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ALÔ PHAROL ALÔ PORTUGAL

9 Ago

Alô Pharol, alô Armando

Que as comunicações a teu mando

Dos Açores até ao Minho

Percorram o bom caminho

Para Portugal valorizar,

Comunicar, quiçá alumiar,

Fazendo jus e glória

A séculos da nossa História.

Desde o interesse da Altice Group onde Armando Pereira tem uma participação de relevo, achei possível e curial a compra e aliança entre capitais, tecnologias e recursos humanos lusos e franceses. Na impossibilidade de recuperarmos a PT para a esfera pública; que ela fique em mãos de países e de gente com proximidades, com a qual mantemos fortes relações económicas e sem complexos históricos de parte a parte, não obstante as guerras peninsulares de inícios do século XIX.

Para lá da relação de confiança entres os dois países, o protagonista Armando Pereira é um homem prático que subiu a pulso, “comeu o pão que o diabo amassou”. Creio que é um amigo da terra natal, de Portugal e de França. Estará interessado em que a ex PT SGPS; agora denominada Pharol SGPS SA, tenha sucesso. Sabemos que as ações da bolsa não têm valorizado. Mas se a situação anterior se mantivesse, cremos que o resultado seria pior. Haja esperança e confiança e os bons resultados poderão aparecer.

Deixo aqui algumas notas históricas sobre os precedentes da Empresa para que o orgulho, no bom sentido, seja de novo exaltado. Vem isto a preceito da nova empresa se chamar PHarol, o que, em certo sentido, é uma visão sobre as origens; visão essa, projetada no futuro, porque, não há futuro sem um bom alicerce no passado.

A História organizada das comunicações, de interesse público, tem origem nos Pharoes (faróis na grafia atual).

O 2º Director-Geral dos Correios e 1º Director-Geral dos Correios, Telegraphos e Pharoes – Guilhermino Augusto de Barros escreve no seu relatório e memória histórica de 1889 que “O seculo XVI, em que a nossa glória de navegadores tocou o apogeu, marca, segundo parece, a epocha provável da iniciação do alumiamento de alguns pontos da costa do continente portuguez”. (1).

Sabemos que o início da atividade documentada dos Faróis, em Portugal, precedeu cerca de quatro anos a entrada dos Correios públicos. “A primeira noticia que temos de pharoes refere-se a 1515”. BARROS refere como fonte a “Chronologia da Piedade” por fr. Manuel de Monforte, pág. 194 a 197, 200, 201 a 214: “Parece que o primeiro pharol da costa de Portugal foi construído no Cabo de S. Vicente. D. Fernando Coutinho, bispo do Algarve, levado, talvez, d`estes impulsos de humanidade, mandou construir uma torre de pharol no convento de S. Vicente ao cabo do mesmo nome […]” (2).

Por esta altura os Faróis ainda eram rudimentares, não possuíam lentes de aumento e o alumiamento não era elétrico. Funcionavam com combustíveis tradicionais: lenha, cebo e azeite. Mas foi o início de uma atividade que nunca mais cessou e também do ponto de vista tecnológico. Em princípio, eram as irmandades que se ocupavam dos Faróis, por questões de humanidade, para evitar naufrágios e acidentes.

Em fase posterior são entregues à Marinha portuguesa. Depois passam para os Correios Telegraphos e Pharoes; novamente para a Marinha e, um dia, no futuro, quem sabe se não serão geridos pela atividade privada, tal como acontece com os correios e as telecomunicações, cujas atividades eram estatais. Contudo, a convicção e tradição era de que os correios e telecomunicações nunca poderiam passar para a esfera privada por constituírem um poder e também um perigo para a inviolabilidade das correspondências.

