugal Telecom/PT Portugal funde a PT Comunicações com a MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, resultando na designação de MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA;

-2015. A PT Portugal torna-se numa subsidiária da Altice Group. Em Portugal surge com o nome de PHarol, sendo Armando Pereira, o Presidente do Conselho de Administração, natural de Guilhofrei, concelho de Vieira do Minho e detentor de cerca de 30% do Grupo Altice.

Em conclusão, verifica-se através da mini cronologia aqui apresentada que a empresa de telecomunicações PHarol tem importantes antecedentes históricos. Primeiro os serviços eram explorados pelo Estado; depois por Empresas públicas, SA e por SGPS.

Armando Pereira não saberá de telecomunicações mas tudo parece indicar que tem bom senso no difícil contexto que tem pela frente. É um homem da Europa, português e francês por adoção. Esperamos que a Altice Group e a PHarol desenvolvam prestígio, tecnologias e negócios, fazendo jus à longa história das comunicações de Portugal.

Notas:

(1) BARROS: 1889, p.13

(2) Ibid, p.14

Tags: CTT, Correios, História, Pharol, Portugal-Telecom, PT, PT-Portugal, Telecomunicações

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo. “Allô Lisboa”. Lisboa: FPC Códice Ano VII Série II, 2004, págs 36-45.

-ANCIÃES, Alfredo; SALDANHA, Júlia, VARÃO, Isabel, et al. – Cronologia Postal e de Telecomunicações. Lisboa: CDI, Património Postal e de Telecomunicações da Fundação Portuguesa das Comunicações, 1990`s-2010.

-ALMEIDA, Joel; ANCIÃES, Alfredo; CORDEIRO, Ricardo; MOUTA, Margarida; SALDANHA, Júlia, SANTOS, Alva; VARÃO, Isabel, WEBER, Cristina – Comunicar na República. 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: Dupladesign; Fundação Portuguesa das Comunicações, [2010].

-BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório do Director Geral dos Correios, Telegraphos e Semaphoros relativo ao anno de 1889 precedido pela continuação da História dos Correios até ao fim de 1888 e de uma memoria historica acerca da telegrafia visual, electrica, terrestre, maritima, telephonica e semaphorica, desde o seu estabelecimento em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1891.- Título do livro / relatório com 201 páginas, reeditado, composto e impresso por: G7 – Artes Gráficas, Ldª. Lisboa, 1992.

-BARROS, Guilhermino Augusto de; Direcção Geral dos Correios – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 precedido de uma memoria historica relativa aos correios portuguezes desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Lallemant Frères, Typ. Fornecedores da Casa de Bragança, 1879.

Em linha:

-A nossa História –

http://www.telecom.pt/InternetResource/PTSite/PT/Canais/SobreaPT/Qu…

-Sobrenomes judaicos – http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1525027/jewish/Sob…

-Anciães, Alfredo – Minhas memórias

http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/37-minhas-mem-rias-e…

-MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA – https://pt.wikipedia.org/wiki/Meo