Em 1520, D. Manuel cria o ofício de Correio-mor. Em 1525 o cargo é ocupado, já no reinado de D. João III. Por razões de falta de dinheiros públicos, tal como na atualidade, este ofício foi privatizado e vendido por Filipe II em 1606 ao Correio-Mor Luís Gomes da Matta, a título hereditário. Luís Gomes da Matta era de família de origem judia com imensa riqueza. Esta família vem de Espanha, onde utilizava o apelido de Coronel. Terá sido expulsa de Espanha pelos reis católicos. Com a mudança de identidade vemos, pois, a comunidade judia a mudar de nomes adotando, frequentemente, termos e nomes relativos à Natureza. É o caso de Matta, Pereira, etc. (cf. PT.Chabad.Org). Porém, em:

-1797. O poder régio vem reivindicar, novamente, os negócios e o controlo das comunicações. É já com D. Maria I que o Estado expropria o Ofício do Correio, através de Alvará régio, a Manuel José da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho indemnizando o proprietário. É então que o Correio passa para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Vem isto, também, a propósito da gestão dos faróis, hoje à responsabilidade da Marinha Portuguesa. E pomos a questão: Quem sabe se, um dia, a administração, gestão e, quiçá, o equipamento não serão vendidos aos empresários da PHArol, ou outros concorrentes; especialmente quando a Marinha Portuguesa tiver de patrulhar com eficácia e eficiência a costa e o imenso mar que o novo mapa português nos atribui com uma das maiores áreas e recursos a nível mundial?

-1798. Um novo Alvará regula os Correios Marítimos para o território do Brasil, bem como os transportes: Diligências postais e passageiros entre Lisboa e Coimbra.

-1809. É introduzida a telegrafia visual, também dita óptica, na sequência da Guerra Peninsular. É ainda a Marinha que funciona com este equipamento, auxiliada pelas forças inglesas, por via das invasões francesas.

-1821. Tem início o Correio Marítimo, entre Portugal Continental, Madeira e Açores.

  1. São iniciadas as Reais Diligências da Posta, entre Aldeia Galega (Montijo) e Badajoz com vista às comunicações postais com Espanha.

-1832. O Telégrafo visual é instalado nos Açores, na sequência do estacionamento do Exército Liberal.

  1. Realiza-se uma Convenção Postal entre Portugal e França.

-1850. Convenção Postal entre Portugal e Espanha.

-1852. É criada a Direcção Geral de Correios e Postas do Reino no novo Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, presidido por António Maria Fontes Pereira de Melo.

-1855. Têm início as carreiras da Malaposta para correio e passageiros; primeiro entre Lisboa e Coimbra, estendendo-se depois até ao Porto. Neste mesmo ano tem início a Telegrafia Elétrica.

-1863. Começam a circular as ambulâncias ferroviárias postais de transporte, organização e entrega de malas de correio.

-1870. Têm início as primeiras mensagens por Cabo Telegráfico Submarino entre Portugal (Carcavelos) e Inglaterra (Porthcurno)

-1874. É Criada a União Postal Universal em Berna/Suíça para regular a atividade postal entre os países.

-1879. Estabelecem-se as primeiras conversações telefónicas com telefones portugueses, entre Lisboa, Bom Sucesso, Barreiro e Setúbal sobre as linhas telegráficas, únicas vias de telecomunicações elétricas existentes na altura.

  1. Dá-se a fusão das Direcções Gerais: Correios e Telégrafos/Faróis, sob a dependência do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.

-1882. Os telefones precursores, então existentes, ponto a ponto, são integrados nas duas primeiras redes: a de Lisboa e a do Porto, sob a gestão da empresa concessionária – The Edison Gower Bell Telephone of Europe. Começa também a funcionar o primeiro locutório, denominado Estação Garret na casa Havaneza, ao Chiado.

-1887. A The Edison Gower Bell Telephone of Europe de Londres a funcionar em Lisboa e no Porto é adquirida pela The Anglo-Portuguese Telephone Company. Começa então a “nacionalização” das telecomunicações, embora o termo nacionalização seja algo forte para a altura.

-1911. Com a mudança de regime – monárquico para o republicano fazem-se reformas. Cria-se a Administração-geral dos Correios e Telégrafos (AGCT). Ao mesmo tempo dá-se-lhe autonomia administrativa e financeira. É a primeira vez que surge esta sigla, passando a representar a atividade de Correios, Telégrafos e Fiscalização das Indústrias Eléctricas. O telefone ainda não é referenciado na sigla, embora a exploração das primeiras redes date de 1882.

-1925.Constituição da CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi para fazer face à necessidade de comunicar entre o disperso Império português e comunicações internacionais.

-1936. É a vez da Madeira a operar com a telegrafia visual.

-1937. Surge a sigla CTT – Correios Telégrafos e Telefones e durante várias décadas chama-se, abreviadamente, CTF`s às Estações dos CTT que desempenham serviços de correio, telégrafo e telefone.

-1966. A Marconi em Portugal torna-se efetivamente em CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi através da nacionalização de 51% do capital.

1967. A APT – Anglo Portuguese Telephone dá origem aos TLP – Telefones de Lisboa e Porto, tornando-se a Companhia efetivamente nacional através do resgate efetuado pelo Estado português.

-1969. A Administração Geral dos CTT transformam-se em – CTT EP – Empresa Pública de Correios e Telecomunicações de Portugal.

-1983. Criação da Telepac para comutação e transmissão de dados.

-1987. No centro histórico de Carnide é instalada a primeira estação de comutação digital dos TLP.

-1989. Os TLP – Telefones de Lisboa e Porto transformam-se em TLP – Telefones de Lisboa e Porto, SA – Sociedade Anónima;

-1989. As estações centrais dos CTT e TLP incluem a tecnologia para o serviço de Telebip (telemensagens) parecendo, na altura, uma tecnologia e serviço a ser expandido mas que a introdução dos operadores móveis TMN e Telecel, apenas dois anos após, vêm “determinar” o declínio da Telemensagem/Telebip

-1991. O Estado português licencia A TMN – Telefones Móveis Nacionais e a congénere Telecel para exploração dos serviços GSM (Global System for Mobile Telecomunications)

-1992. A TMN inicia os seus serviços de telefonia móvel (GSM).

-1992. Cria-se: A Sociedade Gestora de Participações Sociais do sector empresarial do Estado, denominada Comunicações Nacionais, SA;

Os CTT – Empresa Pública; e Comunicações Nacionais, SA dão origem aos CTT – SA e Telecom Portugal SA, passando a existir duas empresas por cisão dos serviços CTT.

-1993. Início da TV Cabo na Madeira e Açores.

-1994. Fusão das empresas Telecom Portugal SA, Telefones de Lisboa e Porto, SA e Teledifusora de Portugal SA, resultando na empresa Portugal Telecom, SA. Começa a funcionar a TV Cabo;

-1994. Dá-se a fusão das empresas Telecom Portugal, SA com os TLP – Telefones de Lisboa e Porto, S.A., com a Teledifusora de Portugal, SA na única denominação de Portugal Telecom, SA;

-1994. Disponibilização do serviço Internet pela Telepac;

-1995. O portal Sapo – Serviço de Apontadores Portugueses é fundado na Universidade de Aveiro.

-1995-2000. A Portugal Telecom é privatizada em 5 fases.

-2007. Surge na Portugal Telecom o projeto MEO para os produtos: Televisão, internet, telefonia fixa e telemóvel.

-2008. A MEO entra ao serviço através do sistema IPTV (internet protocol television) em cabos de cobre.

-2009. A Meo opera pelo sistema FTTH (fiber-to-the-home) em cabos de fibra ótica.

-2014. A PT SGPS e a Oi acordam sobre um Memorando de Entendimento para a constituição dum Grupo de dimensão internacional. Mas eis que surge a crise e a problemática financeira ligada à Rioforte – sociedade de investimentos do Grupo Espírito Santo envolvida com a PT SGPS e a Oi, o que faz abortar os projetos de Telecomunicações entre o Brasil e Portugal

-2014/2015. Acabam as empresas/marcas PT Comunicações e a TMN com o nascimento da MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia.

-2015. A Portugal Telecom/PT Portugal funde a PT Comunicações com a MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, resultando na designação de MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA;

-2015. A PT Portugal torna-se numa subsidiária da Altice Group. Em Portugal surge com o nome de PHarol, sendo Armando Pereira, o Presidente do Conselho de Administração, natural de Guilhofrei, concelho de Vieira do Minho e detentor de cerca de 30% do Grupo Altice.

Em conclusão, verifica-se através da mini cronologia aqui apresentada que a empresa de telecomunicações PHarol tem importantes antecedentes históricos. Primeiro os serviços eram explorados pelo Estado; depois por Empresas públicas, SA e por SGPS.

Armando Pereira não saberá de telecomunicações mas tudo parece indicar que tem bom senso no difícil contexto que tem pela frente. É um homem da Europa, português e francês por adoção. Esperamos que a Altice Group e a PHarol desenvolvam prestígio, tecnologias e negócios, fazendo jus à longa história das comunicações de Portugal.

Notas:

(1) BARROS: 1889, p.13

(2) Ibid, p.14

Tags: CTT, Correios, História, Pharol, Portugal-Telecom, PT, PT-Portugal, Telecomunicações

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo. “Allô Lisboa”. Lisboa: FPC Códice Ano VII Série II, 2004, págs 36-45.

-ANCIÃES, Alfredo; SALDANHA, Júlia, VARÃO, Isabel, et al. – Cronologia Postal e de Telecomunicações. Lisboa: CDI, Património Postal e de Telecomunicações da Fundação Portuguesa das Comunicações, 1990`s-2010.

-ALMEIDA, Joel; ANCIÃES, Alfredo; CORDEIRO, Ricardo; MOUTA, Margarida; SALDANHA, Júlia, SANTOS, Alva; VARÃO, Isabel, WEBER, Cristina – Comunicar na República. 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: Dupladesign; Fundação Portuguesa das Comunicações, [2010].

-BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório do Director Geral dos Correios, Telegraphos e Semaphoros relativo ao anno de 1889 precedido pela continuação da História dos Correios até ao fim de 1888 e de uma memoria historica acerca da telegrafia visual, electrica, terrestre, maritima, telephonica e semaphorica, desde o seu estabelecimento em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1891.- Título do livro / relatório com 201 páginas, reeditado, composto e impresso por: G7 – Artes Gráficas, Ldª. Lisboa, 1992.

-BARROS, Guilhermino Augusto de; Direcção Geral dos Correios – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 precedido de uma memoria historica relativa aos correios portuguezes desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Lallemant Frères, Typ. Fornecedores da Casa de Bragança, 1879.

Em linha:

-A nossa História –

http://www.telecom.pt/InternetResource/PTSite/PT/Canais/SobreaPT/Qu…

-Sobrenomes judaicos – http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1525027/jewish/Sob…

-Anciães, Alfredo – Minhas memórias

http://museologiaporto.ning.com/profiles/blogs/37-minhas-mem-rias-e…

-MEO-Serviços de Comunicações e Multimédia, SA – https://pt.wikipedia.org/wiki/Meo

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48. COMUNICAÇÕES D`OUTRORA E UMA PERSPETIVA DE FUTURO – O CASO DE J.C.BOSE

11 Jul

Jagadish Chandra Bose (2) nasceu e faleceu na Índia (1858 -1937)

Na época de Bose, a telegrafia elétrica (transmissão da escrita à distância através de fios condutores) já havia sido inventada e implementada. Idem quanto à telefonia tradicional. Contudo, a radiotelegrafia e a radiotelefonia, só nos finais do século XIX/ início do XXº dão sinais de vida. Neste processo, Bose exerceu meritórias ações, as quais nunca será demais destacar.

As investigações de Bose e do físico Édouard Branly (Amiens, 1844 – 1940, Paris) foram quase simultâneas e, provavelmente, independentes uma da outra. Branly foi o primeiro, do ponto de vista do registo de patente com o detetor (dito coesor de Branly), enquanto Bose inventou peça semelhante mas conformou-se com a divulgação no sistema de ensino e no emprego da mesma peça em explosões de pedreiras e também nos sinais em campainhas por via radioelétrica. Bose estava mais interessado na segurança de vidas humanas e na divulgação do conhecimento, através do ensino que ministrava, do que em realizar proventos pela venda de serviços e equipamentos.

A sua genialidade como físico, biofísico, botânico, fisiologista e arqueólogo, foi direcionada para a relação humanista. Altruísta, parece ter descurado o desenvolvimento na vertente das comunicações, deixando o caminho aberto para outros investigadores, tal como veio a acontecer, com a evolução das telecomunicações inclusivamente na Era digital. Bose iniciou a investigação que viria a dar frutos com os semicondutores, base das comunicações modernas/atuais à distância.

Mais interessado pelos fenómenos da vida e desta com o Absoluto (3), Bose privilegia o estudo da relação homem/meio ambiente. Para Bose, a natureza vegetal não é desprovida de sensações de bem-estar, mal-estar; não é indiferente a estímulos. Uma planta pode sentir a presença de bons e maus fluídos e reage a sensações e comunicações.

Tudo parece indicar, que o reino vegetal comunica com o meio, libertando odores e desenvolvendo-se ou retraindo-se no seu crescimento e morte; na frutificação abundante e generosa, ou no definhamento e esterilidade.

Para comprovar os atributos de sensação/reação, felicidade/bem-estar que a sua intuição e espírito lhe sugeriam, Bose inventa um equipamento a que chama crescógrafo (4) permitindo a ampliação, das manifestações reativas/comunicativas do reino vegetal, até cerca de 10.000 vezes

Dada a sua personalidade de polígrafo, Bose dedica-se mais ao ensino dos princípios e fundamentos do que às questões formais e autorais. Filho de um magistrado, estuda em Calcutá, a partir dos 9 anos, onde conclui uma licenciatura. Em 1880 já se encontra em Londres onde segue Medicina, que não conclui devido a ter desenvolvido uma doença de malária. Muda de curso e licencia-se em Física. Entre vários professores encontra Francis Darwin, filho do célebre Charles Darwin.

Regressa a Calcutá onde trabalha cerca de 30 anos. Leciona e investiga no Presidency College e é nas duas últimas décadas do século XIX que realiza várias investigações, entre elas: sobre ondas eletromagnéticas, precedendo Marconi.

Nestes anos consegue fazer explodir uma carga à distância, através do espaço radioelétrico, isto é, sem o uso de fios e faz tocar uma campainha, também sem o recurso de traçados contínuos. Estavam dados os passos essenciais para as radiocomunicações. Em 1896 o Daily Chronicle relata a experiência da sua comunicação à distância, sem fios.

Quase pela mesma altura o russo Alexander Popov, também realiza experiências no sentido de comunicar por via radioelétrica. Mas Popov escreve em 1895 que mantinha a esperança de comunicar, sem fios; logo verifica-se que, neste ano de 1895, ainda não tinha conseguido o seu desiderato. Quanto a Marconi, também só em 1897 consegue resultados aceitáveis e encorajadores.

Bose não teve intenção em manter em segredo a sua investigação. Não o movia o desígnio de criação de empresas e negócios, apenas a divulgação científica entre a população interessada. Mas não faltava quem por interesses pessoais, quiçá egoístas, quisesse apresentar inovações. Ele próprio desabafa com um amigo poeta, e igualmente polígrafo de Calcutá – Rabindranath Tagore, em 1901, sobre o espírito de ganância pelo dinheiro que encontra em obcecados concorrentes.

Bose investiga e trabalha sobre as ondas curtas que estão na base da revolução das comunicações a longas distâncias. Inventa um protótipo de díodo (5) semicondutor de cristais, funcionando como peça transmissora de informação e descobre as micro ondas.

A este respeito estava tão avançado em relação ao seu tempo que o Prémio Nobel de Física de 1977 – Nevill Mott confirma que Bose estava “60 anos avançado em relação à sua época”(6).

Notas:

(1)Proveniência e gentileza da imagem: Royal Institution Jagadish Chandra Bose e, EMERSON, D. T in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/bose/bose.html; es.wikipedia

(2)É interessante o termo bose por estar associado ao “pequeno e discreto” (cf. http://mundodasmarcas.blogspot.pt/2006/05/bose-better-sound-through-research.html, https://pt.wikipedia.org/wiki/Condensado_de_Bose-Einstein). O bosão, por sua vez, ganhou o significado de “a partícula mais pequena de Deus”. O nome Bose parece ter sido inspirado aos seus progenitores. Porém, Bose, originário de um território colonizado tornou-se grande, não só na India, como na Metrópole, G. B., e no Mundo, estando hoje as suas obras, e as que dele falam, traduzidas em cerca de 20 línguas.

(3)A expressão Absoluto é aqui empregu em vez de Deus, Javé e Alá, cujas referências estão ainda ligadas a religiões e culturas diferentes, o mais das vezes em competição ou em guerra declarada

(4)Crescógrafo – substantivo masculino do latim cresco, crescer + grafo, registo, isto é, aparelho amplificador e registador do crescimento das plantas. (cf. Dicio – Dicionário Online português). Diz-nos o guru indiano Paramahansa Yogananda, na sua obra onde se refere a Bose, que este precursor “recebeu o título de Cavaleiro pela Administração Britânica, em 1917, pela invenção do crescógrafo”, entre outros instrumentos. (cf. YOGANANDA: 2007).

(5)Díodos (do grego di e odos = dois caminhos). Trata-se de pequenas peças trabalhando com cristais. Estas pequenas unidades são, hoje em dia, mais conhecidas como semicondutores. Assentam na capacidade variável de conduzir a corrente elétrica. Os cristais foram primeiramente descobertos em 1873-1874 por Frederick Guthrie e Karl Braun. Depois utilizados por Thomas Edison (1880). Pouco tempo após, são aplicados por Édouard Branly e Jagadish Bose, no então chamado coesor de transmissão radioelétrica. A progressão tecnológica continua e são inventadas as válvulas termoiónicas, constituídas essencialmente por um cátodo, um filamento e um ânodo. O aquecimento do filamento faz trabalhar iões e eletrões, bem assim como o encaminhamento de impulsos informativos. Novas evoluções e as válvulas dão lugar aos transístores e atualmente aos circuitos integrados. Porém, a origem da transmissão radioelétrica, baseia-se nos coesores/díodos (duas funções). Também não será por acaso que os sistemas atuais de comunicações se chamam digitais por se basearem na transmissão de zeros e uns. Hoje, como no século XIX, as comunicações são baseadas na dualidade, tal como uma moeda possui duas faces. Para se comunicar são necessárias no mínimo duas pessoas ou uma pessoa e outro ser, seja animal, vegetal e talvez também se possa vir a comunicar com o reino mineral e o espiritual. Seguindo o precursor Bose, parece que a comunicação entre seres de espécies diferentes já está ao alcance da Humanidade mas é como diz uma citação trazida pela cara amiga Lucinda: a comunicação é como “A felicidade [que] bate na porta mas não gira a maçaneta. Quem decide se quer que ela entre ou não, é você!”. (Cf. http://comunidade.sol.pt/blogs/lucinda/archive/2015/07/06/OS-GREGOS-E-A-SUA-SEDE-DE-UMA-JUSTA-DEMOCRACIA_2E00_.aspx )

(6) Cf. MOTT, Nevill in https://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose

Tags: BOSE,Jagadish Chandra, BRANLY,Edouard, Crescógrafo, Díodo-semicondutor, Radiocomunicações, Radiotelefonia, Radiotelegrafia, Telecomunicações, TSF, MARCONI,Guglielmo, POPOV,Alexander, YOGANANDA,Paramahansa

Fontes bibliográficas:

-COPERÍAS, Enrique M. – O Livro das origens: De onde vem tudo o que nos rodeia, do Universo e da vida aos objetos do quotidiano. Paço de Arcos: Abril /Controljornal Edipress, Ldª, 2013

Documentos policopiados

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Ensaio de Organização da Telegrafia Eléctrica no Museu dos CTT. Lisboa: Museu dos CTT; UAL, 1988- 1989.- Policopiado

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Uma (R)evolução nas Telecomunicações. Lisboa: FPC – Fundação Portuguesa das Comunicações, 2005. – Doc. policopiado de apresentação da Exposição “150 Anos da Telegrafia Elétrica em Portugal”. In Património Museológico Postal e Telecomunicações

 Documentos em linha, acedidos em 7.7.2015

-BOSE, Sir Jagadish – Biography in http://www.britannica.com/biography/Jagadish-Chandra-Bose

-BOSE, Jagadish Chandra – Biografia – pioneirismo na pesquisa/deteção de ondas curtas in http://ethw.org/Jagadish_Chandra_Bose

-BOSE – Crescógrafo in https://es.wikipedia.org/wiki/Cresc%C3%B3grafo

-BOSE – Físico e Fisiologista in http://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose

-BOSE – Investigações sobre o sistema nervoso das plantas e alguns equipamentos in https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-PT&prev=search&rurl=translate.google.pt&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/Jagadish_Chandra_Bose&usg=ALkJrhiqEBhZbJvOpYdWsnVYcUH0EcP_3A

-BOSE; Demerson – Detetor ou coesor radioelétrico in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/b~ose/bose.html

-CHARDIN – Investigações sobre a energética do pensamento e o respito pela Natureza in http://pt.wikipedia.org/wiki/Teilhard_de_Chardin#Obras_de_Teilhard_de_Chardin

-CHT Comissão das História das Transmissões – BRANLY, Édouard e o coesor detetor de ondas radioelétricas in https://historiadastransmissoes.wordpress.com/tag/coesor-de-branly/ ; https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Branly; https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Branly ;

-Diodo semicondutor de cristais in https://pt.wikipedia.org/wiki/Diodo_semicondutor

-EMERSON, D. T. – Investigações pioneiras de J. C. Bose: 100 anos de ondas milimétricas e relação com as investigações de Bose in https://www.cv.nrao.edu/~demerson/bose/bose.html

-FIDALGO, Anabela (profª) – Apontamentos aulas de Literatura. Massamá e Monte Abraão: USMMA, 2014/2015

-FRANCISCO, Papa – Nova Encíclica “Laudato si, sobre o cuidado da Terra in http://ionline.pt/397268?source=social

-JANEIRA, Ana Luisa – Teilhard de Chardin: a energética como visão de mundo; A energia máxima será sempre o amor in https://teilhardianos.wordpress.com/2012/05/25/teilhard-de-chardin-a-energetica-como-visao-de-mundo/

-MORAES, Jaime G. de http/fotoclone.in/historiadoradio/historiadoradio_12.html

-MOTT, Nevill in https://es.wikipedia.org/wiki/Jagdish_Chandra_Bose.

-PEREIRA, Martha Camargo Vasconcelos – Efeito Branly (Branly’s coherer). Campinas: Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Física Gleb Wataghin, s. d. in http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem2_2006/MarthaC_Tamashiro_RF1.pdf

-KAMERLINGH-ONNES, Heike – História do forno de micro-ondas in http://microwavecooking.com/pt/Microwave_Oven_History_Part3.htm

-UNICAMP; BRUM – História dos semicondutores in http://sites.ifi.unicamp.br/brum/files/2014/01/FI_JAB_1s2012_P1_Ch2_Historia.pdf

-YOGANANDA, Paramahansa ; BOSE, Jagadish in https://pt.wikipedia.org/wiki/Autobiografia_de_um_Iogue

-YOGANANDA, Paramahnsa – Autobiografia de um Iogue [e a relação com Bose]. [Lisboa?]: Dinalivro, 2007. À venda na FNAC. O original foi traduzido do inglês em 18 línguas, incluindo o português.

37.MINHAS MEMÓRIAS – EXPOSIÇÃO 2º PISO MUSEU DOS CTT

14 Mar

Rua de D. Estefânia entre Abril de 1983 e Maio de 1985

Meio suporte ação:

Grito gesto manifesto mensageiro

Som fumo torre pombo-correio caminheiro

Arte epigrafia traço signo desenho cor

Pergaminho papiro papel tradutor

Luz farol ótica semáforo informação

Sopro tubo pneumático telegrama condução

Expressão dor alegria comunicação.

(Pensamento ara 2014)

Começamos pela Sala chamada “posto” por sugestão com os postos dos correios. Tinha 3,85×2,60 m2 e funcionava também como local de repouso dos visitantes. Apresentava essencialmente venda de materiais: postais, livros, diapositivos relacionados com a exposição de comunicações, tecnologias e organização de serviços. Aproveitava-se a decoração das paredes para a representação hierárquica das principais funções e serviços dos CTT, através de um organograma, no qual podia localizar-se o Museu, dependente diretamente do CA – Conselho de Administração dos CTT;

Sala de introdução histórica (8,50×6,00 m2). Além de uma série de espécimes de telecomunicações e do correio, esta sala exibia miniaturas referentes a equipamentos de grandes dimensões, tais como viaturas e ambulâncias ferroviarias postais e aviões.

Numa parede em frente de quem entrava podia observar-se uma sequência de figuras que, só por si, apresentavam uma panorâmica dos principais sistemas de transmissões de mensagens, através dos tempos. Este painel continha uma síntese bem conseguida da História dos Correios Telecomunicações e Faróis. Os Guias (Agentes/Monitores de Exposição) serviam-se destes painéis de imagens para melhor e mais facilmente introduzirem os visitantes no mundo dos Correios e Telecomunicações. Os visitantes podiam recolher aqui as primeiras impressões e informação;

Sala de filatelia: Expunha os espécimes referentes a este setor do Museu: Marcas de dia, carimbos, espécimes de numismática e medalhística e selos de correio num expositor de gavetas, recolhendo-se estes expositores, sempre que não estivessem a ser observados. Conseguia-se assim a tripla função: a) diminuição do espaço necessário para expor milhares de espécimes, b) melhor conservação, especialmente contra os raios ultravioletas; c) proteção contra roubos;

Sala de recetáculos postais e outras peças com 5,40×2,65 m2. Vários modelos de receptáculos eram apresentados, inclusivamente alguns de outros países. O símbolo da União Postal Universal (UPU), uma representação do globo terrestre em latão, à volta do qual figuram pessoas de vários continentes a passar mensagens escritas entre si, como num abraço fraternal (1). Além destas peças destacava-se um expositor com tampa de vidro em V, situado no centro da sala, contendo uma série de postais com valor etnográfico regional proporcionando uma mostra dos hábitos e trajes populares da região de Lisboa (2);

Gabinete da conservadora-chefe e sala de reuniões com 8,70×3,00 m2.

Gabinete da conservadora-chefe e sala de reuniões com 8,70×3,00 m2.

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(1)  Simbolo/bandeira da União Postal Universal. Não se trata da imagem da peça tridimensinal exposta no ex. Museu dos CTT, hoje no Museu das Comunicações mas de uma imagem bidimensinal, acedida pela Wikipédia in http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Postal_Universal.

(2) Esteve prevista a criação de Delegações do Museu dos CTT no Porto, Faro e Regiões Autónomas. Aspiração que na realidade não passou do papel, algumas exposições pontuais e temporárias nessas localidades. A área das comunicações e especialmente a de telecomunicações desenvolveu-se muito nos últimos 30 anos, havendo patrimónios consideráveis para se poder voltar ao desiderato. Urge, pois, tornar este desejo/intenção num projeto de Museu Nacional das Comunicações com núcleos onde se justifiquem para a divulgação dos acervos e desenvolvimento das capacidades turísticas das Regiões e Localidades. (cf. ANCIÃES,  Alfredo Ramos in http://cumpriraterra.blogspot.pt/2014/02/para-um-museu-nacional-dos-media-e-das.html)

Fontes auxiliares:

ANCIÃES, Alfredo Ramos – O Museu dos CTT. Lisboa: Arquivo UNL, 1988/1989. Disponível também em Arquivo do Grupo dos Amigos do Museu das Comunicações.